Saúde óssea feminina: o cuidado que sustenta a vida
Silenciosa e comum após a menopausa, a osteoporose exige atenção contínua, inclusive após fraturas e nos estágios avançados
Com o passar dos anos, o corpo muda. E, entre tantas transformações, há uma que quase ninguém percebe: a perda de densidade dos ossos. Ela acontece aos poucos, sem dor e sem sinais aparentes, e justamente por isso costuma passar despercebida. Mas, embora silenciosa, tem consequências sérias: basta uma queda para causar fraturas, limitações e, em muitos casos, a perda de autonomia.
A osteoporose é exatamente isso — uma condição discreta no início, mas com grande impacto na qualidade de vida. “Muitas ainda a veem como uma consequência natural e inevitável do envelhecimento, e não como a doença crônica, progressiva e grave que realmente é”, alerta Alejandro Arancibia, diretor médico da Amgen Brasil.
As fraturas, mais comuns na coluna, no quadril e no antebraço¹, costumam ocorrer após incidentes banais, como tropeços e escorregões, e podem exigir longos períodos de recuperação e reabilitação.“Uma única queda pode ser um divisor de águas na vida de uma mulher. Muitas vezes, ela marca o início da perda de independência e autonomia”, reforça Arancibia.
Quando o risco aumenta com o tempo
Segundo a International Osteoporosis Foundation (IOF), uma em cada três mulheres acima dos 50 anos sofrerá uma fratura por fragilidade óssea² — uma probabilidade maior do que o risco de desenvolver câncer de mama ao longo da vida. No Brasil, estima-se que cerca de 10 milhões de pessoas convivam com a doença³.Outro dado preocupante é que, a cada três pacientes que sofrem fratura no quadril, uma tem diagnóstico confirmado de osteoporose³. Mesmo entre os casos diagnosticados, apenas uma em cada cinco recebe algum tipo de tratamento³.
No pós-menopausa, as fraturas relacionadas ao enfraquecimento ósseo tornam-se ainda mais frequentes — atingindo de 14% a 33%, dependendo da idade e dos critérios de diagnóstico⁴. Isso ocorre porque, nesse período, há uma queda nos níveis de estrogênio, hormônio que atua como principal protetor natural dos ossos.
Pequenas quedas, grandes consequências
Uma fratura transforma a rotina de uma hora para outra. No caso do quadril, por exemplo, as consequências podem ser graves: a mortalidade no primeiro ano chega a 35%⁵, além dos altos índices de incapacidade e da necessidade de cuidados prolongados. “É um impacto devastador. Muitas vezes a mulher nunca mais recupera plenamente a autonomia”, reforça o médico.
Com o envelhecimento da população, o número de fraturas tende a crescer nas próximas décadas, especialmente entre as mulheres. As projeções indicam que, até 2050, a incidência de fraturas de quadril nesse grupo pode aumentar cerca de 240% em relação aos índices de 1990³.É um dado que reforça a urgência da prevenção e tratamento de casos avançados, e o papel essencial da informação no cuidado com a saúde óssea. O médico faz um alerta: “Se não priorizarmos a saúde óssea agora, enfrentaremos um desafio de saúde pública de grandes proporções.”
A importância da radiografia
Embora muitas fraturas vertebrais não causem dor forte ou sinais evidentes, elas podem ser detectadas por um exame simples: a radiografia, amplamente aceita como a primeira avaliação diante da suspeita de osteoporose⁶. Esse exame revela microfraturas que surgem em movimentos comuns do dia a dia — como abaixar para pegar algo leve, arrumar a cama ou varrer a casa — e que costumam passar despercebida⁶.
Radiografias de tórax ou abdome frequentemente identificam essas fraturas de forma incidental, permitindo iniciar o tratamento mais cedo e reduzir o risco de novas lesões. Para mulheres com dor nas costas persistente, perda de estatura ou outros fatores de risco, o raio-X ajuda a direcionar a investigação e definir os cuidados seguintes⁶.
Depois da primeira fratura, a atenção precisa ser redobrada
A densitometria óssea é hoje a principal ferramenta para identificar a perda de massa óssea — e está disponível na rede pública de saúde. O exame mede a densidade mineral dos ossos e permite diagnosticar precocemente a osteoporose, muitas vezes antes da primeira fratura.
Mas, quando ela já aconteceu, o cuidado precisa ser imediato. “A mulher que sofre uma fratura tem risco muito maior de sofrer outra, mais grave. Precisamos de programas estruturados que identifiquem essa paciente e a encaminhem para investigação e tratamento”, reforça Arancibia.
