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“O preconceito corrói a informação”, Majur fala sobre álbum em iorubá

No Mês da Consciência Negra, cantora reflete sobre sua trajetória e sobre o poder de “Gira Mundo”, álbum que celebra as raízes afro-brasileiras

Por Marina Marques Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 nov 2025, 08h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h55
Majur fala sobre ancestralidade e religião no novo álbum Gira Mundo
Em “Gira Mundo”, seu terceiro álbum, Majur traz 16 faixas inéditas e exalta cultura afro-brasileira (Ladeira/Lucas Marinho/Divulgação)
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“O preconceito corrói a informação”, Majur fala sobre álbum em iorubá Priorizar nos meus resultados Google

Aos 30 anos recém-completos, Majur vive uma fase de plenitude. Mulher preta, trans, nordestina e dona de uma das vozes mais singulares da música brasileira contemporânea, a artista carrega em si muitas das camadas que formam o Brasil de hoje — um país que ainda busca compreender sua própria diversidade.

Neste Mês da Consciência Negra, sua obra ganha novos sentidos, como convite à reflexão sobre fé, ancestralidade e resistência. “Com quase oito anos de axé, tenho mais clareza sobre o meu propósito. Cresci muito nesse tempo e entendi o poder da minha arte”, afirma.

Seu terceiro álbum, Gira Mundo, lançado em maio deste ano, encerra a trilogia iniciada com Ojunifé e continuada em Arrisca. É o desfecho de um caminho que começou com o autoconhecimento e passou pela coragem de se lançar ao mundo até chegar à celebração da ancestralidade. “Agora, em ‘Gira Mundo’, compreendo minha missão — é onde estou inteira”, diz Majur. “Vejo esse álbum como um agradecimento, uma celebração por hoje poder ser uma mulher completa em mim mesma.”

Entre o sagrado e o pop

Majur fala sobre ancestralidade e religião no novo álbum Gira Mundo
ravado na Bahia, o novo álbum de Majur tem como faixa foco “Iroko”, que significa, tempo, no candomblé (Ladeira/Lucas Marinho/Divulgação)

Gravado na Bahia, o disco tem 16 faixas em iorubá e uma estética que une afropop, orquestra e terreiro. O resultado é um som que desafia fronteiras entre o sagrado e o pop, o ancestral e o futurista. “Foi um desafio e, ao mesmo tempo, um processo natural”, conta. “Tradição e modernidade não se excluem — elas se completam. E é nesse diálogo que minha música encontra força e verdade.”

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Gira Mundo é, sobretudo, um gesto de reconhecimento das origens afro-brasileiras e um chamado à escuta. “Cantar em iorubá é conectar a diáspora africana à nossa cultura brasileira, e a mensagem que eu quis passar é: abram o coração de vocês para esse momento”, explica.

“O preconceito corrói a informação. O que era uma coisa ancestral, linda, se transforma em outra visão”

Majur

Para a cantora, falar sobre ancestralidade é também enfrentar o racismo e a intolerância religiosa. “Acredito que, por ser uma artista que carrega a ancestralidade e fala das origens, há uma interseção natural com o combate à intolerância e ao racismo. O preconceito corrói a informação. O que era uma coisa ancestral, linda, se transforma em outra visão. E é uma falta de respeito! Se você não sabe o que o candomblé é, está aqui uma oportunidade para você conhecer.”

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No visualizer de “Iroko”, faixa central do álbum, ela aparece despida de adornos, registrando um dia no terreiro. “Dentro da casa de Ilê, a vaidade não existe. Lá, não há brinco, maquiagem. É só você e sua fé. Quis mostrar a importância do respeito ao tempo, à natureza e a tudo que é sagrado”, diz.

Majur para CLAUDIA
Majur para ensaio de capa de CLAUDIA de novembro de 2023 (Camila tuon/CLAUDIA)
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Entre atabaques, clarins e beats eletrônicos, ela convida o público a refletir sobre o que realmente nos une enquanto povo. “Ainda não temos plena liberdade sobre nossa cultura e nossos corpos, e por isso seguimos pautando diversas questões com arte e resistência”, afirma. “Acredito que quando a música brasileira se reconcilia com suas raízes, ela se torna mais plural e mais próxima de quem somos — um país de muitas vozes, muitas cores e muitas histórias.”

Em um tempo em que a fé ainda é motivo de intolerância e o racismo insiste em se disfarçar, Gira Mundo reafirma a força da arte negra como caminho de transformação. “Quis criar um movimento de arte e cultura negra aberto a todos, independentemente de religião ou origem”, resume.

Assista ao videoclipe de Iroko, uma das principais faixas de Gira Mundo:

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