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7 obras de Yayoi Kusama que ajudam a entender por que ela fez história

Artista japonesa transformou bolinhas, espelhos, abóboras e repetições em uma linguagem única

Por Kalel Adolfo 27 ago 2026, 11h47
Manequim da artista Yayoi Kusama com peruca vermelha, óculos de sol pretos com bolinhas brancas e batom vermelho, vestindo blusa vermelha com bolinhas brancas, em meio a esculturas vermelhas com bolinhas brancas
Yayoi Kusama, artista japonesa conhecida pelas bolinhas, abóboras e instalações imersivas que marcaram a arte contemporânea (Reprodução/Reprodução)
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A artista japonesa Yayoi Kusama, um dos nomes mais reconhecidos da arte contemporânea, morreu aos 97 anos. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (27); segundo a Reuters, ela faleceu em 14 de agosto. Ao longo de mais de sete décadas de carreira, Kusama construiu uma linguagem própria marcada por repetições, bolinhas, redes, espelhos e cores intensas.

Nascida em Matsumoto, no Japão, em 1929, a artista relatava desde a infância experiências visuais envolvendo pontos, flores e padrões que pareciam se multiplicar ao seu redor. Essas imagens acabariam se tornando parte fundamental de seu trabalho e de um conceito recorrente em sua produção: a “auto-obliteração”, ideia de apagar os limites entre o indivíduo e tudo aquilo que o cerca por meio da repetição.

Kusama passou por pintura, escultura, instalações, performances, moda e literatura e teve participação importante na cena de vanguarda de Nova York a partir do fim dos anos 1950. Muito antes de suas salas espelhadas se tornarem fenômenos de público, ela já investigava temas como infinito, obsessão, sexualidade e a relação entre corpo e espaço.

A seguir, conheça 7 obras de Yayoi Kusama que ajudam a entender seu legado.

1. No. F (1959)

Textura abstrata de superfície bege clara com pequenos pontos cinzas irregulares e relevos sutis, criando um padrão granulado e orgânico
No. F (1959), de Yayoi Kusama, integra a série Infinity Nets, marcada pela repetição de pequenos gestos que criam uma superfície aparentemente infinita (Moma/Reprodução)
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Antes das famosas abóboras e das salas de espelhos, estavam as redes. No. F, de 1959, faz parte da série Infinity Nets, desenvolvida por Kusama pouco depois de sua mudança para Nova York.

A pintura é formada por incontáveis pequenos gestos repetidos, que criam uma espécie de rede sobre toda a superfície da tela. Não há um ponto central evidente: o olhar parece poder continuar percorrendo aquele padrão indefinidamente.

A série ajuda a compreender uma das ideias que atravessariam praticamente toda a carreira da artista: a repetição como forma de representar o infinito. Segundo o MoMA, as redes também estavam ligadas aos padrões visuais que Kusama dizia experimentar desde a infância.

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2. Accumulation No. 1 (1962)

Poltrona escultural branca coberta por centenas de formas cilíndricas e ovais, parecendo dedos ou corais. A base tem uma franja de cordões finos, e o fundo é um quadrado sólido. A peça está sobre um chão cinza, com uma parede branca ao fundo
Accumulation No. 1 (1962), de Yayoi Kusama, cobre uma poltrona com formas fálicas de tecido repetidas, levando suas obsessões visuais da pintura para a escultura (Moma/Reprodução)

Em Accumulation No. 1, Kusama transformou uma poltrona comum ao cobri-la com dezenas de formas fálicas confeccionadas em tecido, costuradas, preenchidas e pintadas à mão.

Realizada em 1962, a obra foi sua primeira escultura e inaugurou uma série em que objetos cotidianos, como móveis, eram tomados por essas formas repetitivas. O resultado é ao mesmo tempo familiar e desconfortável.

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Além de ampliar para três dimensões a lógica de repetição já presente em suas pinturas, o trabalho também colocou sexualidade e corpo no centro da produção de uma mulher japonesa atuando na cena artística nova-iorquina dos anos 1960. O MoMA considera a série um exemplo precoce e importante de sua produção escultórica.

3. Infinity Mirror Room — Phalli’s Field (1965)

Uma mulher de cabelo preto e roupa vermelha de corpo inteiro deita-se em um mar de almofadas brancas com bolinhas vermelhas, refletida em espelhos que criam uma ilusão de infinito
Infinity Mirror Room — Phalli’s Field (1965), de Yayoi Kusama, multiplica formas cobertas por bolinhas vermelhas por meio de espelhos, criando uma sensação de espaço infinito (WikiArt/Reprodução)

Talvez nenhuma criação esteja hoje tão associada a Yayoi Kusama quanto suas Infinity Mirror Rooms. A primeira delas surgiu em 1965 com Infinity Mirror Room — Phalli’s Field.

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A instalação reúne centenas de formas brancas cobertas por bolinhas vermelhas em um espaço cercado por espelhos. O reflexo faz com que os elementos pareçam se multiplicar sem fim, incluindo o próprio visitante dentro da obra.

