Perfume no pescoço pode afetar a tireoide? Especialistas explicam
Entenda se fragrâncias podem interferir nos hormônios e quais substâncias entram na discussão
Há cerca de um mês, uma postagem no Instagram passou a chamar atenção tanto do grande público quanto da comunidade médica.
Na publicação, um neurocirurgião afirma que o uso frequente de perfume na região da tireoide poderia causar alterações hormonais. Mas será que essa informação procede?
O médico integrativo e pós-graduado em endocrinologia Wandyk Allison explica que não existem comprovações científicas que sustentem essa relação direta. Ainda assim, ele reforça que a discussão não pode ser reduzida a um simples “verdadeiro ou falso”.
O que diz a ciência?
Segundo Wandyk, apesar da afirmação não ter base comprovada no contexto do uso cotidiano, ela também não surgiu do nada.
“O que a ciência já observou é que alguns ingredientes presentes em fragrâncias e cosméticos fazem parte de um grupo chamado desreguladores endócrinos — substâncias capazes de interferir no sistema hormonal em laboratório ou em exposições elevadas e contínuas”, explica.
Ele ressalta, no entanto, que não há evidências de que o uso comum de perfume no pescoço cause disfunção na tireoide em pessoas saudáveis.
Os riscos mais frequentes, na prática clínica, estão ligados a outra especialidade: a dermatologia.
A médica dermatologista Renata Porphirio Francisco esclarece que a pele do pescoço é naturalmente mais fina e sensível, o que pode favorecer irritações, dermatite de contato e reações alérgicas quando há aplicação constante de fragrâncias na região.
Quais substâncias presentes em perfumes entram nessa discussão?
Entre os compostos que aparecem com mais frequência em estudos estão:
- Ftalatos (especialmente o DEP, usado como fixador em algumas fragrâncias);
- Almíscares sintéticos;
- Certos conservantes presentes em cosméticos.
Ainda assim, o especialista reforça que a presença desses ingredientes não significa, automaticamente, risco hormonal. O possível impacto se torna mais relevante quando há:
- uso diário intenso de muitos produtos ao mesmo tempo;
- reaplicação frequente ao longo do dia;
- exposição crônica por anos;
- situações específicas como gravidez ou doenças hormonais pré-existentes.
“Ou seja: o problema não é o perfume isolado, mas o acúmulo”, pontua.
O que realmente causa alterações hormonais?
Para encerrar, Wandyk destaca os principais fatores que, de fato, podem influenciar alterações na tireoide:
- predisposição genética e doenças autoimunes (como Hashimoto e Graves);
- consumo inadequado de iodo (tanto falta quanto excesso);
- deficiência de nutrientes como selênio e ferro;
- uso de medicamentos específicos, como amiodarona e lítio;
- gravidez e período pós-parto;
- histórico de radioterapia ou cirurgia na região do pescoço;
- estresse crônico, que pode agravar sintomas em pessoas predispostas.
“Perfume no pescoço não causa problema de tireoide. O que existe é uma discussão científica sobre exposição crônica a certos químicos presentes em diversos produtos do cotidiano”, conclui.
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