Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br
Abril Day: Claudia por apenas 4,00

As mulheres devem copiar o posicionamento político do parceiro?

Com as eleições municipais, surge o debate sobre até que ponto é normal a esposa reproduzir a opinião política do parceiro

Por Lorraine Moreira
23 out 2024, 14h59 • Atualizado em 23 out 2024, 15h00
Posicionamento político da mulher é interferido por esposo
Discussão sobre posicionamento político da mulher precisar ser igual ao do homem é retomado nestas eleições municipais (cottonbro studio/Pexels)
Continua após publicidade
  • Depois do casamento, a opinião da mulher deve sempre coincidir com a do marido? Votar nos mesmos candidatos que ele se torna uma obrigação? É natural compartilhar visões semelhantes com quem você se relaciona, mas é preciso refletir sobre até que ponto adotar tudo o que o outro diz como verdade é saudável. 

    A influência masculina no voto feminino

    Não é incomum encontrar mulheres que reproduzem as falas do marido, escolhem seus candidatos a partir do que o parceiro indica ou ocultam o que pensam para evitar confusões. A influência do homem sobre a mulher em suas escolhas eleitorais existe desde que elas conquistaram o direito ao voto, o que no Brasil ocorreu em 1932.

    O problema é que a política é uma expressão direta de nossas crenças e valores, e a não participação implica em perdas de direitos, de acordo com Gabriela Sabino, autora de Política, substantivo feminino: um despertar para o protagonismo das mulheres na democracia.

    Em vez de exercer seu direito ao voto de forma independente, muitas acabam preservando um sistema que privilegia outros interesses. “Não votar em quem defende suas prioridades pode resultar em políticas públicas que não refletem as mudanças que você deseja ver na sociedade“, explica Gabriela. Isso perpetua um ciclo de exclusão, onde as decisões são tomadas por aqueles que já detêm o poder, agravando as desigualdades.

    O que está por trás do “desinteresse” das mulheres por política

    Essa dinâmica é ainda mais complexa do que parece. “As pessoas formam opiniões com base em vivências, valores e influências externas. A socialização, as relações familiares e as experiências culturais moldam essa construção”, afirma a psicóloga Marilia Scabora. A autoestima e a confiança no próprio julgamento também desempenham papéis fundamentais.

    O comportamento de replicar as opiniões, sem questionar o que foi dito, faz parte da educação que milhares de mulheres recebem desde muito pequenas. “A falta de estímulo para desenvolver uma voz própria desde a infância, ou a necessidade de manter a paz no relacionamento, contribuem para essa dinâmica”, comenta a especialista em gênero.

    Continua após a publicidade

    Não seria diferente na política. “Historicamente, é um espaço de exclusão feminina, moldado por normas patriarcais que afastam as mulheres de debates e decisões de poder”, segundo Mayra Cardozo, mentora de mulheres e especialista em gênero. “Desde a infância, elas são socializadas para acreditar que sua esfera de atuação é a doméstica, e não a pública.”

    Essa socialização as desmotiva a participar da política, alimentando a ideia de que não são capazes ou que sua voz não importa nesse contexto. “Além disso, muitas vivem em relacionamentos onde suas opiniões são desvalorizadas ou existe um controle explícito sobre o que elas podem ou não expressar.”

    Posicionamento político pode virar briga entre casal
    Casais podem chegar a brigar por conta de seus posicionamentos políticos (Timur Weber/Pexels)

    A sub-representação feminina na política

    Quase metade do eleitorado brasileiro afirmou que familiares e amigos influenciaram sua decisão no primeiro turno das eleições presidenciais de 2022, segundo o Impec. Isso contrasta com a sub-representação feminina: as mulheres, que são mais da metade da população (51,13%) e 53% do eleitorado, ainda ocupam menos de 18% dos cargos eletivos, de acordo com o IBGE e o TSE.

    Continua após a publicidade

    Muitas dizem não se interessar por política e não conseguem dar suas opiniões, algo que Gabriela considera um problema. “A política afeta desde os direitos trabalhistas até questões como saúde, educação e segurança. Para as mulheres, essa participação é essencial para romper ciclos de sub-representação e promover igualdade de gênero e justiça social”, completa.

    Por outro lado, o fortalecimento da autonomia financeira feminina tem crescido. Políticas públicas, acesso a direitos como a PEC das Domésticas e expansão do discurso feminista têm empoderado financeiramente uma nova geração de mulheres, e permitido que mais delas possam criar e compartilhar seus posicionamentos.

    Com isso, milhares já votam de acordo com seus próprios interesses, embora isso tenha gerado mais debates em casa. Há relatos nas redes sociais de mulheres que são até vigiadas por seus filhos durante o ato de votar, por exemplo.

    Como se manter atualizada sobre política?

    Para romper esse ciclo e acompanhar o cenário político, é fundamental seguir fontes confiáveis de notícias, como jornais, podcasts e canais no YouTube, segundo Gabriela. “Acompanhar o trabalho de ONGs e movimentos sociais também ajuda a entender melhor o que está em jogo. Além disso, participar de debates públicos e fóruns pode ser uma forma de engajamento.”

    Continua após a publicidade

    Mas por onde começar? A especialista indica iniciar aprendendo sobre o sistema político do seu país – como funcionam as eleições e os papéis dos três poderes. “Livros introdutórios, como Política para Leigos, podem ser uma boa base, e há sempre a opção de se aprofundar em teorias e ideologias políticas.”

    Ela ainda recomenda cursos e grupos de estudo para desenvolver uma compreensão mais ampla e aprofundada sobre política ao longo do tempo. “A política é um processo contínuo de aprendizado, que vai além dos períodos eleitorais.”

    Assine a newsletter de CLAUDIA

    Receba seleções especiais de receitas, além das melhores dicas de amor & sexo. E o melhor: sem pagar nada. Inscreva-se abaixo para receber as nossas newsletters:

    Continua após a publicidade

    Acompanhe o nosso Whatsapp

    Quer receber as últimas notícias, receitas e matérias incríveis de CLAUDIA direto no seu celular? É só se inscrever aqui, no nosso canal no WhatsApp

    Acesse as notícias através de nosso app 

    Com o aplicativo de CLAUDIA, disponível para iOS e Android, você confere as edições impressas na íntegra, e ainda ganha acesso ilimitado ao conteúdo dos apps de todos os títulos Abril, como Veja e Superinteressante.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    ABRILDAY

    Digital Completo

    Moda, beleza, autoconhecimento, mais de 11 mil receitas testadas e aprovadas, previsões diárias, semanais e mensais de astrologia!
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    ABRILDAY

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba Claudia impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.