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7 em cada 10 mulheres já foram assediadas ou importunadas em deslocamentos

Pesquisa dos institutos Locomotiva e Patrícia Galvão apontam que o público feminino é o mais vulnerável quanto às violências nas cidades do Brasil

Por 15 out 2021, 12h05
assédio - cidade
 (Foto: CribbVisuals/Getty Images)
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Uma pesquisa indicou que importunação e assédio sexual são os principais motivos de insegurança das mulheres ao se locomoverem pelas cidades do Brasil. 

Realizada pelos institutos Locomotiva e Patrícia Galvão, o estudo, que contou com o apoio técnico e institucional da ONU Mulheres, ouviu mais de 2 mil pessoas de todo o país. Os resultados apontaram que, dentre os homens e mulheres abordados, o público feminino é mais vulnerável quanto às violências que ocorrem nos diversos meios de transporte. Cidadãos LGBTQIA+, negros, de baixo poder aquisitivo e deficientes aparecem em seguida.

Das situações de violência consideradas estão: acidente de trânsito, agressão física, assaltos, furtos, sequestros-relâmpagos, atropelamento, estupro, importunação, assédio sexual, olhares insistentes e cantadas inconvenientes, preconceito, discriminação e racismo.

A cada 10 mulheres entrevistadas, sete afirmaram já ter recebido olhares insistentes e cantadas inconvenientes enquanto se deslocavam nas cidades em que vivem. Representando por porcentagens, 36% das mulheres disseram ter passado por episódios de importunação e/ou assédio sexual. 

O número é tão alarmante que supera os 34% de pessoas que foram vítimas de assalto, furto e/ou sequestro-relâmpago em um país que, em parâmetros de violência, ocupa a 128ª posição no ranking do Global Peace Index (GPI) de 2021, que mede a paz em todo o mundo.

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Os fatos divulgados pela mídia, tal como a ciclista que caiu da bicicleta após ser assediada no Paraná ou a jovem que morreu após ser assediada e atropelada em Santa Catarina só fortalecem os dados trazidos pela pesquisa. Veja:

  • 83% das entrevistadas já foram vítimas de episódios violentos enquanto se deslocavam;
  • 24% não contaram o ocorrido a amigos e familiares;
  • 53% ficaram ou estão abaladas psicologicamente após o episódio;
  • 67% mudaram hábitos e comportamentos após os episódios;
  • 27% afirmaram já ter reagido a alguma situação do tipo.

A realidade importuna das mulheres é tão clara que 89% dos homens entrevistados disseram que se sentiriam menos seguros se fossem mulheres. 72% deles também concordam que espaços públicos são mais perigosos para o gênero feminino. 

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O ônibus se destacou por ser o meio de transporte mais citado pelas entrevistadas como o cenário destas importunações e assédios, seguido pelo deslocamento a pé, que traz insegurança nestes quesitos e a outros tipos de violência, como assaltos, agressões e estupros.

A pesquisa ainda apresentou outro dado alarmante: 83% das mulheres que responderam a pesquisa disseram que se privam de utilizar determinadas roupas e acessórios por medo de serem vítimas de alguma forma de violência.

Sobre os principais fatores que transmitem insegurança destacam-se a falta de iluminação pública, ausência de policiamento, ruas desertas e a grande quantidade de espaços públicos abandonados, condições que podem ser tratadas com a implementação ou melhoria das políticas públicas. 

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