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Nocaute no HPV: como prevenir e tratar a doença

A menção das três letras causa calafrios, um misto de vergonha, culpa e medo de morrer. Por isso, respondemos aqui às suas principais dúvidas para que você saiba como se proteger

Por Cristina Nabuco (colaboradora)
17 nov 2013, 22h00 • Atualizado em 28 out 2016, 14h40
Cristina Nabuco - Edição: MdeMulher
Cristina Nabuco - Edição: MdeMulher (/)
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  • Foto: Getty Images


    Como o HPV causa câncer?

    O vírus se aloja na célula e altera o funcionamento dela, provocando uma lesão. Apenas quando ele leva à multiplicação celular de forma descontrolada, a ponto de invadir outros tecidos, é que se dá o câncer. Isso demora de dez a 15 anos. Se a lesão for tratada logo, evita-se a malignidade. Quinze dos mais de 120 tipos de vírus são suspeitos de provocar a doença. Os HPVs 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58 estão ligados a 90% dos casos de câncer de colo do útero. Já os de número 6 e 11 produzem 90% das verrugas genitais, que têm aparência feia, de couve-flor envelhecida, mas não representam maiores danos. Da população sexualmente ativa, 75% entram em contato com o vírus. “Menos de uma em cada 100 mulheres infectadas desenvolve lesões com potencial para se tornar câncer de colo uterino”, diz a bióloga Luisa Lina Villa, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa, em São Paulo. Na maioria das vezes, o sistema imunológico elimina o vírus. Baixa resistência, fumo, múltiplos parceiros e presença de outras DSTs ampliam os riscos.

     

    Qual é o exame preventivo?

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    É o papanicolau, ou exame de citologia oncótica. Células do colo uterino são analisadas ao microscópio. Se o resultado estiver alterado, faz-se a colposcopia: lentes e reagentes permitem visualizar ulcerações minúsculas. Em suspeita de HPV, uma biópsia e exames de biologia molecular descobrem se o vírus é de alto risco. O papanicolau é recomendado a todas as mulheres após o início da vida sexual. “Diante da atual realidade brasileira, o mais seguro é repeti-lo anualmente”, afirma a ginecologista Maria dos Anjos Sampaio Chaves, especialista em patologia do trato genital e colposcopia do SalomãoZoppi Diagnósticos, em São Paulo. “O câncer de colo do útero castiga mais a população pobre, que tem difícil acesso aos serviços de saúde”, diz Luisa Lina Villa.

     

    A camisinha protege 100%?

    Ela não impede o contato com minilesões que o homem pode ter no sacro escrotal e ao redor do ânus nem contra as apresentadas pela mulher na vulva ou na região anal. Apesar disso, se for utilizada desde o início das carícias, e não só na penetração, a camisinha diminui o risco de a pessoa sadia ser infectada por um parceiro doente. Detalhe: a camisinha feminina recobre também a área dos lábios vaginais, protegendo de forma mais ampla que a masculina.

     

    O HPV volta a atacar anos depois?

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    “Sim. Mas não dá para saber se o vírus ficou latente e foi reativado ou se houve um novo contágio”, explica Maria dos Anjos. É difícil descobrir qual parceiro infectou o outro e quando. A contaminação, em sexo genital, anal, oral ou simplesmente em manipulações, pode ter ocorrido em relações anteriores. Uma vez descoberta, é fundamental avisar o parceiro; ambos devem ir ao médico.

     

    Banheira de motel, toalhas e calcinhas emprestadas podem transmitir o vírus?

    A possibilidade é bem remota. Margaret Stanley, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, costuma responder a tal pergunta com uma piadinha: “Você pode pegar em assento de sanitário, mas deve ser muito desconfortável”. Para o vírus infectar as mucosas, precisa haver fricção e microfissuras do tecido.

     

    Como é o tratamento da infecção?

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    Não se combate o vírus. O tecido onde ele se aloja é destruído. Assim, as verrugas e lesões são removidas e a área cauterizada. Feridas cervicais, atingidas por HPV de baixo risco, podem ser combatidas pelo sistema imunológico – às vezes, o médico receita vitaminas para melhorar a resistência. As lesões colonizadas por tipos agressivos são eliminadas por ácido tricloroacético, no consultório, com anestésico para evitar ardor, ou cremes vaginais à base de imiquimod. Usa-se também cauterização elétrica ou a frio. Lesões mais graves são vaporizadas a laser ou extirpadas cirurgicamente. Mesmo que se contraia o agressivo HPV 16, é possível remover as células infectadas antes de virar câncer.

      

    Adultas podem ser vacinadas?  

    Em junho, a Anvisa liberou a aplicação da bivalente em mulheres acima de 26 anos. Mas existem controvérsias sobre a eficácia. Luisa Villa defende que, mesmo quando já houve exposição ao vírus, a imunização pode ser útil: como o corpo não produz anticorpos para barrar o HPV no futuro, espera-se que a vacina impeça nova infecção.

     

    Quais são as vacinas disponíveis?

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    Há duas. A bivalente (Cervarix) barra os tipos de HPV mais hostis, o 16 e o 18; a quadrivalente (Gardasil) imuniza contra ambos e ainda contra o 6 e o 11. Ambas são oferecidas em clínicas privadas, por via intramuscular, em três doses, cada uma a 300 reais, em média. Desde janeiro, elas foram aprovadas também para prevenir o câncer anal, que é raro (ocorrem de três a cinco casos por 100 mil pessoas), mas cuja incidência triplicou em mulheres nos últimos anos. A principal indicação é para as meninas a partir de 9 anos, que ainda não iniciaram a vida sexual. Alguns países, como a Austrália, oferecem também aos meninos.

     

    Vacinas podem dispensar o exame preventivo?

    Não. O rastreamento anual deve continuar, pois podem surgir lesões desencadeadas por tipos não atingidos por vacinas. Homens também devem ser examinados. “Tratar o tema com naturalidade diminui o problema, ajuda a amar com responsabilidade”, diz Maria dos Anjos.

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