Oferta Relâmpago: assine Revista Impressa por R$ 9,90/mês!

Etarismo e o impacto na autoestima de mulheres acima de 50 anos

O preconceito contra pessoas com base na idade está enraizado na sociedade e afeta a percepção que esse grupo tem sobre si

Por Lorraine Moreira Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 set 2023, 10h58 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h40
Mulher sentada na cama
Mulher com mais de 50 anos sofrem preconceito no Brasil pela idade (RDNE Stock project/Pexels)
Continua após publicidade
Etarismo e o impacto na autoestima de mulheres acima de 50 anos Priorizar nos meus resultados Google

Esconda o grisalho, aplique botox e combata as manchas do corpo: talvez assim você chegue aos 50 anos com menos julgamentos. Não é segredo que a sociedade lamenta o passar dos anos, discrimina esse grupo e incentiva o medo de envelhecer, mas o que está por trás disso? O etarismo é o preconceito com base na idade, e as mulheres são o foco dessa discriminação.

O etarismo começa cedo

Não existe momento certo para começar, mas, no Brasil, há relatos de vítimas que sequer chegaram à terceira idade ‒ 16,8% das pessoas acima de 50 anos passaram por alguma situação preconceituosa, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Nessa idade geralmente ocorre o encerramento da menopausa, portanto marca o fim da fertilidade feminina. A função das mulheres, nesse contexto, parece ser apenas de procriação.

Continua após a publicidade

A influenciadora Adriana Saric faz parte do grupo que sofreu com o problema. “Fui impactada pelo etarismo diversas vezes.” Mas isso não a afeta: “A mim não atinge de forma a me calar, me colocar pra baixo ou me sentir mal pela idade que tenho. Eu rio da cara deles! Porque eu amo ter 53 anos, chegar até aqui linda, feliz, segura, livre e leve é um ganho meu, uma conquista e vitória que nenhum etarista me tira.”

Continua após a publicidade

“Quanto mais envelheço, mais a minha autoestima cresce. Aprendi a ser mais gentil comigo. Posso até me dar conta das mudanças e ver que algo não está mais tão bom assim, que tenho rugas, flacidez, cabelos branco. Mas, no geral, me enxergo maravilhosa, como nunca havia me visto antes. Acho que a idade também te dá essa liberdade de se achar, isso agora é direito meu e ninguém me tira. Sou livre para ser o que quiser ser”, conta.

Inclusive, quando ela recebe um elogio do tipo “você não parece ter essa idade”, Adriana entende. “Não me importo, porque sei que é cultural, não é por mal. Mas a gente vem mudando esse olhar, até porque eu gosto de parecer ter a idade que tenho e ser linda com a minha idade. Ainda assim, agradeço o elogio ,porque atribuo a um ganho também das mulheres que estão cada vez melhores, independente da idade.”

Continua após a publicidade

Autoestima é impactada pelo etarismo

Nem todas, porém, percebem essa autoestima forte. “O valor atribuído a si mesmo é influenciado por diversos fatores e passa por transformações com o decorrer do tempo. Amadurecimento, conquistas, perdas e outras questões entram nessa balança, o que pode elevar ou diminuir a percepção sobre você”, explica a psicóloga Isabela Teixeira.

Propagandas, desfiles e programas de TV têm influência nisso. Eles estimulam a ideia de que a beleza está intrinsecamente ligada à jovialidade. Nos desenhos, por exemplo, as mulheres mais velhas são bruxas, enquanto os homens com a mesma idade são sábios, e as jovens, princesas.

Continua após a publicidade

“As propagandas induzem a busca eterna pela juventude”, diz a psicóloga Laura Marques. Todos os anti (idade, rugas, age…) do mercado remetem a essa fuga do envelhecimento, inclusive. “A mensagem que esses termos transmitem é que o ideal é permanecer jovem, só assim a mulher será vista como bonita, interessante e desejada. Quem não corresponde a esse ideal de juventude muitas vezes se vê excluída e encontra em si ‘problemas’ que antes não existiam, mas que são induzidos através das publicidades”, acrescenta.

A saída é trabalhosa, mas pode funcionar: a construção da autoestima com o tempo. “Não possuía uma percepção positiva de mim na adolescência, muito pelo contrário. Sempre fui muito autocrítica. Foi com a maturidade, me descobrindo e redescobrindo, que construí isso em mim. Também tenho um companheiro que me ajudou muito nesse processo, porque você se afeta quando a pessoa ao seu lado te coloca para baixo”, compartilha Adriana.

Continua após a publicidade
Mulher sentada na cama
Terapia e rede de apoio são essenciais para construir autoestima depois dos 50 anos (Ron Lach/Pexels)

Como construir autoestima? 

“A construção da autoestima é um processo contínuo, e existem estratégias que podem ajudar a desenvolver e mantê-la”, explica Isabela. “Primeiro, é preciso pensar na autoaceitação, entendendo suas qualidades, experiências e realizações. Também é necessário pensar em novos hábitos, considerando sua realidade. Por fim, desafiar-se a aprender coisas novas e aumentar seu repertório de habilidades sociais colabora para uma mente ativa, aumentando seu senso de competência”, finaliza. Procurar um psicólogo e uma rede de apoio também faz diferença.

Laura termina dizendo que a autoestima tem relação com o que você construiu ao longo da vida, envolvendo independência financeira, cuidado com a saúde física e mental, por influenciarem a autonomia no envelhecimento, e manutenção das amizades e hobbies. Nunca é tarde para começar! 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

ÚLTIMAS HORAS!

Digital Básico

Moda, beleza, autoconhecimento, mais de 11 mil receitas testadas e aprovadas, previsões diárias, semanais e mensais de astrologia.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 57% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba Claudia impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 12,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).