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Em busca do cacho perfeito

Bruna Bittencourt, editora de beleza de CLAUDIA, fala da delícia de assumir o cabelo cacheado

Por Bruna Bittencourt 17 ago 2015, 10h13 | Atualizado em 16 mar 2023, 16h43
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Sou cacheada desde que me conheço por gente. Passei minha infância e adolescência inteiras ouvindo piadinhas e apelidos de mal gosto –  até chegar à idade adulta e começar a receber elogios pelos cachos. Mas uma coisa que sempre me disseram (e de algum modo sempre me incomodou) é que ter cachos “dá trabalho”. Para mim, não é bem assim. “Dar trabalho” me remete a algo desgastante, penoso, chato. No fundo, é como se me dissessem: “Ter cachos dá tanto trabalho…melhor não ter”. Numa sociedade que cultua o cabelo liso como símbolo de elegância e status (sim, ser lisa também é uma questão social) isso pode até fazer sentido.

Mas (ainda bem, aleluia!), esse tipo de comentário tem sido cada vez mais raro. Finalmente estamos assumindo que sim, somos cacheadas. E com muito orgulho. Prova disso é que já existem cursos para quem quer melhorar o trato com os fios encaracolados. O “Tudo Sobre Cachos”, oferecido pela Escola Madre, em São Paulo, e criado pelo cabeleireiro Wilson Eliodório, expert em cabelo cacheado, e a editora de beleza Maria Cecília Prado, dona de um cabelão cacheado de dar inveja, tem esse objetivo. “Ensinamos coisas aparentemente básicas, como dicas na hora de lavar, como hidratar os fios, os penteados bons para esse tipo de cabelo, a melhor forma de finalizar…”, conta Wilson. “Espero que nossas alunas saiam de lá se sentindo seguras, autoconfiantes. Queremos dar instrumentos para que elas tenham uma relação feliz com o cabelo”, completa Maria Cecília. É engraçado pensar que precisamos de um curso para aprender a lidar com o nosso próprio cabelo, com a nossa própria história. Porém, a cada vez que vou a algum salão (e, como editora de beleza, vou a muitos bons salões) fico surpresa em constatar como os cabeleireiros praticamente entram em pânico quando veem uma cacheada na cadeira.

Definitivamente, eles também precisam de cursos. Ignorando o formato das nossas mechas, lavam, penteiam e enxugam os cachos do mesmo jeito que fazem com qualquer outro cabelo. Sem contar, claro, a famosa frase que finaliza o atendimento: “Não vai escovar hoje?”. Não, amigo, não vou. Acho que toda mulher cacheada tem um quê de cabeleireira e sabe a melhor forma de ajeitar seu próprio cabelo. Para quem ainda não descobriu esse próprio dom, aí vão algumas dicas do que, para mim, funciona:

– Usar só produtos específicos para cabelos cacheados (isso inclui a linha completa: xampu, condicionador, máscara e creme para pentear).

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– Pentear o cabelo apenas no banho. E pouco, só para desfazer os nós.

– Secar os fios com a toalha sem esfregar demais –  isso, além de embaraçar as mechas, ainda faz com que surja o frizz. Enxugue apenas pressionando de leve a toalha sobre o cabelo, retirando a umidade.

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– Aplicar o finalizador com os fios ainda bastante úmidos (para mim, quando os fios secam um pouquinho, o creme já não age direito)

– Testar, testar e testar diferentes produtos, até encontrar aquele que melhor se adequa ao efeito que você gosta (para mim, por exemplo, musses não funcionam, pois definem pouco meus cachos).

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–  Passar mais produto nas pontas e menos na raiz (para que ela não fique sem volume). Para isso, vire a cabeça para baixo e aplique o produto amassando os fios.

– Redefinir os cachos do dia seguinte aplicando só mais um pouquinho de produto (cerca de metade do que uso normalmente) nos fios secos.

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