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Atriz Cris Vianna relembra gravação dolorosa em série: “Uma das experiências mais difíceis”

Atriz explora sua trajetória, da representatividade da mulher negra na ficção à busca por papéis que geram impacto e reflexão

Por Ana Luiza Bezerra 3 jul 2026, 13h00
Mulher de pele negra e cabelos longos castanhos claros, vestindo um elegante vestido preto de ombros caídos, posa deitada de lado com a cabeça erguida e o olhar para cima, em um fundo cinza texturizado
“Não existe personagem neutra para mim”, afirma a atriz (Mylena Saza/Divulgação)
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“Os papéis eram muito estereotipados. O racismo imperava de uma forma muito mais evidente. Ele ainda existe, claro, mas hoje conseguimos nos manifestar, ocupar outros espaços e construir outras narrativas. As histórias de mulheres negras estão sendo melhor escritas, melhor distribuídas e com muito mais profundidade”, conta a atriz Cris Vianna, ao refletir sobre a trajetória de sua personagem Maíra, em Arcanjo Renegado.

Na trama, ela ocupa um espaço de poder ainda inédito na vida real: uma mulher negra na presidência da Alerj. “Quando me apresentaram essa personagem, comecei a refletir sobre o lugar que a mulher ainda ocupa na sociedade, essa necessidade constante de provar quem somos, nossos valores e nossa capacidade”, relembra.

Mulher negra de cabelos castanhos longos e ondulados, vestindo um elegante vestido preto tomara que caia com babados, sentada no chão cinza, olhando para o lado direito com expressão séria
Cris Vianna aponta a importância de personagens como Maíra, em “Arcanjo Renegado” (Mylena Saza/Divulgação)

Uma das cenas mais difíceis da carreira

Mas, ao falar sobre o papel que interpreta desde a segunda temporada da série, Cris também ressalta a importância de uma produção que escancara diferentes camadas da violência no estado do Rio de Janeiro. Como exemplo, ela cita uma cena gravada com cinco mães reais que perderam seus filhos para a violência.

“Elas contavam suas próprias histórias para mim, enquanto eu estava em cena como a personagem. Foi uma das experiências mais difíceis da minha carreira. A Maíra se sentia impotente diante daquela dor, porque não existe ação capaz de trazer aqueles filhos de volta. Como atriz, mas principalmente como mulher, foi um aprendizado muito profundo.”

Do drama à comédia

Mas nem só de drama vive a atriz. Nos últimos anos, o público acostumado a vê-la em papéis mais intensos passou a acompanhar uma nova faceta de seu trabalho, dessa vez no terreno da comédia.

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“A Lulu Mancini [da novela Família é Tudo] foi uma personagem muito leve. Durante as gravações, a gente ria o tempo inteiro. Nunca imaginei que pudesse trabalhar me divertindo tanto.”

Agora, ela volta às telas do cinema em Veraneio. A adaptação da peça homônima de Leonardo Cortez utiliza o humor ácido para retratar um reencontro familiar marcado por conflitos, ressentimentos e situações-limite. Ao lado de nomes como Luis Lobianco, Zezé Polessa e Alessandra Negrini, ela dá vida a Andréia.

“Quando li o roteiro, pensei: ‘Meu Deus, como vou fazer essa mulher?’, porque você vive situações extremamente tensas, mas que acabam provocando humor. É um equilíbrio muito delicado. Mas estou muito curiosa para ver como o público vai receber esse filme, porque talvez seja o trabalho mais diferente que já fiz.”

A escolha de contar histórias com propósito

Mulher negra sentada em poltrona de couro, com cabelo longo e ondulado, vestindo casaco preto sobre vestido prateado de franjas, com a mão direita no queixo, unhas longas e brancas, olhar pensativo
Artista escolhe seus atuais trabalhos a partir das vivências como uma mulher negra (Mylena Saza/Divulgação)
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Apesar dos trabalhos mais leves, a neutralidade está longe de ser o que deseja para a própria carreira, principalmente quando se pensa na realidade de mulheres negras. “ Eu sempre vou contar uma história a partir da minha vivência, da minha criação, da minha família e da minha experiência como mulher negra.”

A artista retoma a reflexão ao lembrar de conversas que já teve em mesas de debate com diretores sobre o peso das palavras ditas por atrizes negras. “Uma mesma fala dita por uma atriz branca e por uma atriz negra carrega significados diferentes. O peso muda. A leitura muda. Isso vale para uma vilã, para uma princesa, para qualquer personagem.”

É esse olhar que guia, hoje, a escolha de seus próximos trabalhos. “Quando recebo um convite, a primeira pergunta que faço é: por que devo aceitar esse papel? O que essa personagem comunica?”

Mulher negra com cabelos longos e ondulados, sentada em uma poltrona de couro preta, vestindo um casaco escuro sobre um vestido brilhante com franjas brancas, e sapatos de salto abertos. Ela apoia o cotovelo na perna e a mão no queixo, olhando para o lado, em um estúdio com fundo cinza texturizado
Entre drama e comédia, Cris Vianna escolhe histórias com propósito (Mylena Saza/Divulgação)
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No entanto, ela reconhece que nem sempre, essa liberdade esteve à mesa. Como tantos artistas, também precisou atravessar fases em que a urgência da vida falava mais alto do que qualquer planejamento de carreira. Hoje, celebra a possibilidade de olhar para o trabalho também a partir de seu significado artístico e pessoal.

E, apesar de fazer mistério sobre os próximos projetos, Cris finaliza a entrevista revelando um sonho antigo que ainda deseja realizar: interpretar irmãs gêmeas completamente diferentes uma da outra. “Acho que seria um dos maiores desafios da minha carreira. Tenho certeza de que me entregaria por inteiro para viver essas duas mulheres. Seria maravilhoso.”

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