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Bruna Furlan relembra abandono durante câncer: “Não me sentia amada”

Em entrevista exclusiva à CLAUDIA, Bruna Furlan detalha o diagnóstico de câncer de mama e o fim do relacionamento durante o tratamento

Por Ana Carolina Palermo 7 jul 2026, 17h15 | Atualizado em 7 jul 2026, 18h57
Duas fotos lado a lado. À esquerda, uma mulher jovem de cabelo castanho-avermelhado e franja, usando blusa preta, olhando para a câmera. À direita, a mesma mulher deitada em uma cama de hospital, coberta por um lençol marrom, fazendo sinal de paz com a mão direita e bico com a boca
Entre consultas, quimioterapia e mudanças no corpo, Bruna encontrou nos pequenos rituais de autocuidado uma forma de enfrentar os impactos emocionais do câncer  (Bruna Furlan/CLAUDIA)
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Bruna Furlan relembra abandono durante câncer: “Não me sentia amada” Priorizar nos meus resultados Google

A influenciadora Bruna Furlan, neta do humorista Carlos Alberto de Nóbrega, tornou público um momento delicado de sua vida ao revelar que foi diagnosticada com câncer de mama e, durante o tratamento, enfrentou o fim de um relacionamento. Nas redes sociais, ela afirmou ter sido traída e abandonada enquanto lidava com a doença, relato que repercutiu amplamente. 

Em entrevista à CLAUDIA, Bruna detalhou como viveu esse período, falou sobre os impactos emocionais do diagnóstico e da separação simultânea e refletiu sobre o processo de reconstrução após um dos momentos mais difíceis de sua vida.

O diagnóstico

“Eu recebi o diagnóstico de forma muito conturbada”, relembra Bruna. Segundo ela, o médico não telefonou para comunicar o resultado dos exames, mas enviou o laudo por e-mail. “Eu estava em casa com meu ex-namorado naquele momento. Ele foi a primeira pessoa a saber.”

No entanto, o apoio que Bruna esperava encontrar dentro de casa não aconteceu. Em vez de fortalecer a relação, o diagnóstico expôs fragilidades que, segundo ela, já existiam no relacionamento.

O caso da influenciadora escancara uma realidade vivida por muitas mulheres. Um levantamento citado pela Associação Médica Brasileira aponta que pacientes diagnosticadas com doenças graves têm até seis vezes mais chances de serem abandonadas pelo parceiro do que homens na mesma situação. O levantamento também reúne pesquisas oncológicas que indicam que cerca de sete em cada dez pacientes enfrentam o fim do relacionamento durante a enfermidade.

Bruna conta que, antes mesmo da descoberta de uma traição, já não se sentia acolhida pelo então companheiro. “Eu já estava passando por um período em que não me sentia amada, valorizada nem admirada por ele.”

Segundo ela, a insegurança chegou ao ponto de alterar pequenos hábitos do dia a dia. “Eu acordava antes dele para arrumar o cabelo. Eram pequenas coisas que eu fazia porque já não me sentia amada.”

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A descoberta da traição

Cinco semanas após o diagnóstico, amigas descobriram uma das traições do namorado. “Quando elas souberam, decidiram contar para a minha mãe, porque eu ia começar a quimioterapia.”

Mesmo diante da situação, Bruna decidiu permanecer no relacionamento. “Eu sabia que ainda teria que passar pela cirurgia e não conseguia lidar com o término naquele momento.”

Hoje, ela diz compreender por que adiou essa decisão. “É muito fácil julgar, mas eu estava passando por um momento muito difícil. É complicado tomar essa decisão, sair disso, ficar sozinha. Eu entendo por que adiei o meu término por três meses, me dando essa mesma desculpa. Mas, nos últimos meses de relacionamento, eu me via mais estressada com a relação do que com o meu tratamento.”

“O momento em que eu mais precisei”

Embora tenha enfrentado cirurgias e sessões de quimioterapia, Bruna afirma que o momento mais difícil do tratamento aconteceu longe do hospital.

“O momento em que eu mais precisei não foi a cirurgia. É quando eu me olho no espelho e não me reconheço, quando não me acho bonita, fico com vergonha e não quero olhar para o meu próprio reflexo.”

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Ela afirma que, justamente nesse período, sentiu falta do apoio emocional que esperava receber do parceiro.

“Com o câncer eu sei que consigo lidar. E lidei, venci. Agora, eu não tinha força para conseguir me olhar semi-careca no espelho e me achar linda. Ainda mais com um cara do meu lado que não fazia o menor esforço para eu pensar assim.”

Segundo Bruna, o término foi consequência desse conjunto de fatores, não apenas a traição: “Foi também pela falta bizarra de amor que eu estava tendo.”

