Sexo anal causa hemorroidas? Veja os 8 maiores mitos
Sexo anal alarga o ânus? É verdade que não é possível chegar ao orgasmo com ele? Entenda esses e outros mitos
Você certamente já ouviu muitos mitos sobre sexo anal. Muitas pessoas acreditam, por exemplo, que a prática pode provocar o alargamento do ânus. Outros pensam que realizar a chuca (higienização da área) é uma medida obrigatória. Alguns questionam até mesmo a possibilidade de chegar ao orgasmo através desse estímulo. Será que existe alguma verdade nessas afirmações?
A seguir, as especialistas Claudia Petry, pedagoga com especialização em Sexologia Clínica, e Luana Lumertz, sexóloga, revelam quais são os maiores mitos acerca do sexo anal. Confira:
1. Sexo anal alarga o ânus
Segundo Claudia, o ânus, assim como a vagina, são órgãos elásticos. Sendo assim, eles se dilatam apenas no momento da relação sexual, voltando ao tamanho e formato original posteriormente.
2. Sexo anal causa hemorroidas
Claudia Petry explica que as hemorroidas são veias inchadas e inflamadas localizadas na região do ânus ou do reto. “Elas podem ser internas, quando estão localizadas dentro do ânus, ou externas, quando estão fora do ânus”, diz.
Mas e aí, o sexo anal provoca ou não hemorroidas? De acordo com Luana Lumertz, a resposta é negativa. “Existem outras causas mais comuns, e por isso é muito importante consultar um proctologista. A condição em si não pode estar única e exclusivamente associada ao sexo anal”, pontua.
O único ponto de atenção, segundo Luana, diz respeito às pessoas que já possuem hemorroidas ou têm predisposição. “Nestes casos, é imprescindível ter a liberação do proctologista para saber se é possível realizar a prática ou não.”
“A prática inadequada ou vigorosa, a falta de lubrificação e a ausência de relaxamento do ânus podem aumentar o risco de desenvolver hemorroidas. Além disso, a fricção excessiva ou o uso de objetos pontiagudos pode contribuir para a irritação e lesões nos tecidos retais”, ressalta Claudia.
3. Sexo anal prejudica o intestino
De acordo com Claudia, o sexo anal em si não prejudica o funcionamento normal do intestino. No entanto, algumas práticas inadequadas ou excessivas podem causar desconforto ou lesões que podem afetar temporariamente o seu funcionamento.
“O ânus e o reto são áreas sensíveis e delicadas do corpo, e o sexo anal requer cuidados especiais para ser praticado de forma segura e prazerosa. Se a penetração for forçada ou muito intensa, pode ocorrer irritação, lesões ou até mesmo a ruptura da parede do reto. Isso pode resultar em dor, sangramento, infecções ou problemas intestinais temporários”, afirma a especialista.
4. Sexo anal sempre dói
Luana Lumertz afirma que é possível sim realizar o sexo anal sem sentir dor. Para isso, basta trabalhar a questão da excitação e do relaxamento.
“O melhor caminho é utilizar bons lubrificantes, já que o ânus não tem lubrificação própria. Também podemos desenvolver o relaxamento utilizando os dedos ou até mesmo um plug anal para ir acostumando e dilatando a região aos poucos”, explica.
Em alguns casos, o uso de um dessensibilizante pode ajudar por proporcionar uma leve redução do desconforto. Contudo, é extremamente essencial aprender a relaxar e lubrificar o ânus da forma correta para conseguir praticar de forma segura.
“Ficamos tão tensos que podemos acabar gerando uma microfissura ou tensão muscular, que traz justamente essa sensação desconfortável”, afirma Luana.
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5. Alternar entre a penetração anal e vaginal
Mesmo que você esteja usando preservativo, é necessário trocá-lo caso vá alternar entre a penetração anal e vaginal. Se não puder trocar, jamais alterne entre as duas regiões durante a mesma relação sexual.
“Alternar entre o sexo anal e vaginal pode apresentar riscos, como o aumento da chance de infecções e lesões”, diz Claudia.
Petry esclarece que a introdução de bactérias do ânus na vagina durante o sexo anal pode acarretar infecções do trato urinário e infecções por fungos.
6. Fazer a chuca é obrigatório
Tal pensamento está completamente equivocado. Segundo Claudia Petry, a prática de fazer a chuca antes do sexo anal é uma escolha pessoal e cada pessoa pode ter suas preferências.
A pedagoga com especialização em sexologia clínica afirma que, embora possa ajudar a reduzir a presença de fezes no canal anal, a ducha não é uma forma eficaz de eliminar todas as bactérias ou evitar completamente o risco de infecções.
Além disso, a ducha anal pode ter seus próprios riscos. “O uso excessivo ou incorreto da ducha, como a utilização de água com temperatura muito alta ou a inserção de objetos não adequados, pode causar danos à mucosa anal e aumentar o risco de infecções”, alerta.
Todavia, a especialista sabe que, para muitos, a chuca é uma possibilidade de estar mais relaxada para a prática. Nestes casos, faça, mas não se esqueça de usar os recursos corretos: “Dê preferência para duchas higiênicas descartáveis”, recomenda.
7. Não é possível ter orgasmo com sexo anal
É extremamente possível chegar ao orgasmo apenas com o sexo anal. De acordo com Luana Lumertz, se estivermos falando de uma pessoa com próstata, há a parte da estimulação da glândula que é muito potente e pode levar facilmente ao “orgasmo prostático” (orgasmo pela próstata).
Já em pessoas com clitóris, muitas vezes, as terminações nervosas do órgão vão mais em direção ao ânus. “Então sim, é muito prazeroso tanto pelo estímulo psicológico de ser algo diferente e inovador, quanto pelo estímulo interno no clitóris”, afirma.
8. É normal sangrar?
Apesar de ser comum, não é normal ter sangramentos durante o sexo anal. Para Claudia, o sangramento durante essa prática geralmente indica algum tipo de lesão ou trauma na região anal.
“Uma das causas mais comuns é a falta de lubrificação adequada. Isso causa atrito excessivo e lesões na região. Além disso, movimentos bruscos, penetração muito intensa ou uso de objetos inadequados também podem levar a lesões e sangramentos”, diz.
Outra causa possível, segundo Claudia Petry, é a presença de hemorroidas. “Além disso, pequenas rachaduras na pele da região anal, conhecidas como fissuras anais, podem ocorrer devido ao trauma ou esforço excessivo durante a atividade sexual”, conclui.
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