É justamente nesse momento que a assistência adequada faz diferença. Quando há necessidade de tratamento, o SUS oferece opções seguras e eficazes, sempre com acompanhamento médico, para reduzir o risco de novas fraturas e recuperar qualidade de vida.
E, ao lado do tratamento, hábitos de vida continuam importantes: exercícios regulares, alimentação equilibrada — rica em cálcio e vitamina D — e acompanhamento contínuo ajudam a proteger a saúde óssea em todas as fases da vida.
Sinais que merecem atenção — e quando buscar ajuda
Muitas mulheres passam anos convivendo com dores nas costas, perda de altura ou aquela sensação de estar “encurvando” sem imaginar que isso pode indicar algo mais sério. Se você já se perguntou “Será que tenho fraturas vertebrais por osteoporose?”, vale ligar o alerta.
Segundo o Manual Brasileiro de Osteoporose⁶, o diagnóstico clínico pode ser feito mesmo antes do resultado da densitometria óssea, quando há fraturas por fragilidade — principalmente na coluna, quadril, punho, úmero e costelas.
A fratura vertebral é a manifestação clínica mais comum da doença⁶. O mais preocupante: cerca de dois terços delas não causam dor intensa⁶, não são reconhecidas e passam despercebidas. Muitas vezes, são microfraturas que acontecem em movimentos simples do dia a dia — abaixar para pegar algo no chão, arrumar a cama, cozinhar, varrer a casa.
Essas fraturas silenciosas podem gerar⁶:
- Dores nas costas cada vez mais frequentes
- Redução da capacidade de trabalho
- Tristeza ou depressão associada ao desconforto crônico
- Mais dias de repouso no leito
- Maior risco de hospitalizações e mortalidade
- Perda acelerada de qualidade de vida
Outro sinal importante é a perda de estatura ao longo dos anos, um indicador útil para a autoavaliação e para investigar fraturas vertebrais já instaladas⁶.
Se você percebeu algum desses sinais, converse com seu médico. A avaliação é simples, o tratamento existe e, quanto mais cedo vier o diagnóstico — mesmo após a primeira fratura —, maiores as chances de preservar mobilidade, autonomia e bem-estar.
Inovação que transforma vidas
A ciência tem avançado muito, e esses progressos já fazem diferença concreta na vida de muitas mulheres. “O grande salto das últimas décadas veio com a biotecnologia”, explica Arancibia. “Hoje, já existem terapias capazes de agir diretamente no mecanismo de remodelação óssea e, em alguns casos, não apenas interromper a perda, mas também reconstruir a massa óssea. “Essas inovações se traduzem em mais autonomia e qualidade de vida. “O verdadeiro valor de um tratamento não está apenas no custo imediato, mas no que ele evita: a dor, a limitação e a dependência. É o valor humano, o de uma mulher que continua ativa, independente, cuidando da própria vida e da família.”
Um gesto de autocuidado
Proteger a saúde dos ossos é, também, um gesto de amor-próprio. Com informação de qualidade, a mulher entende que fraturar não é “normal da idade” e se sente mais preparada para buscar diagnóstico e prevenção. Mesmo nos casos descobertos tardiamente, há caminhos de cuidado que resgatam movimento, confiança e a sensação de estar no controle da própria história.
Converse com seu médico sobre a saúde dos seus ossos. Prevenir fraturas é possível, e começa com informação e cuidado.
Referências
- International Osteoporosis Foundation (IOF). Fragility fractures most commonly affect spine, hip and wrist. Disponível em: https://www.osteoporosis.foundation/facts-statistics
- International Osteoporosis Foundation (IOF). One in three women over age 50 will experience osteoporotic fractures. Disponível em: https://www.osteoporosis.foundation/patient-management
- Ministério da Saúde – Biblioteca Virtual em Saúde (BVS/MS)– Dia Mundial e Nacional da Osteoporose (20/10). Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/20-10-dia-mundial-e-nacional-da-osteoporose-2025/
- SciELO Brasil. Osteoporose em mulheres na pós-menopausa. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbr/a/pCbTf9ddBqmpqcpNgy7rSZQ/?lang=pt
- SciELO Brasil. Mortalidade após fratura por osteoporose. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abem/a/4KwB4bN8z89bjYz5YFyb8Rd/?format=html&lang=pt
- Manual Brasileiro de Osteoporose. Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR).





