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De mãe solo a CEO: a história da brasileira que largou tudo para criar negócio de sucesso

Aos 38 anos, ela é uma das fundadoras da empresa criada para potencializar e aumentar a participação de mulheres em cargos de liderança

Por Carol Castro 4 jun 2026, 17h00 | Atualizado em 23 jun 2026, 16h10
Mulher de cabelos escuros e lisos, com maquiagem nos olhos e batom, usa brincos pretos e anéis, um com pedra verde e outro com pedra clara, mãos entrelaçadas, sobre fundo escuro
Conheça a trajetória de Dhafyni, que fundou a TODAS para fortalecer a liderança feminina (Julia Pavin/Divulgação)
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Dhafyni cresceu cercada por mulheres. Foi cuidada pela mãe, pela avó, pela tia, por uma vizinha. Aprendeu a importância de mulheres reunidas, em comunidades potentes. Cresceu vendo “mulheres como uma fortaleza”.

“Não romantizo nada do que essas mulheres passaram. Elas estavam muito sozinhas. Construíram essa comunidade de mulheres que se ajudavam sempre. Eram fortalezas”, diz Dhafyni. “De novo: sem romantizar, mas a realidade, para mim, é que mulheres são fortes, potentes e resolutivas. A união entre elas realmente traz grandes transformações.”

Mulher de pele clara, cabelos escuros e olhos castanhos, vestindo uma blusa cinza com gola alta e um laço frontal, e brincos dourados longos em formato de triângulos, olhando diretamente para a câmera com uma expressão séria
Dhafyni fundou a Todas com a missão de ampliar a presença de mulheres em cargos de liderança e transformar a realidade do mercado de trabalho feminino (Julia Pavin/Divulgação)

Transformação mesmo foi aos 19 anos, quando engravidou de seu filho. E lá estava ela, mais uma vez, encontrando um lugar tão comum às mulheres – e que havia vivenciado na infância e adolescência, na comunidade onde cresceu. “Descobri muito cedo as mil funções, as mil demandas, os mil questionamentos que são feitos para nós mulheres.” 

No ímpeto de criar o filho, teria topado qualquer emprego. Mas deparou-se logo com uma área que mudaria sua vida: a comunicação. Trabalhou como repórter, editora, roteirista, apresentadora. Sempre com interesse em um público: o feminino

Na comunicação, ficava atrás de entender, principalmente, como outras mulheres lidavam com as coisas que eu vivia, porque eu sabia que eu não era única. Isso era em outra época, já faz mais de 10 anos”, relembra.

Então, quando tinha autonomia, sempre fazia entrevistas com mulheres, roteiros com mulheres, as protagonistas eram sempre mulheres. Comecei a me destacar nesse lugar, que era sempre voltado para carreiras femininas – desde programa na TV, programa na rádio, matérias.”

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Dhafyni não parou na comunicação tradicional. Com um olhar estratégico para o mercado, migrou para o branding, ajudando marcas de setores majoritariamente masculinos, como o de cerveja e automóveis, a estabelecerem um diálogo real com o público feminino. 

“Hoje eu posso contar uma história bonita, mas a verdade é que eu estava indo para o que acreditava enquanto lidava com os desafios de ser mãe solo e pagar as contas”, revela. 

O estalo na pandemia: das conversas na cozinha aos encontros no Zoom

Mulher de cabelos escuros e longos, vestindo blusa preta de gola alta e calça preta, sentada de lado em uma cadeira cromada. Ela apoia o queixo na mão direita, sorrindo levemente, com um anel no dedo anelar. Seus pés calçam sapatos pretos de salto alto, e uma tatuagem de coração é visível no tornozelo esquerdo. O fundo é branco e liso
A trajetória de Dhafyni é marcada por mais de 15 anos trabalhando com comunicação, desenvolvimento profissional e projetos voltados para mulheres (Julia Pavin/Divulgação)

Quando a pandemia obrigou o mundo a se recolher, Dhafyni, quase por acaso, se expandiu. Naquela época, ela liderava um grupo de 10 mil mulheres, espalhadas por sete países, em uma empresa global de cosméticos e suplementos.

