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6 fantasias que não deveriam sequer existir no Carnaval 2019

Que tal aproveitar o Carnaval com consciência, sem ofender ninguém com a fantasia escolhida para os bloquinhos?

Por Alice Arnoldi
27 fev 2019, 18h56 • Atualizado em 15 jan 2020, 23h22
BELO HORIZONTE, BRAZIL - FEBRUARY 25: More than 150,000 revellers gather around at the Station Square on Guaicurus street to participate in the parade of the block on February 25, 2017 in Belo Horizonte, Brazil. PHOTOGRAPH BY Rodney Costa / Barcroft Images London-T:+44 207 033 1031 E:hello@barcroftmedia.com - New York-T:+1 212 796 2458 E:hello@barcroftusa.com - New Delhi-T:+91 11 4053 2429 E:hello@barcroftindia.com www.barcroftimages.com (Photo credit should read Rodney Costa / Barcroft Images / Barcroft Media via Getty Images) (Barcroft Media / Contributor/Getty Images)
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  • Aproveitar o Carnaval para curtir os bloquinhos de rua, com músicas divertidas e amigos próximos, é realmente uma delícia. O que não é legal e já está totalmente fora de moda é não ter consciência na hora de escolher a fantasia.

    Diferente do que muitas pessoas pensam, não é engraçado quando uma roupa traz um sentido pejorativo sobre alguma raça ou cultura, e reflete um preconceito que é estrutural na sociedade. Se tem alguém que possa se sentir ofendido, então este look não tem graça, amiga.

    Por isso, separamos seis fantasias que precisam ser deixadas de lado, pois trazem problemáticas. Confira:

    1. Nega Maluca (Blackface)

    Mesmo que a fantasia de “Nega Maluca” seja antiga e tenha até mesmo uma música sobre ela – do grupo de axé ‘As Meninas’ –, nada disso faz com que ela deixe de ser um símbolo de racismo.

    https://www.instagram.com/p/BtlhiBXgPc4/

    Ainda que muitos pensem que a personagem é uma homenagem à cultura negra, é preciso lembrar que quem costuma usar a fantasia é uma pessoa branca, que pinta o rosto com tinta escura. Isso já é problemático por si só, pois remete ao período em que caucasianos se caracterizavam de negros para entreter os aristocratas – majoritariamente brancos também.

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    Além disso, esse entretenimento não era feito de forma respeitosa, já que transformava a mulher e o homem negro em uma piada, com estereótipos reforçados, como o corpo exuberante, pouca roupa e cabelo bagunçado. Nada engraçado.

    2. Índio

    Mais uma vez, é preciso entender que se vestir de índio não é uma homenagem à cultura indígena. O uso de pertences que remetem a esse grupo social pode ser definido como apropriação cultural.

    Para entender essa questão, é preciso ter em mente o contexto histórico do país. O território brasileiro não foi simplesmente descoberto pelos portugueses. Ele foi tirado a força das mãos dos indígenas, que mais do que perder terras, também tiveram todos os seus costumes diminuídos e substituídos – brutalmente – pela cultura europeia.

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    Portanto, vestir-se de índio para o Carnaval é apenas mais uma atitude que reforça a ideia de uma história roubada e transformada para o bem-estar de quem não entende nada sobre ela, ignorando a importância dos costumes, das pinturas e dos ornamentos de penas e plantas para os rituais indígenas.

    3. Cigana

    Assim como as marcas presentes na história do povo indígena, o motivo pelo qual se fantasiar de cigano é desrespeitoso também está ligado com a dor que ronda essa comunidade. Marginalizados, existem poucos registros escritos sobre este povo.

    Eles também foram perseguidos durante a Inquisição da Igreja Católica, por serem acusados de agirem contra o cristianismo. Além disso, como ocorreu com os judeus durante o nazismo na Alemanha, os ciganos foram capturados durante o regime de Adolf Hitler.

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    Só que a marginalização desse grupo é tão grande que foi apenas em 2015 que o massacre do povo cigano – chamado de “Porajmos” – foi reconhecido pelo Parlamento Europeu. Isso instituiu que o dia 2 de abril seria uma homenagem às vítimas do holocausto cigano.

    Com uma história marcada pela constante busca pela sobrevivência, usar uma fantasia com tom caricato, como se fosse possível resumir toda memória desse povo em alguns apetrechos, pode não ser um jeito legar de se divertir no Carnaval.

    4. Mãe de santo

    Em um país como o Brasil, onde há um histórico problemático de ataques à religiões que não seguem a linha do cristianismo, transformar a identidade de mãe de santo em fantasia é reforçar o preconceito enraizado na sociedade.

    Ainda que algumas pessoas possam usar a justificativa de que a escolha pela vestimenta é uma homenagem a quem pratica essa religião, o Carnaval traz consigo a ideia de diversão através do deboche. Portanto, tributo e fantasias não costumam combinar quando o assunto é religião.

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    É importante lembrar também que existe uma diferença entre os próprios religiosos participarem de desfiles carnavalesco usando sua indumentária– o que não é apropriação – e pessoas que usufruem da cultura como se fosse delas, deturpando o lugar de fala.

    5. Fábio Assunção

    A dependência química do ator Fábio Assunção foi lembrado de um jeito nada legal: em tom cômico. Além de uma música zombando de seu vício, algumas pessoas circularam com máscaras do ator. Nada legal!

    Vale lembrar que a dependência química é uma doença, traz consequências para a vida do usuário e das pessoas ao seu redor e é uma questão de saúde. Portanto, uma fantasia não faz sentido, né?

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    6. Gueixa

    Há quem ainda ache que gueixas são sinônimo de prostitutas. A tradução da palavra, em japonês, é “praticante da arte”. São mulheres que recebem treinamento para entreter a elite, com formação em canto, música, dança e poesia.

    Pintar o rosto de branco e ornamentar os cabelos faz parte da indumentária das gueixas tradicionais, mas não deve ser confundida com uma fantasia. Puxar os olhos e usar quimonos não são uma “homenagem” à cultura asiática e pode ser bem ofensivo para um japonês, por exemplo, que um traço de sua anatomia seja usado em caráter jocoso.

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