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Nina da Hora, a mulher que ‘hackeia’ o sistema racista

A programadora e pesquisadora luta contra o racismo dos algoritmos e é ativista pela educação tecnológica no país

Por Joana Oliveira 12 ago 2022, 09h02 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h08
A programadora e 'hacker' antirracista Nina da Hora.
A programadora e 'hacker' antirracista Nina da Hora.  (Arquivo Pessoal/Divulgação)
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Sem acesso fácil às tecnologias digitais. Foi assim que Nina da Hora (sim, esse é seu sobrenome) cresceu na periferia de Duque de Caxias (RJ). Ganhou o primeiro computador aos 16 anos, mas desde os 12 já sabia o básico da programação. “O livro que marcou minha infância foi O Homem que Calculava, de Malba Tahan”, diz. Também gostava muito de Jorge Amado. “Queria ser capitã da areia da tecnologia”, lembra. Aos 27 anos, Nina é uma hacker antirracista que se dedica a pesquisar e criar matrizes tecnológicas para além dos conhecimentos hegemônicos. “Para mim, é sobre liberdade, sobre lutar contra esses conglomerados digitais que determinam o que é a própria internet.” Um pilar do seu trabalho é “alterar os padrões que não se encaixam na realidade”.

Nina questiona, por exemplo, o uso da tecnologia de reconhecimento facial por ser pautada em algoritmos racistas que incriminam, muitas vezes, pessoas inocentes. Este ano, ela passou a integrar a Comissão de Transparência das Eleições no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde avalia a transparência e segurança do processo eleitoral, enquanto busca aproximar o tema dos interlocutores jovens. “A educação tecnológica no Brasil avançou com a robótica nas escolas, mas precisamos ir além das ferramentas e ensinar como a tecnologia, em si, funciona.” Essa é sua missão — e ela vai longe.

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