Oferta Relâmpago: assine Revista Impressa por R$ 9,90/mês!

Elas preferem os novinhos: mulheres 40+ contam por que deixaram os mais velhos de lado

Sem medo do julgamento alheio, mulheres procuram homens mais jovens para se relacionar em busca de dinâmicas mais igualitárias e a redescoberta do desejo

Por Paola Churchill 16 ago 2026, 15h00
Boneca Barbie loira de costas com maiô listrado preto e branco, e boneco Ken de perfil olhando para ela, vestindo camiseta azul e branca com jeans, em fundo rosa
Mulheres maduras têm falado cada vez mais abertamente sobre relacionamentos com homens mais jovens, em busca de vínculos com mais liberdade e desejo (Dandara Araújo/CLAUDIA)
Continua após publicidade
Elas preferem os novinhos: mulheres 40+ contam por que deixaram os mais velhos de lado Priorizar nos meus resultados Google

Se alguém dissesse à advogada Bruna Fonseca de dois anos atrás que ela terminaria namorando um homem mais novo, ela teria rido na cara da pessoa.

Continua após a publicidade

Aos 37, influenciadora digital, passou a vida convencida de que relacionamento bom era com homem mais velho, afinal, era o que via em casa, no casamento dos pais, em que o pai é dez anos mais velho que a mãe.

“Eu sempre achei que, para ter um relacionamento bom, eu também tinha que me relacionar com um homem mais velho. Só que descobri que estava errada”, diz.

O ponto de virada foi o último namorado, dez anos mais velho, que ela descreve sem meias palavras: controlador, manipulador, machista, convencido de que a idade o tornava superior.

Continua após a publicidade

“E ele não era nada disso.”

Depois dele, vieram outros mais velhos, e o veredito foi o mesmo: “completos idiotas”.

“Nunca fui tão feliz”

Hoje, com um rapaz dez anos mais novo, o resumo é direto: nunca foi tão feliz.

Continua após a publicidade

E ela tem teoria para o que mudou. “Esses meninos mais novos foram criados por pais diferentes, cresceram numa geração em que as meninas têm direito de fala, direito de trabalho, e são tão importantes quanto os homens”, afirma.

No dia a dia, conta, o parceiro entende seu trabalho, comemora suas conquistas e divide as tarefas sem drama.

Mulheres mais velhas, homens mais jovens

A história de Bruna não é um caso isolado, e é exatamente isso que chama atenção.

Continua após a publicidade

Nos últimos anos, os relacionamentos em que a mulher é a mais velha do casal saíram do armário social.

No TikTok e no Instagram, vídeos de mulheres na faixa dos 30, 40 e 50 anos relatando experiências com parceiros mais jovens acumulam milhões de visualizações.

No mundo das celebridades, casais como o da primeira-dama francesa Brigitte Macron, mais de duas décadas mais velha que Emmanuel; o da cineasta Sam Taylor-Johnson e o ator Aaron Taylor-Johnson, com 23 anos de diferença; ou o da atriz Gabrielle Union, mais velha que o marido, o ex-jogador Dwyane Wade, ajudaram a tornar essas uniões mais visíveis, ainda que a cobertura sobre elas costume ser bem mais cruel do que a dedicada a homens mais velhos com parceiras jovens.

Continua após a publicidade

O que está mudando nos relacionamentos após os 40?

Mas há uma mudança real acontecendo ou as mulheres apenas passaram a falar mais sobre o assunto?

Para as especialistas ouvidas por CLAUDIA, as duas coisas ao mesmo tempo.

“Existe uma mudança concreta na forma como as mulheres estão se relacionando e escolhendo seus parceiros, especialmente após os 40 anos”, afirma a psicóloga Letícia de Oliveira.

“Hoje muitas têm maior autonomia emocional, financeira e liberdade para decidir o que desejam viver afetivamente.”

Ao mesmo tempo, diz ela, caiu o medo de falar sobre isso: o que antes era escondido, por receio das críticas, hoje pode ser uma escolha consciente assumida em voz alta.

O que a ciência já descobriu sobre esses casais 

Pernas de bonecos, com um usando calça jeans azul e tênis branco, e o outro com pernas nuas e sandálias pretas de salto, sobre fundo rosa
Relacionamentos com homens mais jovens ganham espaço entre mulheres que buscam novas formas de viver o afeto e o desejo (Dandara Araújo/CLAUDIA)

Não é só percepção. A antropóloga Mirian Goldenberg, da UFRJ, pesquisa arranjos conjugais brasileiros há mais de três décadas e dedicou um livro inteiro à provocação contida no título Por que os homens preferem as mulheres mais velhas?