O uso dos espelhos permitiu que Kusama levasse a repetição que já explorava em pinturas e esculturas para uma experiência imersiva. Segundo o Hirshhorn Museum, a obra foi um verdadeiro ponto de virada em sua trajetória e estabeleceu a participação do público como parte fundamental da experiência.

4. Narcissus Garden (1966)

Yayoi Kusama, artista japonesa de cabelos longos e escuros, em pé no meio de centenas de esferas espelhadas, segurando uma delas. Ela veste um quimono claro e olha para a frente. Uma placa branca com NARCISSUS GARDEN KUSAMA está entre as esferas. Pessoas e árvores ao fundo em um gramado
Narcissus Garden (1966), de Yayoi Kusama, reúne centenas de esferas espelhadas e transforma reflexo, repetição e participação do público em uma crítica ao ego e ao mercado da arte (Smarthistory/Reprodução)
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Em 1966, Yayoi Kusama apareceu na Bienal de Veneza com aproximadamente 1.500 esferas espelhadas dispostas sobre o gramado, embora não tivesse sido oficialmente convidada para participar do evento.

Batizada de Narcissus Garden, a instalação também se transformou em performance: Kusama passou a oferecer as esferas aos visitantes por dois dólares cada, em uma provocação sobre o mercado da arte, o ego e a transformação da obra artística em mercadoria.

A intervenção acabou sendo interrompida pelos organizadores da Bienal, mas se tornou um dos episódios mais conhecidos de sua carreira. Décadas depois, diferentes versões de Narcissus Garden continuaram sendo apresentadas pelo mundo.

5. Pumpkin (1994)

Pumpkin (1994), de Yayoi Kusama, transforma a abóbora em um de seus símbolos mais reconhecíveis
Pumpkin (1994), de Yayoi Kusama, transforma a abóbora em um de seus símbolos mais reconhecíveis (Hyperbeast/Reprodução)

As abóboras se tornaram uma das imagens mais reconhecíveis da produção de Kusama. O motivo, porém, apareceu em sua obra muito antes de ganhar esculturas monumentais: a artista já desenhava abóboras desde a juventude.

Uma das versões mais famosas é a escultura amarela coberta por bolinhas pretas instalada em 1994 em um píer da ilha japonesa de Naoshima. Cercada pelo mar, a obra se tornou tanto um símbolo da artista quanto uma das imagens mais conhecidas da própria ilha.

Para Kusama, a abóbora carregava uma combinação curiosa de simplicidade e personalidade. Ao repetir o vegetal em pinturas, esculturas e instalações, ela transformou uma forma cotidiana em uma assinatura visual imediatamente reconhecível.

6. Aftermath of Obliteration of Eternity (2009)

Ambiente escuro com centenas de pequenas luzes amarelas penduradas e refletidas, criando uma ilusão de profundidade infinita
Aftermath of Obliteration of Eternity (2009), de Yayoi Kusama, usa espelhos e pontos de luz dourada para criar uma paisagem aparentemente infinita (The MFAH Collections/Reprodução)

Criada em 2009, Aftermath of Obliteration of Eternity mostra como Kusama continuou expandindo as possibilidades das salas infinitas décadas depois de criar a primeira.

Na instalação, pequenas luzes douradas são multiplicadas pelos espelhos até parecerem ocupar um espaço sem começo ou fim. A experiência é mais contemplativa do que algumas de suas obras mais coloridas e aborda temas que aparecem repetidamente em sua produção, como vida, morte, desaparecimento e eternidade.

É também um exemplo de como as Infinity Mirror Rooms deixaram de ser apenas um recurso visual impactante para se tornarem espaços capazes de alterar a percepção do próprio corpo: diante dos reflexos, o visitante parece desaparecer em meio à paisagem luminosa.

7. Infinity Mirrored Room — All the Eternal Love I Have for the Pumpkins (2016)

Infinity Mirrored Room — All the Eternal Love I Have for the Pumpkins (2016), de Yayoi Kusama, combina abóboras iluminadas, bolinhas e espelhos para criar uma paisagem imersiva que parece se repetir ao infinito
Infinity Mirrored Room — All the Eternal Love I Have for the Pumpkins (2016), de Yayoi Kusama, combina abóboras iluminadas, bolinhas e espelhos para criar uma paisagem imersiva que parece se repetir ao infinito (ICA Miami/Reprodução)

Nesta instalação de 2016, Kusama reuniu dois de seus maiores símbolos: as abóboras e os espelhos.

Dentro da sala escura, esculturas de abóboras iluminadas e cobertas por bolinhas se repetem indefinidamente graças às paredes espelhadas. O efeito cria uma paisagem fantástica na qual é difícil distinguir onde termina o espaço físico e começa sua reprodução.

A obra funciona quase como uma síntese de décadas de produção. Estão ali a repetição, o infinito, as bolinhas, as abóboras e a presença do espectador dentro da instalação, elementos que Kusama desenvolveu desde os primeiros anos de sua carreira e que ajudaram a torná-la uma das artistas mais reconhecidas de sua geração.

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