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Sofia Menegon

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Sofia Menegon é feminista, idealizadora da podcast Louva a Deusa e consultora em relacionamento e sexualidade

Para 2023, eu não desejo amor!

Uma carta aberta a minha eu do próximo ano

Por Sofia Menegon 29 dez 2022, 08h34
liberdade
O que eu quero, na verdade, é que a gente se apaixone por se apaixonar pela gente mesma. (Garon Piceli/Pexels)
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Eu espero te encontrar sorrindo, talvez com as lágrimas acumulando dentro dos olhos, a espera do piscar para que possam escorrer. Se bem me conheço, é provável que sinta uma pontinha de timidez ao ler essa carta que escreveu em um passado não tão distante. Não sei bem. Mas essa é uma carta aberta a minha eu do próximo ano. E, se a gente aprendeu alguma coisa em 2022, é que a vida é imprevisível. 

Há um ano, estava casada com seu melhor amigo e se dizia uma senhora de 28 anos. Uma frase ageísta, proclamada por uma mulher em permanente desconstrução. A gente se contentava com o que tinha, se dizia cansada demais para querer coisas novas e achava que o tempo tardava a passar. Hoje a gente tem pressa para viver.

Mas essa não é uma carta sobre como chegamos aqui. É uma carta de desejos. E eu desejo uma imensidão de coisas para mim. Não é fácil desejar para si, mas é libertador. Então, eu desejo sim. Desejo que esteja nua. Nua de corpo e alma. Nua sem medo de ser tudo que é. Ambicioso demais para os trinta, ouvi dizer. Mas a gente nunca teve medo de sonhar grande.

Eu não desejo amor. Isso a gente já tem aqui dentro para distribuir. Eu desejo que você se deixe afetar, se deixe atravessar, inundar. Desejo que você conheça gente que gosta de gente e gosta de si. Gente que diga mais não do que sim, mas diga sim sempre que tiver vontade. Gente que respeite a si, porque quem sabe respeitar profundamente a si mesmo, respeita também o outro. Que possamos entrelaçar-nos em outros alguéns, desentrelaçarmos e nos confundirmos nessa dança.

E eu quero tanto que a gente se apaixone. Se apaixone pelo café servido quentinho na loja do lado. Se apaixone pelo lençol cheirando a amaciante. Se apaixone pela mesma música todos os dias. Perceba que o que eu quero, na verdade, é que a gente se apaixone por se apaixonar pela gente mesma. E aí, então, se apaixone por outras pessoas também apaixonadas.

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Eu desejo também transas sem pressa e sem hora para acabar. Aquelas transas que começam de manhã, pausam para o café, voltam depois e seguem assim até o fim do dia. Que a gente goze da companhia de outros corpos sem precisar se esconder. Que a gente ouse transbordar da nossa sensualidade, da nossa vontade, do nosso prazer.

Espero, meu bem, que a gente aprenda a receber carinho e dinheiro. Porque com um a gente se abastece de acalento e com o outro de possibilidades. Que a gente não tenha medo de desejar poder. Eu desejo que sejamos petulantes, desobedientes e afrontosas. Porque tudo isso é sinônimo de coragem e quem tem coragem realiza. 

Que em 2023 sejamos grandes realizadoras. Realizadoras de coisas extraordinárias, palpáveis e materiais. Realizadoras dos nossos pequenos processos também. E mais que realizadoras, que a gente aprenda a louvar as nossas conquistas. Que a gente vista a nossa camisa, pinte a cara e saia por aí gritando que somos campeãs.

Ah, eu quero mesmo é viver o que há para viver. Talvez me arrepender depois. Mas viver aceitando os riscos de ser feliz. É isso que eu desejo para mim e para vocês.

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