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Nora de Andressa Urach diz ter ‘duas vaginas’; saiba o que é útero didelfo

Condição rara de origem congênita provoca a formação de dois úteros e, em alguns casos, duplicidade vaginal, com impactos que variam entre as pacientes

Por Lorraine Moreira Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 jul 2026, 18h26 | Atualizado em 24 jul 2026, 14h40
Montagem de três pessoas: à esquerda, uma mulher jovem de cabelos escuros e olhos claros, com maquiagem e colar. À direita, um homem tatuado de óculos e camiseta branca, sorrindo ao lado de uma mulher de cabelos loiros e vestido listrado rosa e laranja, também sorrindo
Nora de Andressa Urach tem o chamado útero didelfo (@mayaurach e @mayaxbraga/Instagram)
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A influenciadora Mayra Braga, nora de Andressa Urach, afirmou ter “duas vaginas”. A condição é real, chamada tecnicamente de “útero didelfo”, e ocorre por uma má-formação rara do aparelho reprodutor feminino que causa a duplicidade de útero. Dependendo do caso, pode levar algumas mulheres a terem duas vaginas.

O que é o útero didelfo e como se forma?

A mulher já nasce com essa condição. “Durante o desenvolvimento do bebê na gestação, existem duas estruturas chamadas ductos de Müller, que normalmente se unem para formar um único útero. No caso do útero didelfo, essa fusão não acontece completamente, resultando em dois úteros separados”, segundo Rodrigo Rosa, ginecologista obstetra especialista em reprodução humana e diretor clínico da clínica Mater Prime.

“O trato reprodutivo se desenvolve como dois sistemas independentes. Em vez de a mulher ter um único útero, ela apresenta dois úteros, com duas cavidades, dois colos uterinos e, em alguns casos, duas vaginas”, diz Vitória Espíndola, ginecologista do Hospital Brasília e da Maternidade Brasília.

Ter duas vaginas acontece por conta da divisão parcial ou completa da vagina. Embora seja uma condição com a qual a mulher já nasce, segundo o médico, muitas só descobrem durante exames ginecológicos, na investigação de dificuldades para engravidar ou durante a gestação. “O mais comum é ter 2 colos do útero e uma única vagina.”

Há impactos na vida sexual das pacientes?

O útero didelfo não interfere na vida sexual na maioria dos casos, segundo o ginecologista obstetra. “Muitas mulheres têm relações normalmente e sequer sabem que possuem essa condição.” Mas há situações em que pode haver impacto. “Quando existe septo vaginal, uma divisão da vagina que pode acompanhar o útero didelfo, algumas pacientes podem sentir desconforto ou dor durante a relação sexual.” E existe tratamento.

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Mulheres com útero didelfo podem engravidar normalmente? E o parto normal pode ser realizado?

Jovem mulher de cabelos escuros e longos, com sardas no rosto, olhando diretamente para a câmera. Ela usa um top branco e um colar prateado fino. Ao fundo, roupas penduradas em um cabideiro.
Maya Braga afirmou nas redes sociais ter “duas vaginas” (@mayaurach e @mayaxbraga/Instagram)

“A maioria das mulheres com útero didelfo pode engravidar naturalmente, desde que não existam outros fatores que comprometam a fertilidade”, comenta Rodrigo. Mas a gestação é considerada de maior risco obstétrico. “Há uma maior chance de aborto espontâneo, parto prematuro, apresentação pélvica do bebê e restrição de crescimento fetal, o que torna o acompanhamento pré-natal ainda mais importante.”

O parto normal pode acontecer, dependendo da situação. “A decisão depende da posição do bebê, das características anatômicas do útero, da evolução da gestação e das condições maternas e fetais. Ou seja, a presença de útero didelfo, por si só, não determina a necessidade de cesariana”, explica o médico.

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O útero didelfo exige tratamento ou intervenção cirúrgica?

Quando não há sintomas ou repercussão na saúde reprodutiva, não é necessário realizar qualquer tratamento. “A cirurgia é uma indicação bastante rara e costuma ser reservada para situações específicas, como quando existe um septo vaginal que provoca dor, dificuldade nas relações sexuais ou problemas relacionados ao fluxo menstrual”, diz o especialista Rodrigo.

“O tratamento cirúrgico é indicado apenas em casos sintomáticos, como septos que causam dor ou obstrução. Muitos casos requerem apenas acompanhamento médico”, concorda Erica Mantelli, ginecologista, obstetra e sexóloga da Clinica Mantelli.

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O útero didelfo pode afetar a menstruação?

“Na maioria das vezes, o ciclo menstrual em si é regular, pois a função hormonal dos ovários é absolutamente normal. No entanto, a forma como a menstruação se manifesta pode trazer particularidades”, de acordo com Vitória.

O fluxo mais intenso ou prolongado é um exemplo. “Como há duas cavidades uterinas com endométrio (o tecido que descama na menstruação), o volume sanguíneo pode ser maior”, diz Vitória. Além disso, as cólicas podem ser mais intensas se houver retenção de sangue em uma das cavidades ou se a pessoa tiver também endometriose.

Ainda há desinformação ou estigma em torno dessa condição?

Ainda existe muita desinformação sobre o tema. “Receber o diagnóstico de uma malformação uterina costuma gerar medo, e muitas mulheres acreditam, de forma equivocada, que nunca conseguirão engravidar ou ter uma gestação saudável”, diz o especialista em reprodução. A maioria das pacientes não enfrenta isso, segundo ele.

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Quando o diagnóstico acontece?

O diagnóstico pode ocorrer ao longo da vida da mulher. “Muitas passam anos sem saber que têm a condição, pois o útero didelfo costuma ser assintomático”, diz Vitória. Quando há obstrução parcial no fluxo menstrual, com um dos lados da vagina fechado por uma membrana, por exemplo, o diagnóstico pode ocorrer na adolescência devido às dores pélvicas intensas na menstruação.

Por outro lado, na vida adulta, é comum que a descoberta ocorra em exames de rotina, como a ultrassonografia pélvica ou o papanicolau, ou quando a mulher passa por casos de abortamento de repetição ou dificuldades gestacionais e há investigação. “Exames como ultrassom pélvico, ressonância magnética e histeroscopia são utilizados para identificar a condição e avaliar possíveis malformações renais associadas”, segundo Erica.

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