Ao entrevistar 52 casais nesse formato, encontrou algo que contraria o senso comum: a união de mulheres mais velhas com homens mais novos tende a minimizar os jogos de dominação, as disputas e os conflitos tão comuns nos casamentos convencionais.

Para ela, quando a mulher amadurece, descobre que a melhor rima para felicidade é liberdade.

Do lado de fora do Brasil, a socióloga canadense Milaine Alarie entrevistou 55 mulheres de 30 a 60 anos que se relacionam com homens mais jovens e derrubou de vez a imagem da “cougar” (predadora) à espreita: na prática, pouquíssimas se viam como caçadoras, e em boa parte dos casos eram os homens mais novos que tomavam a iniciativa.

Já um estudo da London Metropolitan University publicado em 2025, que analisou 126 pessoas em relações com diferença de pelo menos sete anos, desarmou outro clichê: a percepção de “ganho financeiro” simplesmente não apareceu entre os homens mais novos que namoram mulheres mais velhas.

A história do rapaz interesseiro atrás do dinheiro da madura não se sustenta nos números.

O mesmo levantamento apontou que homens e mulheres relataram mais satisfação sexual quando o parceiro era o mais jovem da relação.

Por que incomoda tanto?

Se os relatos são majoritariamente positivos, por que esses casais ainda provocam tanto burburinho?

A resposta, segundo as especialistas, tem menos a ver com idade e mais com poder.

“Historicamente, o envelhecimento masculino foi associado à experiência, ao poder, à estabilidade”, explica Letícia. “O feminino, por sua vez, foi relacionado à busca pela juventude e à aparência.”

A psicóloga integrativa Laura Zambotto, especializada em saúde emocional feminina, acrescenta o componente biológico que sustentou o padrão por séculos: o homem mais velho com uma mulher jovem foi normalizado porque mantinha a possibilidade de ter filhos.

À mulher, ao contrário, ensinou-se que envelhecer é perder a fertilidade, beleza, valor.

“Loba”, “cougar”, “MILF”: o peso dos rótulos

É aí que entram os apelidos. Quando uma mulher madura se relaciona com um homem mais novo, vêm os rótulos: “loba”, “cougar”, “MILF”.

A psicóloga Fernanda Purificação, especializada em sexualidade e neuropsicologia, não tem paciência com eles.

“Se um homem mais velho sai com uma jovem, ele é o poderoso, o bem-sucedido. Se a mulher faz o mesmo, vira piada, fetiche ou personagem de história”, diz.

Para ela, o problema não é a palavra, e sim o peso dela: “Esses termos pegam uma mulher inteira e a reduzem a uma fantasia rasa. Apagam sua inteligência emocional, sua bagagem e sua autonomia.”

E arremata: “O incômodo real não é com a diferença de idade. É ver uma mulher que não pede licença para sentir prazer.”

Voltar a se enxergar depois dos 40 

À esquerda, rostos de bonecos Ken e Barbie, com olhos verdes e azuis, respectivamente. À direita, Barbie de costas com maiô listrado e Ken de perfil com camiseta azul e jeans, sobre fundo rosa
Mulheres mais velhas que se envolvem com homens mais jovens ainda enfrentam rótulos e um julgamento que não costuma recair da mesma forma sobre os homens (Dandara Araújo/CLAUDIA)

Por trás da estatística e do debate de gênero, há uma experiência íntima que se repete.

Muitas mulheres descrevem a maturidade — em especial a virada dos 40 — como um momento de quase desaparecimento.

“É comum a mulher se sentir invisível, deixar de ser vista como mulher, se perdendo da própria identidade”, observa Laura.

A explicação, para ela, está nos muitos papéis acumulados ao longo da vida — esposa, mãe, profissional —, todos voltados a cuidar dos outros e quase nunca de si.

“Esse lugar levou as mulheres à exaustão.”

A menopausa, somada ao fim da rotina centrada em filhos pequenos, abre uma janela: a de voltar a se olhar. “Esse movimento faz com que ela resgate seu lado mulher.”

“Achei que essa fase da minha vida já tinha acabado”

No consultório de Fernanda, o roteiro é parecido.

“Muitas pacientes contam que recuperaram a vitalidade, que se sentem vistas, ouvidas e desejadas de verdade outra vez”, relata.

Na intimidade, descrevem um clima mais leve, curioso, livre dos papéis engessados dos casamentos longos.

