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Feto é operado ainda na barriga da mãe em procedimento pioneiro

Ainda que muito raro, o quadro do bebê pode levar à paralisia

Por 13 fev 2019, 17h52
mulher grávida
 (Wavebreakmedia/ThinkStock)
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Com 20 semanas de gestação, foi identificado que a bebê Eloise, do Reino Unido, tinha uma malformação. Então, em um procedimento pioneiro, os médicos decidiram realizar uma cirurgia – com o feto ainda no útero da mãe.

A ideia era reparar o problema chamado de espinha bífida, um defeito congênito que causa o fechamento incompleto da coluna. Bethan Simpson, a mãe, de 26 anos, é uma das primeiras britânicas a ser submetida à “reparação fetal”.

Tais reparações são feitas, normalmente, depois do nascimento. No entanto, quanto antes o defeito for tratado com a cirurgia corretiva, maiores e melhores são as chances de boa saúde e mobilidade.

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O procedimento durou quatro horas, nas quais o útero de Bethan foi aberto, para que os médicos tivessem acesso ao bebê. Os cirurgiões precisaram fechar o pequeno espaço que a bebê tinha na base da coluna.

Antes da decisão, os pais foram aconselhados a interromper a gravidez, devido a condição da criança. Mas Bethan refutou, dizendo que “não conseguiria fazer isso com uma criança que ela podia sentir dar chutes”.

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A cirurgia foi realizada no University College Hospital, em Londres, na 24ª semana de gestação, e foi bem-sucedida. O nascimento de Eloise está previsto para abril.

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Ainda pouco usado, o procedimento só foi feito em mais três pacientes no Reino Unido. No Brasil, segundo informações do jornal Folha de S.Paulo, a reparação fetal foi introduzida em 2011. Países como Bélgica e Estados Unidos também fazem o procedimento.

Bethan Simpson
Bethan Simpson, mãe de Eloise (@MuhammadLila/Twitter/Reprodução)
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Por seus resultados positivos, a cirurgia será disponibilizada no sistema de saúde pública britânico (NHS). Isso pode beneficiar muitos bebês, considerando que, no país, duzentos nascem com espinha bífida todos os anos.

Em entrevista à BBC, o neurocirurgião Dominic Thompson vê isso como um marco positivo. “Até agora, quando as pessoas recebiam essa notícia devastadora, havia duas opções — prosseguir com a gravidez ou interrompê-la. Agora, há uma terceira opção”, disse. “Não é uma cura. Mas há evidências suficientes de que as perspectivas são muito melhores se a cirurgia é feita precocemente.”

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O quadro da bebê Eloise é raro – acontecem em cerca de quatro a cada 10 mil gestações – e tem a causa desconhecida. De forma resumida, a coluna vertebral e a medula espinhal não se formam da forma certa, deixando os nervos expostos.

Como as crianças nascidas com o defeito podem ficar paralisadas, sofrer problemas na bexiga e intestinos, podendo até mesmo ter o desenvolvimento do cérebro afetado, estima-se que cerca de 80% das mães escolhem interromper a gravidez.

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