Como nascem as tendências (e por que elas duram cada vez menos)
Entenda como dados, consumo e identidade moldam o surgimento das tendências hoje
Basta um breve scroll pelas redes sociais para se deparar com uma nova tendência — uma peça de roupa que ganha protagonismo, uma cor de esmalte, um formato de vídeo. Segundo Sydney Stanback, gerente sênior de marca do Pinterest, as tendências se movem hoje quatro vezes mais rápido do que em 2018.
Essa velocidade, no entanto, esconde um efeito colateral importante: a sobrecarga de conteúdo e o excesso de estímulos aos quais o público está constantemente exposto. Como resposta, o consumidor se cansa mais rápido e passa a interagir de forma cada vez mais superficial com novas modas.
Diante desse cenário, surgem algumas perguntas inevitáveis: de onde vêm tantas tendências? Como diferenciar o que é passageiro daquilo que veio para ficar? E, afinal, o que esperar do comportamento do consumidor em 2026?
Como o Pinterest identifica o surgimento de tendências
Nada menos que 88% das tendências previstas pelo Pinterest nos últimos seis anos se concretizaram. O dado, compartilhado por Sydney Stanback, ajuda a explicar a forma como a plataforma analisa o comportamento dos usuários.
“Cerca de meio bilhão de pessoas acessam o Pinterest todos os meses para pesquisar e comprar seus próximos grandes achados, o que nos dá uma visão incrível do que será tendência no futuro”, afirma.
Mais do que observar o que as pessoas buscam, a plataforma analisa como elas se envolvem com esses conteúdos, o que permite uma leitura mais profunda dos interesses reais do público. “Depois desse primeiro filtro, passamos para uma curadoria cuidadosa”, explica.
A partir dos dados, os estrategistas da marca cruzam padrões numéricos com observações do mundo real. “Esse equilíbrio entre ciência de dados e curadoria humana nos permite identificar uma gama diversa de tendências que podem ressoar com públicos diferentes”, completa.
Como diferenciar uma moda passageira de uma tendência duradoura
Para identificar o que realmente veio para ficar, há um fator essencial: o tempo. Quando uma tendência apresenta crescimento consistente ao longo de pelo menos dois anos, as chances de ela ser apenas uma moda passageira são pequenas.
“Nesse caso, a probabilidade de ser algo efêmero é muito menor, porque as pessoas já demonstraram interesse contínuo”, explica Sydney.
Mas o tempo, sozinho, não basta. “Também aplicamos uma metodologia para garantir que essas tendências não apenas cresçam, mas que continuem se expandindo e se diversificando”, diz. Para que a calça barrel, por exemplo, seja considerada uma tendência consolidada, ela precisa não só se manter em alta por dois anos, como também aparecer em novos tecidos, cores e composições.
A mudança no comportamento do consumidor
O relatório Pinterest Predicts 2026 aponta para uma transformação importante: hoje, as pessoas estão adaptando as tendências às suas personalidades — e não o contrário.
“Estamos observando uma resposta clara à sobrecarga de conteúdo e às microtendências. Existe uma fadiga geral, não apenas em relação às trends, mas ao excesso de estímulos como um todo”, afirma Sydney.
Nesse contexto, cresce um movimento de reconexão com o que realmente importa para cada indivíduo. A lógica deixa de ser seguir uma tendência por imposição cultural e passa a ser encontrar aquilo que faz sentido para o próprio estilo de vida, valores e desejos.
Mais do que rejeitar tendências, o consumidor busca personalizá-las. “Uma trend como o glitchy glam, por exemplo, tem tudo a ver com beleza assimétrica. Isso pode se traduzir em unhas diferentes, delineador em apenas um olho ou roupas com cortes assimétricos”, explica.
Prepare-se para 2026
Em 2026, as tendências estarão cada vez mais conectadas a emoções e a vínculos pessoais. “As trends ainda envolvem algum nível de consumo — não é sobre comprar apenas por comprar —, mas estão muito mais alinhadas à identidade de cada pessoa”, afirma Sydney.
Para ela, em um mundo cada vez mais complexo e saturado de conteúdo, as pessoas buscam referências que transmitam conforto e com as quais possam se identificar.
“Acho que muitas marcas têm se concentrado apenas em descobrir qual é a grande tendência do momento. Isso, claro, é importante, mas não suficiente”, pontua.
Segundo Sydney, compreender o que existe por trás de uma trend é essencial para identificar aquelas que realmente fazem sentido para o negócio e para o público que se deseja alcançar.
Esse olhar mais estratégico permite responder a emoções reais do consumidor, em vez de criar ações apenas para “não ficar de fora” de uma tendência que, muitas vezes, não dialoga com a audiência nem com os valores da marca.
Assine a newsletter de CLAUDIA
Receba seleções especiais de receitas, além das melhores dicas de amor & sexo. E o melhor: sem pagar nada. Inscreva-se abaixo para receber as nossas newsletters:
Acompanhe o nosso WhatsApp
Quer receber as últimas notícias, receitas e matérias incríveis de CLAUDIA direto no seu celular? É só se inscrever aqui, no nosso canal no WhatsApp.
Acesse as notícias através de nosso app
Com o aplicativo de CLAUDIA, disponível para iOS e Android, você confere as edições impressas na íntegra, e ainda ganha acesso ilimitado ao conteúdo dos apps de todos os títulos Abril, como Veja e Superinteressante.