É o que Bruna conta à sua maneira: para ela, os parceiros mais novos cresceram já sabendo que “as mulheres também querem sentir prazer”.

A frase que Fernanda mais escuta no consultório? “Achei que essa fase da minha vida já tinha acabado.”

Descobrir que não acabou, diz a psicóloga, é libertador.

Nem tudo é libertação

Seria simplista, no entanto, tratar o fenômeno como uma fábula de empoderamento sem sombras.

Existe, nas redes, uma versão bem mais crua do mesmo discurso.

É o caso da fisioterapeuta Renata Vieira, 40. Ela conta em entrevista que cansou dos homens da própria idade, com aquela “síndrome de professor”, sempre achando que sabem mais, e resolveu testar rapazes de 22, 23 anos.

O apelo, para ela, é quase matemático: “O homem mais novo, se bem escolhido, olha para você com admiração.”

De acordo com ela, fariam de tudo para agradar uma mulher mais velha: “Você fala ‘lava a louça’, ele lava.”

No vocabulário dela, “esse é o caminho do sucesso”.

Quando os papéis apenas se invertem

É a “loba” em sua caricatura mais escancarada e, no fundo, a mesma lógica de dominação e instrumentalização da qual tantas mulheres dizem estar fugindo, apenas com os papéis invertidos.

Escolher um parceiro pela vulnerabilidade que ele carrega, para mantê-lo dócil, não é exatamente liberdade; é a velha desigualdade vestida com outra roupa.

E mostra que nem todo relato sob a bandeira do “novinho” fala de afeto ou de igualdade.

Idade não é garantia de maturidade

As próprias especialistas fazem questão de evitar generalizações.

Maturidade emocional, lembram Letícia e Laura, não é questão de idade: existem homens jovens ainda muito presos a padrões tradicionais e homens mais velhos profundamente disponíveis.

A psicóloga e sexóloga Michelle Sampaio, diretora da Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS), descreve a geração mais nova como um verdadeiro “campo de batalha” entre dois modelos: de um lado, rapazes que defendem a divisão igualitária das tarefas e falam abertamente sobre sentimentos; de outro, expectativas machistas que sobrevivem, muitas vezes alimentadas pelas próprias redes sociais.

A abertura emocional que tantas mulheres elogiam nos parceiros mais novos existe de fato — “mais curiosidade, menos defesa, mais vontade de falar sobre emoções”, nota Michelle —, mas não vem com garantia.

O desejo na maturidade não pede desculpas

Talvez seja essa, no fim, a verdadeira novidade: não o fato de mulheres maduras desejarem homens mais jovens — isso sempre existiu, só que em silêncio —, mas o fato de elas estarem dizendo isso em voz alta, sem pedir desculpas.

“Uma mulher que deseja, escolhe, diz não, experimenta e assume o que quer é uma mulher que ninguém consegue controlar”, define Fernanda.

“É por isso que o desejo na maturidade incomoda tanto. Ele grita que a mulher não acaba quando envelhece.”

E deixa um recado que poderia ser o resumo de toda essa transformação: “Envelhecer não devia ser sinônimo de sumir. Pode ser sinônimo de consciência, liberdade e de se apropriar do próprio corpo.”

9 casais famosos que você não acredita que já existiram

Assine a newsletter de CLAUDIA

Receba seleções especiais de receitas, além das melhores dicas de amor & sexo. E o melhor: sem pagar nada. Inscreva-se abaixo para receber as nossas newsletters:

Acompanhe o nosso WhatsApp

Quer receber as últimas notícias, receitas e matérias incríveis de CLAUDIA direto no seu celular? É só se inscrever aqui, no nosso canal no WhatsApp

Acesse as notícias através de nosso app 

Com o aplicativo de CLAUDIA, disponível para iOS e Android, você confere as edições impressas na íntegra, e ainda ganha acesso ilimitado ao conteúdo dos apps de todos os títulos Abril, como Veja e Superinteressante.

As receitas de CLAUDIA Cozinha na sua mão

Receitas práticas e saborosas para qualquer hora do dia! Seja para um ocasião especial ou até para um jantar rápido e saudável. O aplicativo de CLAUDIA Cozinha com nossas melhores receitas está disponível para iOS e Android.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

ÚLTIMAS HORAS!

Digital Básico

Moda, beleza, autoconhecimento, mais de 11 mil receitas testadas e aprovadas, previsões diárias, semanais e mensais de astrologia.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 57% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba Claudia impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 12,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).