Porque o “good vibes” de Aline no BBB 26 gerou tanta rejeição
Especialista explica até que ponto leveza e inteligência emocional caminham juntas
Na última semana, a internet não comenta outra coisa senão os acontecimentos do BBB 26. E um dos assuntos mais apontados é a personalidade e a postura da primeira eliminada da edição, Aline Campos.
Em grande parte de seus posicionamentos, a dançarina se colocava como uma mulher de grande inteligência emocional e atitudes consideradas “good vibes”. No entanto, o que muita gente vinha levantando é que, apesar de todo o discurso e da aparência zen, Aline se revoltava com pequenas situações e protagonizava constantes momentos de estresse com a participante Ana Paula Renault.
Então, surge a dúvida: até que ponto esse tipo de discurso é saudável, para quem vive e para os outros ao redor, e quando passa a ser uma espécie de positividade tóxica?
Inteligência Emocional x Positividade Tóxica
A psicóloga Andréia Batista explica que esse tipo de postura só faz sentido quando vem acompanhado de equilíbrio. Isso porque, com o tempo, o excesso de positividade deixa de ser uma forma de regulação emocional e passa a se tornar negação.
“Pessoas próximas passam a sentir que não podem expressar fragilidades sem serem julgadas e rotuladas como ‘negativas’. Isso empobrece as relações, em que só as emoções socialmente aceitas têm permissão de circular. O resultado são vínculos superficiais, com menos espaço para autenticidade, escuta e conexão verdadeira”, pontua.
Ela deixa claro que inteligência emocional e positividade tóxica são opostos. A primeira envolve autoconhecimento, reconhecimento, aceitação, regulação e expressão saudável das emoções, inclusive as difíceis. Já a positividade tóxica seleciona emoções “permitidas” e tenta eliminar as consideradas “indesejáveis”.
A imagem pública de “personagens good vibes”
Mas isso não pode ser entendido como algo apenas individual. Andréia comenta que a nossa cultura está acostumada a associar emoções negativas ao fracasso e à incompetência. “Isso cria uma lógica de desempenho emocional, em que a pessoa precisa ‘funcionar bem’ o tempo todo, mesmo quando está emocionalmente exausta.”
Alguns perfis, inclusive, são mais propensos a viver esse tipo de dinâmica. “Esse padrão aparece com frequência em pessoas que constroem sua identidade a partir da imagem pública e da aprovação externa, especialmente nas redes sociais. Nesses casos, o ‘personagem good vibes’ funciona como uma estratégia de pertencimento e controle da própria narrativa”, ressalta.
Os perigos da “leveza” excessiva
E talvez isso ajude a explicar os apontamentos do público em relação ao BBB. A especialista relata que, do ponto de vista da psicologia e da neurociência, emoções não elaboradas não desaparecem, apenas se reorganizam.
“A repressão emocional acumula tensão interna. O cérebro permanece em estado de alerta, o que favorece quadros de ansiedade persistente, irritabilidade, explosões emocionais, esgotamento e até sintomas físicos sem causa orgânica clara. A ‘leveza’, nesses casos, funciona como uma máscara frágil, que não se sustenta sob pressão”, declara.
Por fim, ela ressalta que é fundamental compreender que maturidade emocional não é estar bem o tempo todo, mas conseguir transitar pelas emoções sem se perder nelas.
“Saúde emocional não se constrói pela negação ou exclusão da dor, mas pela capacidade de reconhecê-la, elaborá-la e integrá-la. Isso sustenta relações mais honestas, menos performáticas e emocionalmente mais saudáveis”, conclui.
Assine a newsletter de CLAUDIA
Receba seleções especiais de receitas, além das melhores dicas de amor & sexo. E o melhor: sem pagar nada. Inscreva-se abaixo para receber as nossas newsletters:
Acompanhe o nosso WhatsApp
Quer receber as últimas notícias, receitas e matérias incríveis de CLAUDIA direto no seu celular? É só se inscrever aqui, no nosso canal no WhatsApp.
Acesse as notícias através de nosso app
Com o aplicativo de CLAUDIA, disponível para iOS e Android, você confere as edições impressas na íntegra, e ainda ganha acesso ilimitado ao conteúdo dos apps de todos os títulos Abril, como Veja e Superinteressante.







