Mulher X: por que a vida depois dos 40 pode ser o começo do auge
Um estudo revela como mulheres de 44 a 59 anos estão redefinindo a maturidade, o dinheiro e os planos para o futuro — fase batizada de Primavera X
Fui a um café da manhã para participar de um chá revelação. Não era de bebê. Era o meu. Aos 45 anos recém-completados, descobri, durante a apresentação de um estudo antropológico conduzido pela Consumoteca em parceria com Thais Farage, que eu era uma Mulher X. E não estava sozinha, fazia parte da chamada Primavera X, título do estudo e nome dado à fase em que a maturidade deixa de ser associada ao início do declínio para ocupar o lugar do auge da vida.
Demorei alguns minutos para entender quando essa mudança tinha acontecido. Cresci ouvindo que, depois dos 40 e perto dos 50, as mulheres começavam a desaparecer das campanhas publicitárias e das conversas sobre o futuro. Envelhecer era sinônimo de perder espaço. Agora, de repente, descubro que pertenço justamente ao grupo que o mercado mais quer compreender.
A antropóloga explicava que 71% dessas mulheres estão satisfeitas com a própria autoestima intelectual; que 55% decidiram olhar mais para si mesmas; e que 90%, o maior índice da pesquisa, sentem-se seguras para tomar decisões financeiras sozinhas. As financeiramente independentes, vale destacar, relatam níveis mais altos de felicidade. Enquanto anotava esses números, tive uma estranha sensação de pertencimento. Aquela mulher descrita nos gráficos projetados na tela parecia familiar.
Meu grupo entrou, em 2025, na liderança do consumo global. As mulheres da Geração X, entre 44 e 59 anos, assumiram um protagonismo que antes era atribuído aos boomers (60 a 78 anos). No Brasil, somos 22,8 milhões de mulheres, o equivalente a 14% da população adulta, influenciando de 70% a 80% das decisões de compra das famílias.
Segundo o estudo, 58% dessas mulheres acreditam que a fase mais sobrecarregada da vida já passou. Entre os principais interesses da Mulher X aparecem viagens, atualidades, espiritualidade, autocuidado e, jogando um holofote sobre o tema que me acompanha há anos, organização financeira e finanças de uma forma geral. Só depois vêm relacionamentos, filhos adolescentes e o cuidado com pais idosos. A pesquisa mostra um movimento discreto, mas profundo: cuidar de si deixou de ser um luxo para ocupar espaço entre as prioridades.
Outro dado chamou minha atenção: 98% das entrevistadas estão trabalhando alguma meta para os próximos anos. Dinheiro vai além da proteção contra imprevistos e passou a ser ferramenta para ampliar escolhas. Investir, diversificar patrimônio, planejar a aposentadoria, organizar a sucessão dos bens ou decidir como e onde viver bem os próximos vinte ou trinta anos entram na mesma conversa. Quem passou décadas construindo carreira e acumulando ganhos começa a fazer uma pergunta diferente: como fazer esse patrimônio trabalhar a favor da vida que ainda se quer viver?
Saí daquele café pensando na ironia da descoberta do meu próprio chá revelação: entrei na idade em que o mundo finalmente começa a notar o poder de uma mulher, justamente quando ela já deixou de precisar tanto da aprovação dele.
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