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Diabetes gestacional: problema aparece em duas a cada 10 mulheres

Doença aparece durante a gestação e aumenta a chance de desenvolver diabetes tipo 2

Por Lorraine Moreira
16 nov 2022, 11h21 •
Grávida
Doença metabólica aparece em mulheres grávidas. (Foto: Reprodução/ Pixabay/Pixabay)
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  • Em seu consultório de nutrição, Renata Rosseto costumava escutar seus pacientes reclamarem da diabetes. O que ela não esperava era a inversão dos papéis, especialmente durante sua gravidez. De profissional de saúde a paciente, Renata teve que lidar com a diabetes gestacional duas vezes. Foi em um exame de rotina que recebeu o primeiro diagnóstico, quando um nível de glicemia alterado foi observado. O controle de carboidratos e os testes para verificar a glicose no sangue viraram rotina depois da notícia.

    “Diabetes gestacional é uma doença metabólica caracterizada pela intolerância a carboidratos durante a gravidez, havendo uma hiperglicemia, e não preenche os critérios de diabetes fora da gestação”, explica Dra. Patricia Dualib, médica endocrinologista e coordenadora do Departamento de Diabetes e Gestação da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

    Na gravidez, a mulher tem hormônios liberados pela placenta, principalmente pelo lactogênio placentário, que reduzem a ação da insulina. Mas existem casos em que o processo não ocorre de maneira adequada e, por isso, há um aumento no nível de glicose no sangue e um desenvolvimento do quadro de diabetes, que é identificado no rastreamento do pré-natal. Mais comum do que parece, a cada dez mulheres, duas têm diabetes gestacional, conforme dados do Sistema Único de Saúde (SUS).

    Três anos após o nascimento de Luiza, a nutricionista engravidou de Helena. Aos 35 anos, a preocupação de Renata era receber o diagnóstico mais uma vez, o que a fez monitorar a glicemia desde o início, com testes de ponta de dedo e dieta. Na 22° semana, no entanto, foi descoberto o mesmo problema da gestação anterior, com uma diferença: a curva glicêmica estava muito mais alta do que no outro momento. A orientação da equipe médica foi a intervenção medicamentosa.

    A primeira aplicação de insulina veio acompanhada do medo de passar mal e ter uma hipoglicemia. “Na hora de injetar em mim mesma pela primeira vez, minhas mãos tremiam”. A falta de instrução nos locais de venda sobre os insumos necessários foi outro fator que a afligiu.  “Recebi o diagnóstico, tenho que comprar as coisas: e agora?”, lembra. Depois de ser acalmada pela profissional que acompanhava o caso, ela seguiu o procedimento por três meses. A filha nasceu saudável, mas a nutricionista mantém os cuidados com alimentação e saúde por ter mais predisposição a desenvolver diabetes tipo 2.

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    “Estudos apontam que aqueles que tiveram diabetes gestacional têm 10 vezes mais chances de ter diabetes ao longo dos dez anos pós-gestação”, indica Patrícia. Há, também, outros riscos: mais chance da mãe desenvolver doença hipertensiva, pré-eclâmpsia e problemas no parto; a criança, por outro lado, fica mais suscetível ao sobrepeso e a desenvolver diabetes, de acordo com a especialista.

    Exame da curva glicêmica; insulina,monitor de glicemia
    (Foto: reprodução/ Agência Brasil/Agência Brasil)

    O que pode desencadear a doença?

    Obesidade, ovário policístico, idade materna avançada – acima dos 35 anos –, problemas com sono, alimentação inadequada e falta de prática de exercícios físicos são os principais fatores de risco para a diabetes gestacional, segundo Patricia. “No geral, a mulher precisa de hábitos mais saudáveis para evitar o problema”, explica. 

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    Para Patricia, o descanso apropriado merece atenção: “as pessoas que dormem mal têm maior associação a doenças metabólicas. No caso das mulheres com qualidade de sono menor, há uma tendência maior a apresentarem uma ação da insulina pior também”. 

    Quando há a descoberta da doença, a mulher deve ser encaminhada ao pré-natal de alto risco, mas nem sempre isso acontece. “Se você for para regiões mais afastadas, quem cuida dessa mulher é apenas a obstetra”, indica a coordenadora, que vê o problema como uma questão de saúde pública, e completa “ao perceber diferenças, consulte o seu médico”. 

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