8 renúncias da Quaresma que vão além da religião
o que o período revela sobre hábitos, limites e cultura
A Quaresma é tradicionalmente associada ao cristianismo e ao calendário religioso, mas, nos últimos anos, o período ganhou também um sentido comportamental e cultural. Mais do que discutir regras de fé, o que se observa é a popularização da ideia de usar os 40 dias que antecedem a Páscoa como um momento de pausa, disciplina e revisão de hábitos.
Mas, afinal, o que de fato a Igreja orienta evitar? E o que virou um hábito cultural? Entre regras religiosas, movimentos culturais e escolhas pessoais, confira o que as pessoas estão comumente evitando durante o período (e os motivos por trás das renúncias):
Entre os costumes mais conhecidos está a ideia de evitar carne às sextas-feiras da Quaresma. A prática é uma orientação ligada à tradição da Igreja Católica e faz parte de uma disciplina penitencial observada por muitos católicos a partir dos 14 anos.
A regra também é associada à Quarta-feira de Cinzas e à Sexta-feira Santa. Na tradição cristã, o peixe costuma ser aceito porque não é considerado “carne animal de sangue quente”.
3. Bebidas alcoólicas
Embora não exista proibição oficial de álcool durante a Quaresma, é comum que algumas pessoas escolham reduzir ou evitar o consumo de bebidas alcoólicas como forma de renúncia pessoal. Essa prática aparece como uma maneira de transformar a ideia de sacrifício em algo concreto dentro da rotina.
4. Chocolate e doces
Abrir mão de chocolate virou quase um símbolo popular da Quaresma, especialmente entre crianças, adolescentes e nos debates que circulam nas redes sociais.
Não há orientação religiosa que determine a exclusão do chocolate, mas o gesto passou a representar a lógica de escolher algo prazeroso e renunciar por um período limitado, como um exercício de disciplina pessoal.
5. Conflitos e ressentimentos
Nas práticas comuns do período, também aparece a ideia de deixar de lado fofocas, críticas, conflitos e discussões que geram desgaste emocional. A proposta é usar a Quaresma como um momento para revisar atitudes, priorizando relações mais leves e uma comunicação mais amorosa.
6. Consumo impulsivo
Muitas pessoas decidem evitar compras desnecessárias durante a Quaresma como forma de combater o consumismo, reavaliando o que de fato é essencial em suas rotinas. Em um cenário de estímulos constantes e facilidade de compra digital, a renúncia temporária acaba funcionando como um exercício de limite.
7. Redes sociais e excesso de telas
Nos últimos anos, o chamado “jejum digital” passou a aparecer com frequência quando o assunto é Quaresma. Em vez de abrir mão apenas de alimentos, muita gente decide reduzir o tempo no celular, limitar o uso de aplicativos ou até ficar um período sem redes sociais.
Algumas pessoas escolhem limitar também séries, jogos ou outras formas de entretenimento para criar momentos de silêncio e introspecção. No caso dos fiéis, esses momentos ficam reservados para orações e adoração.
8. Indiferença nas relações
Evitar a indiferença, responder com mais paciência, ouvir sem interromper e retomar conversas importantes estão entre as práticas mais simbólicas. A tradição cristã conecta o período à prática da caridade — não apenas como doação financeira, mas como disponibilidade real para ajudar, acolher e se envolver com as necessidades do outro.
Nesse sentido, o “abrir mão” deixa de ser apenas privação e passa a ser deslocamento de foco: menos centrado em si, mais atento a quem está por perto.
Um período de escolha, não apenas de restrição
Orientações ligadas à Igreja Católica destacam que o sentido da Quaresma está menos na ideia de punição e mais na construção de um equilíbrio entre corpo, mente e vida social, a tal busca pela espiritualidade.
Sem dúvidas, a tradição religiosa acaba dialogando, frequentemente, com discussões atuais sobre produtividade, saúde mental e consumo consciente.
Com isso, o período deixa de ser visto apenas como um momento de regras religiosas e passa a funcionar como um convite simbólico para repensar nossas escolhas de vida.
Quando alguém escolhe abrir mão de algo por 40 dias, está treinando a capacidade de adiar recompensas. Isso fortalece a percepção de controle sobre os próprios hábitos.
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