Autoestima e queda do cabelo

Duas fotos lado a lado de uma mulher com cabelo molhado. Na esquerda, ela olha para baixo, mostrando o topo da cabeça com áreas de calvície. Na direita, um close do lado do rosto, revelando a linha do cabelo recuada na testa
A queda de cabelo foi um dos momentos mais difíceis do tratamento (Bruna Furlan/CLAUDIA)

Até a queda do cabelo, Bruna tentou manter sob controle tudo aquilo que ainda podia. Desde o início do tratamento, adotou uma dieta diurética para amenizar os inchaços causados pelo corticoide, adaptou os exercícios físicos e criou uma rotina de cuidados para preservar os fios.

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“Eu me recusei a ser aquela pessoa que você olha e fala: ‘Ela está doente’.”

Ela explica que cuidar da aparência lhe transmitia uma sensação de segurança. “Tudo o que estava no meu controle, eu controlava. Eu sempre fui muito cuidadosa com tudo. Acho que isso me passava uma segurança de que a minha beleza estava no meu controle.”

Essa sensação desapareceu quando o cabelo começou a cair. “Quando caiu uma mecha inteira do meu cabelo, toda aquela sensação de segurança foi por terra.”

“Esse foi, de longe, o maior baque que eu tive em questão de autoestima. Eu me olhava no espelho e ficava: ‘Quem é essa?’. Agora eu entendo por que tantas mulheres raspam a cabeça. Chegou um momento em que eu simplesmente não conseguia olhar no espelho.”

Até atividades simples passaram a ser difíceis. “Toda vez que eu saía do banho, com o cabelo molhado, só via a careca. Eu fui contornando como dava: spray de cabelo, maquiagem para cabelo, lenço, chapéu.”

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Hoje, ela afirma enxergar esse processo sob outra perspectiva. “Eu aprendi a me achar bonita assim. Se eu estou me achando bonita assim, imagina quando eu voltar para a beleza que eu tinha antes.”

O cuidado que fez falta

Montagem de duas fotos: à esquerda, uma mulher jovem sorri levemente, com cabelo castanho e franja, vestindo blusa de renda clara e colares dourados. À direita, a mesma mulher está sentada em uma poltrona de hospital, coberta por um cobertor marrom, fazendo sinal de paz com a mão esquerda, com uma pulseira hospitalar no pulso
Bruna Furlan durante uma das sessões de quimioterapia (Bruna Furlan/CLAUDIA)

Durante o tratamento, Bruna recebeu uma rede de apoio formada por familiares, amigos e seguidores. Segundo ela, isso tornou ainda mais evidente a falta de acolhimento dentro do relacionamento.

“Quando eu falo atenção, não é só atenção das pessoas na internet. São as pessoas ao meu redor perguntando se eu estava bem, oferecendo ajuda, pegando um casaco para mim.”

“Ele era o completo oposto disso.” Bruna diz que chegou a conversar sobre o assunto. A justificativa dele era de que não queria fazê-la se sentir doente o tempo todo. “Eu acho que existe uma diferença entre você não fazer a pessoa se sentir doente e você ter um cuidado com uma pessoa que você gosta e que, sim, está doente.”

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Para a influenciadora, esse tipo de abandono ainda é pouco discutido. “A gente fala muito de abandono e de traição. Só que muitas vezes também existe o incômodo de que a mulher, a partir do momento em que recebe aquele diagnóstico, precisa ser o centro de muitas coisas porque exige cuidados diferentes.”

Reconstrução

Montagem de duas fotos: à esquerda, mulher ruiva de vestido vinho sentada em poltrona, olhando para a câmera; à direita, a mesma mulher deitada em cama de hospital, dormindo, com soro no braço e coberta por manta rosa
Ao compartilhar o tratamento nas redes sociais, Bruna abriu espaço para discutir temas como autoestima, vulnerabilidade e apoio durante o câncer (Bruna Furlan/CLAUDIA)

Bruna resume em uma palavra o que mais a ajudou durante esse processo. “A resposta curta e direta é: terapia.”

Ao olhar para trás, ela afirma que uma das maiores transformações aconteceu na forma como passou a enxergar a si mesma.

“A única pessoa que realmente pode te abandonar é você. Isso foi uma coisa que eu aprendi. No final, fui eu quem terminou. Essa sensação de abandono que eu senti não foi só porque ele não estava me dando amor ou me elogiando. Foi porque eu estava permitindo que isso tudo acontecesse.”

Hoje, ela acredita que reconstruir a autoestima foi tão importante quanto enfrentar o câncer. “É muito mais difícil passar por um momento desse com uma pessoa que não te ama do seu lado. Vai te desgastar muito mais.”

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