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Um presente de grego no Natal: a história da Camila

Nem todo Natal termina com fitas vermelhas embaixo da árvore e panetones compartilhados em família. A mentira de Camila* virou uma confusão nada romântica

Por Em depoimento a Naiara Taborda 9 dez 2022, 08h40 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h17
papo aberto de natal
O date deu errado e foi longe de ser romântico, mas renderia uma boa comédia de cinema.  (CLAUDIA/Getty Images)
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“Minha família sempre teve o costume de passar o Natal na praia, mas, há alguns anos, resolvi que queria fazer diferente por causa de um ficante que esperava evoluir para um namoro mais sério. Ele me convidou para a festa da família dele, que era grande e reunia vários amigos — uma comemoração com cara de festão mesmo. Eu ainda morava com meus pais, então achei melhor esconder o motivo para não descer para o litoral: resolvi dizer que precisaria trabalhar, e a desculpa colou.

Família na praia, look decidido e lá fui eu para a tal festa do ficante. No começo, tudo certo: me dei bem com os parentes dele, comi e me diverti. Mas dei aquela escorregadinha no álcool, típica de quem está um pouco no clima de festa, um pouco no nervosismo de ‘será que isso vai virar algo a mais?’.

No decorrer, um amigo do meu ficante começou a dar em cima de mim e eu dei um fora nele. Pronto, começou a confusão: era aquele típico boy lixo, que, depois de receber um não, começa a dizer que você não é tudo aquilo, que se acha demais e outras frases nesta linha. Não deu outra, meu ficante e ele emplacaram uma briga e o caos se instaurou no evento (não tão) familiar. Enquanto eles saíam na mão, eu ouvi um chamado da natureza. Corri para o banheiro!

Na sa la, a família tentava separar o quebra-pau e expulsava o garoto, enquanto, no banheiro, eu parecia vomitar até as tripas. Quando achei que tinha acabado, veio o ‘piriri’. Alguma coisa naquela mistura de comidas natalinas e muita cachaça não caiu bem, e eu fiquei noite adentro no vaso, sem nem saber o que se passava do lado de fora.

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Saí de lá quase de manhã, morrendo de vergonha. Quando todos acordaram, fiquei sabendo da confusão e, claro, descobri que todos sabiam da minha madrugada. O ficante me disse que estava chateado porque pretendia me pedir em namoro, mas tudo deu errado. Constrangi – da, nem consegui ficar feliz com o fato de pelo menos saber que ele queria o mesmo que eu. Peguei as minhas coisas apressada e sumi dali. Quando cheguei em casa, a cereja do bolo (ou seria panetone?): chateados por me deixarem sozinha e trabalhando no Natal, meus familiares terminaram a ceia e subiram para São Paulo para me surpreender — só para descobrirem a minha ‘pequena’ mentira. Mais um climão.

No fim, nada deu certo: a vergonha fez a relação ir pelo ralo, e ainda tive que lidar com as cutucadas da família por um bom tempo. Mas, pelo menos, a comida estava ótima. Afinal, quem não gosta de uma boa ceia, não é mesmo?”

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*Os nomes foram alterados para garantir o anonimato dos participantes. Para contar sua história, escreva para papoaberto@abril.com.br.

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