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Face Wrap: modelador facial da Kim Kardashian realmente funciona?

Dermatologistas revelam a verdade por trás da tendência estética que promete esculpir o rosto

Por Kamille Neris
17 ago 2025, 05h00 • Atualizado em 18 ago 2025, 13h10
Imagem do modelador facial da Kim Kardashian.
Modelador facial da Skims — realmente funciona, quais os riscos e influência no skincare performático?  (@skims/Reprodução)
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  • Nos últimos tempos, um acessório despertou a curiosidade daqueles que acompanham as tendências de Beauté: o Face Wrap, uma espécie de cinta modeladora facial da marca Skims, da empresária e influenciadora Kim Kardashian.

    Recém-lançado e já disponível no Brasil, ele vem conquistando espaço nas redes sociais e nas rotinas de skincare mundo afora. As promessas? Redefinir o contorno do rosto, reduzir inchaços e melhorar a firmeza da pele.

    Mas afinal, será que ele realmente funciona ou é apenas mais um produto que surfa na onda do “skincare performático”?

    Para entender melhor sobre o funcionamento do produto e as questões acerca dele, conversamos com os dermatologistas Rodrigo Goudart, Natalia Cymrot e José Roberto Fraga Filho, todos membros da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SDB). Confira: 

    O modelador realmente funciona?

    Segundo Natalia Cymrot, a ciência não garante que estes acessórios consigam, realmente, alterar a aparência do rosto: “Uma faixa de compressão usada por algumas horas, não é capaz de gerar mudanças estruturais permanentes”.

    Ela explica ainda que o efeito é temporário. O que o acessório faz, no entanto, é uma compressão que ajuda a reduzir o inchaço, causando a impressão de um rosto mais fino, sem papada. O resultado, que envolve a estimulação circulatória e linfática e uma sensação de firmeza, é, porém, temporário

    Imagem do modelador facial da Kim Kardashian.
    (@skims/Reprodução)
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    “É interessante seu uso após uma cirurgia que envolva a face ou o pescoço, para diminuir o inchaço e auxiliar na cicatrização. Somente nesses casos, existe realmente um efeito benéfico comprovado.”, diz Natalia.

    Já Rodrigo, dermatologista da Clínica Nilo Estética Avançada, explica que o modelador facial apresenta limitações significativas quando comparado a outras modalidades terapêuticas já existentes, como Gua Sha e as próprias massagens faciais.

    “Já os procedimentos dermatológicos como radiofrequência, ultrassom microfocado e aplicação de toxina botulínica possuem evidência científica robusta e eficácia comprovada”, afirma o especialista.

    Quais são os riscos?

    Apesar de parecer inofensivo, o uso do acessório com frequência pode causar alguns sintomas, como:

    • Irritação na pele
    • Reações alérgicas
    • Marcas de pressão
    • Acne causada pelo atrito e calor
    • Prejuízo da circulação de sangue se for usada de forma justa e prolongada
    • Potencial trauma mecânico aos tecidos
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    Apesar de internautas apontarem a flacidez como uma das possíveis consequências do uso do produto, os dermatologistas apontam que esta informação ainda não é confirmada pela ciência. “Pacientes com pele sensível, rosácea, dermatite seborreica ou acne inflamatória ativa devem evitar o uso”, orienta Rodrigo.

    Imagem do modelador facial da Kim Kardashian.

    A relação do modelador com a trend do skincare performático

    Mais do que a eficácia, há também aqui uma discussão comportamental em jogo. É que a popularização de dispositivos como esse, impulsionada por celebridades e redes sociais, pode acabar reforçando antigos padrões estéticos, como o de um rosto marcado, que lembra muito o do famoso procedimento estético de harmonização facial.

    O uso de cintas faciais como o da marca Skims fazem parte, então, da rotina de cuidados noturnos de muitos homens e mulheres. O problema, entretanto, está no exagero. Basta entrar em redes como o TikTok para se deparar com milhares de mulheres entrelaçando os cabelos para dormir, usando diversas marcas e, aos poucos, tirando a qualidade do sono em troca de acordar impecável.

    É o excesso desses hábitos que acabam estimulando o que chamamos de cultura do skincare performático, na qual a hora que deveria ser de descanso se torna, então, um momento de autocuidado exacerbado.

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    “A cultura do skincare performático refere-se a rotinas e produtos que proporcionam resultados imediatos e visíveis — como melhora do brilho, viço, firmeza e iluminação da pele — mas que são temporários e não duradouros”, reforça José Roberto. 

    Essa situação piora quando pensamos que, esse mesmo rosto, idolatrado por celebridades e pela própria mídia, é uma forma de culto à juventude.

    O contorno facial marcado é culturalmente associado à juventude. Após os 40 anos, é comum a perda desse formato triangular por conta da flacidez, o que nos aproxima visualmente do envelhecimento. Em um cenário onde moda e mercado valorizam excessivamente a aparência jovem, essa pressão pode levar, em alguns casos, a frustrações e até transtornos psiquiátricos, especialmente quando a busca por rejuvenescimento se torna obsessiva”, explica o dermatologista. 

    No fim das contas, o modelador facial pode até oferecer um efeito imediato e fotogênico, mas está longe de ser um milagre cosmético: “A pessoa sente que está se cuidando, mas pode atrasar ações essenciais que trariam resultados palpáveis, como fotoproteção, uso de antioxidantes, hidratação adequada e procedimentos dermatológicos que revertem, realmente, as mudanças estruturais trazidas pelo processo de envelhecimento”, finaliza Natalia.

     

     

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