Quais exames a mulher precisa fazer em cada fase da vida?
O Dia Internacional da Mulher também é uma oportunidade de falar sobre prevenção de doenças em todas as faixas etárias

Toda mulher precisa fazer exames. É assim com qualquer pessoa, claro, mas existem alguns testes médicos específicos para elas. Cada faixa etária possui indicações, considerando a vulnerabilidade de cada idade, e é essencial segui-las para a manutenção da saúde feminina. Muita gente, porém, não sabe que precisa fazer estes exames ao longo da vida, esperando um sintoma sério aparecer para procurar a causa.
“Os exames complementares, como análises laboratoriais, exames de imagem e testes preventivos, fornecem informações que ajudam a confirmar ou descartar hipóteses diagnósticas”, explica Flávia Purcino, médica ginecologista e mastologista. Mas ela traz um alerta: eles são adicionais, não substituem anamnese e exame físico cuidadoso.
Se por um lado a solicitação desses exames não deve ser feita de forma desenfreada, por outro os médicos não podem ser omissos com achados clínicos e fatores de risco. O acompanhamento individualizado é importante para que os exames preventivos sejam feitos na frequência correta, seguindo as condições de faixa etária e condição.
Abaixo, você confere qual avaliação clínica precisa em cada idade.
Exames que as meninas devem fazer na infância
“Na infância, o foco principal é o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, incluindo consultas pediátricas regulares”, diz Flávia. Embora exames específicos de rotina não sejam necessários, alguns podem ser indicados dependendo do histórico familiar e sintomas apresentados. De acordo com a especialista, os principais são:
- Hemograma e exames bioquímicos (como glicemia e perfil lipídico), caso haja suspeita de anemia, desnutrição ou fatores de risco para doenças metabólicas.
- Exames hormonais em casos de puberdade precoce ou atrasada.
- Exames de urina e fezes, quando há sintomas como infecções urinárias recorrentes ou problemas gastrointestinais.
- Ultrassom pélvico pode ser indicado em casos de puberdade precoce ou suspeita de alguma alteração ginecológica.
- A vacinação também é essencial nessa fase, incluindo a contra o HPV, recomendada a partir dos 9 anos.
Exames que meninas devem fazer na adolescência
“A adolescência é um período de mudanças hormonais e crescimento acelerado, e o acompanhamento médico deve ser regular”, afirma a médica. É nesse período que as pessoas geralmente começam a vida sexual, e o ginecologista é fundamental para manter a saúde.
“Ele serve para o aconselhamento sobre planejamento familiar, métodos contranceptivos, sexo seguro”, explica Katia Piton Serra, ginecologista, mastologista e professora de Medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic. Ela também recomenda conversar com um hebiatra, especialistas em adolescentes. Veja os principais exames, segundo Flávia:
- Exames laboratoriais básicos (hemograma, glicemia, perfil lipídico, função tireoidiana), conforme necessidade individual.
- Exames ginecológicos: o Papanicolau não é necessário antes dos 25 anos, segundo as diretrizes do Ministério da Saúde e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, mas a primeira consulta ginecológica deve ocorrer na adolescência para orientações sobre saúde menstrual, contracepção e prevenção de ISTs.
- Testes para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como HIV, sífilis e hepatites, para adolescentes sexualmente ativas.
- Nessa fase, reforça-se a importância da vacinação contra o HPV para a prevenção do câncer de colo do útero. Ela é gratuita no SUS e recomendada para meninos e meninas entre 9 e 14 anos.

Exames que as mulheres devem fazer a partir dos 25 anos
Na vida adulta, a mulher deve realizar exames preventivos regularmente. Flávia detalha os principais:
- Papanicolau: deve ser feito a cada três anos para para rastreamento do câncer de colo do útero, depois de dois exames normais anuais consecutivos.
- Exames laboratoriais: hemograma, glicemia, colesterol, função hepática e renal, conforme fatores de risco.
- Sorologias para ISTs (HIV, sífilis, hepatites), especialmente se houver mudança de parceiro ou fatores de risco.
- Ultrassom pélvico e mamário: indicado conforme necessidade, sintomas ou histórico familiar.
- Avaliação da tireoide: indicada em casos de sintomas como mudanças inesperadas de peso e alterações menstruais.
- Estimativa do risco para câncer de mama: recomenda-se avaliar o histórico familiar e fatores de risco para câncer de mama. Mulheres com histórico familiar significativo ou mutações genéticas conhecidas podem precisar de exames complementares, como mamografia e ressonância magnética de mamas a partir de 30 anos.
A rotina de exames pode variar conforme o histórico pessoal e familiar, e o acompanhamento médico regular é necessário. “O importante para a mulher na fase adulta é ir ao ginecologista, que vai ouvir a história dela e identificar se há risco para qualquer tipo de câncer ginecológico ou para outra patologia. Costumo dizer que o ginecologista é o clínico da mulher”, pontua a professora de medicina.
Exames que as mulheres devem fazer depois dos 40 anos
Alguns exames para rastreamento precoce de doenças devem ser feitos a partir dos 40 anos. “Eles servem para procurar, entre as pessoas saudáveis, aquelas que possam apresentar a doença ou o risco para doença, como o câncer de mama”, diz Kátia. Os exames mais importantes, segundo Flávia, incluem:
- Mamografia: deve ser feita anualmente, conforme diretrizes da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).
- Papanicolau: mantido conforme protocolo até os 64 anos, se os últimos exames estiverem normais.
- Colonoscopia ou pesquisa de sangue oculto nas fezes: a partir dos 45 anos, para rastreamento do câncer de cólon.
- Densitometria óssea: indicada para mulheres com fatores de risco para osteoporose ou a partir dos 65 anos.
- Endoscopia digestiva: pode ser indicada para avaliação de refluxo persistente, úlceras ou sintomas gástricos.
- Check-up cardiológico: inclui avaliação da pressão arterial, perfil lipídico e exames de função cardíaca, já que o risco cardiovascular aumenta após a menopausa.
“A individualização do rastreamento é fundamental, considerando fatores de risco e histórico familiar”, acrescenta a médica.
Como saber se alguns desses exames precisam ser feitos antes?
“A recomendação padrão se baseia no rastreamento populacional e nos protocolos mais recentes de sociedades médica, mas alguns exames podem ser antecipados em casos específicos. A individualização dos cuidados é essencial. Por isso, a recomendação é sempre ter acompanhamento médico regular para avaliar a necessidade de antecipação de exames”, responde Flávia.
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