Aos 42 anos, Viviane Batidão celebra sucesso nacional após quase desistir da música: ‘Não esperava mais’
Nome forte do tecnomelody paraense, a cantora celebra a ascensão nacional de sua carreira e da cultura nortista
Nos últimos anos, o público brasileiro passou a ouvir e conhecer mais sobre o famoso tecnomelody paraense. Nomes como o de Viviane Batidão passaram a ocupar as plataformas musicais com muito mais frequência, abrindo caminho para que a cultura do Norte chegasse a novos públicos.
Agora, ela vê sua trajetória alcançar um novo momento com a parceria com a também paraense Zaynara. Em entrevista à CLAUDIA, Viviane relembra o início de sua caminhada e fala sobre os planos para os próximos anos.
O começo na música
Criada pela avó, a artista conta que a música sempre fez parte de seu cotidiano, desde as tarefas domésticas até o coral da igreja. “Eu simplesmente não sabia fazer outra coisa. Acho que foi um dom que Deus me deu, e a forma que encontrei de me expressar foi através da música”, lembra.
Mas foi aos 15 anos que essa história ganhou um novo rumo, ao ser convidada para participar de um teste para a Banda Fancy. “Eu fui sem muita pretensão. Tudo sempre aconteceu de forma muito orgânica. Passei no teste e fiquei 13 anos na banda”, diz.
Porém, a rotina cansativa e o baixo incentivo financeiro a fizeram desistir da carreira artística por um período. Em 2007, com o apoio de um amigo próximo, a cantora viu nascer o nome Viviane Batidão ao lançar sua primeira composição, “Vem Meu Amor”.
Uma ascensão depois de muita estrada
Apesar de todo o apelo construído no Pará, foi apenas recentemente que Viviane alcançou uma ascensão nacional. “Vou ser muito sincera: eu nem esperava mais viver isso. Tenho 42 anos e a gente sabe como é difícil ser mulher. Muitas vezes parece que existe um prazo de validade para uma artista conquistar espaço nacional. Eu já não tinha mais essa expectativa. Sempre trabalhei muito mais aqui na minha região mesmo”, relata.
Para ela, a parceria com Anitta foi uma das demonstrações do ponto alto de sua carreira. “Para mim, aquilo era quase o último degrau, algo praticamente impossível. Eu admirava muito o trabalho dela e jamais imaginei que faria um feat desse logo de cara. Agora, quase 20 anos depois, consigo colher os frutos de tudo o que plantei aqui. Para o Brasil, eu ainda sou uma bebezinha, mas tenho uma caminhada enorme por trás”, afirma.
A cultura nortista ganhando o Brasil
Mais do que um sucesso individual, a valorização da cultura nortista chega como parte de um movimento coletivo. Ver o tecnomelody, o brega e outros ritmos da região conquistando espaço fora do Pará é, para ela, uma vitória construída por muitas mãos. “É muito gratificante porque nós sempre soubemos da força da nossa cultura. Ela não vive só da música. Existe uma identidade muito forte na culinária, na dança, na forma de falar, nos costumes. Tudo isso faz parte da cultura nortista”, destaca.
A cantora também relembra que, durante muito tempo, artistas da região precisaram lidar com uma sensação de invisibilidade dentro do próprio país. Eventos como a COP 30 foram decisivos para ampliar esse olhar, porém faz questão de lembrar que essa conquista não começou agora.
“É emocionante perceber que décadas de trabalho de artistas que vieram antes de mim estão sendo valorizadas. E acho importante lembrar dessas pessoas. Hoje é mais fácil conquistar esse espaço, mas muita gente manteve o brega vivo quando ninguém olhava para cá”, afirma. “Ver tudo isso acontecendo deixa meu coração muito quentinho. Tenho certeza de que isso é só o começo.”
É dentro desse pensamento que viu nascer sua parceria com Zaynara na faixa “Seu Novo Eu”. “Conheço a trajetória dela desde o começo. Ela faz parte dessa nova geração, cheia de talento, já nasceu dentro dessa era das redes sociais e traz uma identidade muito amazônica. Quando ouvi a música, pensei imediatamente nela. Não tinha pessoa melhor para dividir essa música comigo”, conta.
Nos palcos do Rock in Rio
Prestes a subir ao palco do Rock in Rio ao lado de Joelma, o convite representa algo difícil de colocar em palavras. “A Joelma é nossa maior representante cultural. Ela carregou esse movimento praticamente sozinha durante décadas. Ainda estamos definindo como será essa participação, então não posso dar muitos detalhes, mas tenho certeza de que será um momento muito bonito para representar nossa cultura”, adianta.
O sonho de ver o tecnomelody ainda maior
Mesmo depois de quase duas décadas como Viviane Batidão, a cantora garante que ainda tem muitos sonhos pela frente. Mas, acima de qualquer conquista individual, seu maior desejo é ver o tecnomelody ocupar um espaço cada vez maior no Brasil.
“Não precisa ser necessariamente através de mim. Quero que outros artistas também conquistem esse espaço”, afirma. “Meu grande sonho é ver o tecnomelody fazendo o mesmo caminho que o forró, o sertanejo e o funk fizeram. Quero ouvir nossa música nas rádios, nas playlists, em todos os lugares do país.”
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