O medo e a ameaça real do coronavírus fez Dhafyni desejar mudar o mundo. Ou ao menos torná-lo um pouquinho melhor. 

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“Enquanto o mundo estava assistindo lives, eu estava marcando Zoom com algumas mulheres. Eu queria ouvir como você está fazendo, como está lidando com isso tudo. Nós fomos colocadas a ser tanto, todas as coisas ao mesmo tempo”, diz.

“Em casa, além do trabalho, eu era a professora do meu filho, limpava e gerenciava a casa, fazia comida. Foi uma loucura! E eu só me perguntava: como outras mulheres estão fazendo isso tudo?”.

O encontro com Tati Sadala

Movida pela curiosidade, Dhafyni perguntava às amigas se tinham “alguma mulher inspiradora” para apresentar a ela. Foi numa dessas que conheceu Tati Sadala, que trabalhava com vendas em multinacionais. As duas se empolgaram com a ideia de reunir virtualmente grandes lideranças femininas para trocar experiências.

“A gente combinou de fazer encontros por Zoom todas as quartas-feiras. Chamava uma grande líder para falar o que ela estava vendo e fazendo, no que acreditava, o que ela estava fazendo. Era um espaço bem fechado, com exclusividade. Era gratuito, mas as mulheres precisavam se inscrever e assinar um termo de confidencialidade. Tipo, o que acontece em Vegas, fica em Vegas”, brinca. 

De um encontro ao outro, o negócio cresceu. Em apenas um mês, mais de 5 mil mulheres haviam se inscrito. “Ali eu tive consciência do tamanho do problema”, conta.

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O salto de fé: demissão e o nascimento da TODAS

Mulher de cabelos castanhos longos, óculos e blazer rosa-claro sobre blusa preta, sorri levemente, braços cruzados, encostada a uma cortina bege ao lado de uma janela com vista para a cidade
Hoje, a Todas atende grandes empresas e desenvolve programas voltados para acelerar a carreira de mulheres em diferentes estágios profissionais (Julia Pavin/Divulgação)

Os singelos encontros via Zoom se transformaram num grande negócio. Mas Dhafyni e Tati só se deram conta disso quando uma líder de uma multinacional as procurou. A performance das funcionárias  que frequentavam as mentorias havia melhorado.

Ela, então, decidiu comprar o acesso para todo o time feminino da companhia. Sem garantias de remuneração imediata, Dhafyni e sua sócia pediram demissão de seus cargos executivos para apostar tudo no projeto.

“E foi assim que a Todas virou uma empresa, a gente topou o desafio sem ter nem CNPJ ainda. Eu e minha sócia pedimos demissão para apostar 100% na empresa. Me organizei financeiramente para esse período. Sempre tive uma vida muito sem garantias, sempre muito sozinha, muito no meu esforço. Então não tenho medo da instabilidade. Eu sei que eu dou um jeito.”

Elas pesquisaram, por cinco meses, quem eram as 40 maiores líderes da América Latina. E mapearam as 16 habilidades que todas elas tinham. “Encontramos habilidades e desenvolvemos uma metodologia com nosso time de especialistas, com neurocientistas, e grandes mulheres do mercado, que podem falar da dor daquela posição e como chegaram até ali.” 

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Provocando a Faria Lima: liderança feminina é estratégia de negócio

E para quem ainda trata a liderança feminina como um tema menor, Dhafyni provoca com o bolso. Uma das campanhas de maior repercussão da Todas foi a Equilucro, que espalhou cartazes pela Faria Lima detalhando quanto dinheiro empresas de diversos setores estavam perdendo por não terem mulheres no topo.

Baseada em dados do Fórum Econômico Mundial, a calculadora mostrava que a rentabilidade pode ser até 20% maior com elas no comando. “Liderança feminina não é um assunto da moda, é assunto estratégico de negócio”.

Desde então, a Todas já impactou mais de 30 mil mulheres em cinco países latinos. E tudo com base em dados e pesquisas. “A gente tem essa base de dados muito grande para mostrar como as mulheres são potentes, melhoram o ambiente e os resultados. Usamos essas pesquisas para abrir conversas”, conta.

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