Crescer também é abrir mão: lições de uma mulher, mãe e empreendedora
Em nova coluna, Mari Maria conta como aprendeu a trocar a busca pela perfeição por presença, autenticidade e equilíbrio
Ao longo da minha trajetória, aprendi muito, mas, hoje, percebo que crescer também exigiu desapegar… Desapegar de ideias que eu mesma alimentei sobre sucesso, perfeição e sobre quem eu achava que precisava ser para dar conta de tudo.
Por muito tempo, acreditei que ser forte significava não falhar, não cansar, não pedir ajuda. Que uma mulher bem-sucedida precisava provar o tempo todo que conseguia equilibrar carreira, casamento, maternidade, autocuidado e ainda sorrir no final do dia.
A maternidade me mostrou, com delicadeza e firmeza, que essa conta não fecha. E que tudo bem.
Eu precisei me desapegar da ideia de perfeição para entender que presença vale mais do que desempenho.
Ser mãe mudou minhas prioridades, mas também me ensinou sobre limites, algo que eu quase não conhecia. Mesmo possuindo uma rede de apoio, precisei encarar escolhas. Abrir mão de reuniões, de oportunidades de trabalho, para estar ali, inteira, com meus filhos.
Entendi que sucesso nenhum compensa a ausência emocional e que presença por inteiro exige renúncia e exercício diário para que de fato possamos estar lá.
No lado profissional, esse processo de amadurecimento emocional impactou diretamente minhas decisões como empreendedora e líder. Aprendi a delegar, a confiar mais nas pessoas e menos na urgência.
Desapegar de centralizar tudo foi fundamental para que meus negócios crescessem de forma saudável e para que eu também crescesse junto com eles.
Liderar não é controlar, é sustentar valores mesmo quando o caminho muda. Outro grande desapegar foi entender que crescer como marca não significa perder autenticidade. Houve momentos em que senti a pressão de corresponder a expectativas externas, de “performar” uma versão inautêntica de mim.
Mas o tempo me mostrou que o que realmente conecta é a verdade. Continuar sendo eu com minhas vulnerabilidades, dúvidas e aprendizados se tornou um valor inegociável.
Se eu pudesse falar algo para a Mari do início da carreira, eu diria: você não precisa se provar o tempo todo. Confie mais no processo, respeite seus ciclos e entenda que sucesso também é saber parar, recalcular e recomeçar. Não tenha medo de mudar de ideia, isso não é fraqueza, é evolução.
Hoje, eu entendo que crescer não foi apenas acumular conquistas, mas ter coragem de rever caminhos, soltar pesos e aceitar quem eu me tornei ao longo deles.
Desapegar me ensinou a ser mais honesta comigo mesma, mais presente com quem importa e mais fiel aos meus valores.
Como mulher, esposa, mãe e empreendedora, sigo em construção, não buscando perfeição, mas verdade. E, se eu puder deixar um conselho, é este: está tudo bem não dar conta de tudo. Está tudo bem quando as prioridades mudam de prateleira, quando o que antes era urgente passa a ser essencial, e o essencial pede tempo, presença e cuidado.
Não precisamos de auto cobranças extremas todos os dias.Fazer o nosso melhor, dentro do que é possível hoje, também é uma forma de fazer dar certo.
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