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A Procura de Martina: filme revela a história das avós da praça de maio

A trama parte de uma avó em busca de seu neto para discutir política, a senescência e a força feminina

Por Beatriz Lourenço Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 5 jun 2025, 17h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h40
A Procura de Martina é primeira ficção dirigida por Márcia Faria e estrelada pela atriz Mercedes Morán
O filme, disponível nos cinemas, revela a história das avós da praça de maio a partir da busca de uma mulher por seu neto (Leo Bittencourt/Divulgação)
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A Procura de Martina: filme revela a história das avós da praça de maio Priorizar nos meus resultados Google

Imagine só passar a vida inteira procurando sua família desaparecida pela Ditadura Militar. Pois essa é a missão das Avós da Praça de Maio, uma organização argentina de direitos humanos fundada por mulheres em 1977 a fim de encontrar seus filhos e netos. Isso porque, durante esse período, estima-se que cerca de 500 crianças foram sequestradas ou nascidas em cativeiro, após suas mães, opositoras do regime, serem detidas ilegalmente. 

A história que inspirou “A Procura de Martina”

Acredita-se que a maioria dos bebês foram entregues a famílias dos próprios torturadores ou registradas com identidades falsas, em um esquema sistemático de apropriação de menores. É a partir dessa história que nasce o drama A Procura de Martina, primeira ficção dirigida por Márcia Faria e estrelada pela atriz Mercedes Morán.

O filme, que estreia nesta quinta-feira nos cinemas, narra a história de Martina, uma viúva diagnosticada com Alzheimer que busca por seu neto, nascido em cativeiro durante a ditadura militar argentina. 

A trama parte de uma avó em busca de seu neto para discutir política, a senescência e a força feminina
O filme narra a história de Martina, uma viúva diagnosticada com Alzheimer que busca por seu neto (Leo Bittencourt/Divulgação)
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Ao receber um telefonema inesperado indicando que ele pode estar no Brasil, ela embarca em uma jornada ao Rio de Janeiro, enfrentando os desafios da memória, o medo de viajar sozinha e o pouco tempo que tem para contar a verdade ao garoto. 

“É importante falar sobre o Alzheimer porque essa é uma doença que atinge milhões de pessoas. E é uma doença que é muito solitária – tanto para a família, quanto para quem está vivendo ela. Minha mãe vive há mais de 10 anos com Alzheimer e o filme é dedicado a ela”, conta Márcia. “Claro que a parte política está no roteiro, mas ele também tem um foco muito pessoal. A história de Martina se presta bem a falar de maneira muito íntima e também de maneira muito coletiva.” 

Amizade feminina é retratada no longa 

Além do resgate histórico, um dos pilares mais importantes da trama é a amizade feminina que se fortalece a cada cena. Percebemos, de forma sensível, como as mulheres formam uma forte rede de apoio para amparar aquela que está em sofrimento.

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Jéssica, uma funcionária do hotel onde Martina se hospeda, inicialmente oferece ajuda com o idioma e a orientação na cidade, mas, à medida que conhece sua história, desenvolve um laço de solidariedade e empatia. 

Essa conexão entre as duas mulheres, de diferentes gerações e origens, destaca a força dos vínculos afetivos. Além dessa relação, a protagonista conta ainda com outras duas amigas, também avós que investigam o sumiço de seus netos, que a acompanham durante o processo.

“Ainda há poucos filmes com protagonismo feminino, e ainda mais com protagonismo feminino acima dos 60 anos. Essa rede de apoio que elas criaram, buscando memória e justiça, está refletida no filme. É importante que se trate de etarismo nas telas”, comenta a diretora. 

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Essa conexão entre as duas mulheres, de diferentes gerações e origens, destaca a força dos vínculos afetivos
Além do resgate histórico, um dos pilares mais importantes da trama é a amizade feminina que se fortalece a cada cena (Leo Bittencourt/Divulgação)

Lembrar para não repetir

A produção atua como uma poderosa ferramenta de preservação da memória coletiva ao trazer à tona os impactos das ditaduras militares que assolaram diversos países da América Latina durante o século 20. Mesmo partindo de uma história única, o público se lembra dos traumas deixados por regimes autoritários.

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Ao conectar passado e presente, A Procura de Martina convida à reflexão sobre a fragilidade da democracia e o perigo do esquecimento – principalmente em um momento em que discursos autoritários voltam a ganhar espaço em diferentes lugares do mundo.

“O processo de memória e justiça que foi feito na Argentina foi diferente: os torturadores foram julgados e presos. Aqui temos a Comissão da Verdade, um processo muito importante, mas não existiu justiça”, aponta Márcia. “Falar sobre isso nos ajuda um pouco a pensar sobre como nós lidamos, ou não lidamos, com esse passado perverso. É importante que as pessoas entendam o que foi a ditadura militar.”

O longa foi reconhecido internacionalmente, recebendo prêmios como o de Melhor Filme no 43º Festival Internacional de Cinema do Uruguai e na competição latino-americana do 39º Festival de Mar del Plata.  O elenco conta ainda com as atrizes Carla Ribas, Luciana Paes e Cristina Banegas.

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