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Crônicas de Mãe

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Por Ana Carolina Coelho. Feminista, mãe, escritora, poeta, dançarina, plantadora de árvores, pesquisadora e professora universitária

Um ano novo de “Amaternar” coletivo

Amar é ato contínuo e, portanto, ação e trabalho. Tudo na vida é trabalho e sentimentos só têm força se forem verbos, ou seja, onde há a prática do amar

Por Ana Carolina Coelho 10 jan 2021, 12h00 | Atualizado em 10 jan 2021, 12h00
uma mulher branca de cabelos castanhos compridos segura o rosto de uma criança pequena, branca e com um rabo de cavalo castanho. Ela parece estar confortando a criança
 (Foto/Getty Images)
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Muito se falou sobre o ano novo: resoluções, promessas, esperanças, se devemos comemorar ou não, sobre a vida e a ideia de renovação que surge em todo final de ciclo coletivo. A palavra “amor” apareceu em muitas mensagens. Eu, como mãe, preciso afirmar algo importante, inclusive para o maternar: amor não é o suficiente.

Vejo muitas pessoas que se amam e, mesmo assim, em função de suas dores e mágoas, são incapazes de exercer seus amores. Amar é ato contínuo e, portanto, ação e trabalho. Tudo na vida é trabalho e sentimentos só têm força se forem verbos, ou seja, onde há a prática do amar.

Amar é louça lavada, arroz feito e cheiro de sabonete na pele banhada. É o livro “do jacaré” lido 78 vezes em dia de chuva e ensinar 783 vezes que se deve mastigar antes de falar e que “precisa sim” calçar os chinelos para não se resfriar. Ama-se muito mais escovando os cabelos de uma criança e inventando penteados, que apenas dizendo “eu te amo”.

Dizer é importante porque há o ato da fala e o ato da escuta, mas dizer sem agir se esvazia no instante em que a frase acaba. A ação de amar é como um balão sem medidas de carinho dentro da gente: cabe quanto mais fazemos e sentimos.

“Vivemos momentos históricos”, foi uma das frases mais exaustivas do ano passado. Houve uma verdadeira corrida para compreender o passado numa tentativa de dar sentido ao presente. O problema é que existe uma grande diferença entre ler e viver.

Ler sobre história é simples porque, por mais trágico e terrível que sejam os acontecimentos, já sabemos como “a história acaba” e a conhecimento do final traz alívio ao fardo da narrativa, por mais desaventurados que sejam os eventos.

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Acontece que viver é justamente uma aposta cujas alternativas são acertar ou errar. E mães aprendem, dolorosamente, que nunca podem escapar desse jogo. A única garantia na vida de uma mãe é a certeza de errar, mesmo com todos os esforços para fazer “tudo certo”. Nas broncas e nos afagos, há uma mãe e seu amor. Somos tecelãs da alma e amar é bordado de renda fina, trabalhado na criatividade, bondade, solidariedade e na oração ativa do ato de “esperançar”. 

Crianças são grandes incentivadoras do exercício da coragem e da resiliência. Se “a verdadeira prova do pudim é comê-lo”, como diz meu pai com alguma frequência, a prova do amar aparece nos feitos de nossas crianças, ao regarem uma planta sozinhas ou conseguirem se vestir sem pedir ajuda.

O ano novo na vida das mães acontece todos os dias. E sempre que achamos que entendemos o que fazer, a idade mudou, a criança cresceu, os desafios, as comemorações e as resoluções se renovam.  Amar é ato que cansa e transborda. Maternar é um ato político de amar e cuidar sem escalas ou reconhecimento. Toda mãe sabe viver crises e pequenos réveillons dentro de casa.

O trabalho doméstico e o ato de cuidar foram temas de extensos debates no ano de 2020. O ano que ainda não acabou, em termos de crise histórica, é um corte profundo no fio do amanhã. Não sobra mais muito espaço para adiar sonhos e projetos e as mães ganharam espaço público para falarem de seus cansaços, de seus sonhos e mostrarem sua importância e força social.

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Viver e falar da relevância das tessituras do cotidiano tornaram-se pautas políticas urgentes, porque ficou evidente que “o privado é político”, e precisamos discutir todas as demandas das relações entre as pessoas para entender os poderes, as desigualdades e as formas de (des)afetos. 

Vivemos ainda em tempos de muitas incertezas e, se há algo que se pôde aprender com uma mãe, é que as crises maternas existem, mas são vividas no movimento de amar, entre uma lista de compras e a organização do jantar. A contemplação de nossas dores dura alguns segundos durante o esquentar “o feijão no fogão”.

Naqueles instantes, com uma colher nas mãos e com uma trilha sonora infantil constante, sofremos, lamentamos e seguimos. Seria fantástico um ano realmente novo em que os verbos “amar” e “maternar” se fundissem e nascesse, afinal, o “Amaternar”. 

Um ano realmente novo para as mães seria ouvir de toda a sociedade: vocês precisam e merecem ser cuidadas igualmente! Seria maravilhoso poder deixar essa “colher” nas mãos de alguém de vez em quando e nem precisarmos pensar no jantar, às vezes. E, principalmente, que pudéssemos sonhar e ter projetos próprios sem medo de julgamentos alheios, com suporte social adequado para prosseguirmos de maneira plena.

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Se há algo que a pandemia escancarou é que cuidado, colo e carinho são trabalhos diários, políticos e sociais. Mães escolhem “Amaternar” todos os dias, mesmo quando sobrecarregadas, feridas e extenuadas. Exercer o ato de respeitar todas as escolhas feitas pelas mulheres é revolucionário e inédito na História da Humanidade.

Se há algo que pode ser realmente diferente e melhor, nesses capítulos históricos de um ciclo verdadeiramente novo, é estender às mães a empatia de um “Amaternar” coletivo. Dias mulheres virão!  

Vamos conversar?

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