Oferta Relâmpago: Claudia por apenas 5,99

O lado oculto do Projeto Verão: por que o peso volta tão rápido?

Especialistas explicam por que dietas radicais e treinos intensos na corrida pelo “corpo de verão” podem abalar metabolismo, emoções e gerar o efeito sanfona

Por Lorraine Moreira
10 jan 2026, 10h00 •
Foto de uma mulher morena com maiô preto no mar
Uma série de danos podem ser causados ao corpo graças ao projeto verão (teksomolika/Freepik)
Continua após publicidade
  • As academias estão cheias, as dietas milagrosas viralizam sem parar nas redes sociais e a vontade de um novo corpo em poucas semanas não sai da cabeça. O chamado projeto verão é um velho conhecido no Brasil e, ainda hoje, a pressão para se encaixar nele continua causando danos. Especialistas alertam que a busca por resultados rápidos compromete a saúde, e quase sempre desaparece quando a estação acaba.

    O projeto geralmente consiste em emagrecer, mas rápido, tão rápido que os resultados sejam percebidos durante a estação em que a pele fica mais à mostra.

    A lógica por trás desse tipo veloz de emagrecimento costuma envolver restrição alimentar severa, treinos sem preparo adequado e uma relação tensa com o próprio corpo. Como resposta, o organismo ativa mecanismos de defesa que tornam a perda de peso instável e perigosa.

    O corpo entra em modo de sobrevivência

    Quando a restrição alimentar é intensa, o organismo não entende isso como uma estratégia para a estética, mas como uma ameaça. “Ele entra em adaptação metabólica, reduzindo o gasto energético”, explica a nutricionista Viviana Navarro.

    Hormônios ligados à fome e à saciedade sofrem alterações, e o cortisol, hormônio do estresse, tende a aumentar. Irritabilidade, queda no desempenho físico e mental e fraqueza são só o começo.

    Segundo Alessandra Lovato, nutricionista e professora da Newton Paiva Wyden, esse rompimento do equilíbrio metabólico faz com que o organismo se torne mais eficiente em estocar gordura e mais lento em gastar, um cenário perfeito para o temido efeito sanfona. “O corpo responde à restrição tentando recuperar o que foi perdido”, diz Viviana. 

    O peso volta e, muitas vezes, mais intenso

    Um dos grandes problemas do projeto verão é que seus resultados costumam ir embora na mesma velocidade com que chegaram. Após a privação, é comum o aumento do apetite e maior eficiência no armazenamento de gordura. É como se o corpo entendesse que pode viver outro período de escassez e passasse a guardar energia para se proteger. 

    Continua após a publicidade

    “Nosso organismo é inteligente. Quando passamos por um período de restrição alimentar, ele realiza diversas alterações hormonais para entrar em um modo de economia de energia. Ao voltarmos a comer normalmente, o corpo ainda está adaptado a esse período de escassez e, por isso, funciona de forma mais lenta”, explica Bruna Soares Faria, coordenadora do curso de Nutrição da Estácio.

    Às vezes perdemos massa muscular, não gordura

    E grande parte do peso perdido em dietas muito restritivas não é gordura, mas água e massa muscular, como destaca a nutricionista esportiva Thatiana Lancelott. “O corpo pode consumir sua própria massa muscular para se manter, ou seja, o peso que você vê baixando na balança não é gordura, e sim músculo, piorando a composição corporal. Pode causar também fadiga, lesões e até compulsão alimentar”, afirma.

    Culpa é o ingrediente invisível que sabota resultados

    Quando o assunto é projeto verão, alimentos são classificados como “bons” ou “ruins”, e qualquer escolha que não se encaixe na categoria do bem vira motivo de culpa.

    Muitas vezes, essa classificação depende apenas da quantidade de calorias ingeridas. Não importa se o alimento é nutritivo ou não, o importante é que ele sirva para emagrecer.

    “A culpa ativa um ciclo emocional que interfere diretamente no comportamento alimentar”, explica Viviana Navarro. O sentimento de fracasso gera estresse, eleva o cortisol e faz o cérebro buscar alívio imediato em alimentos mais palatáveis, de acordo com Alessandra.

    Continua após a publicidade

    Um ciclo de restrição, exagero e repetição é criado, o que prejudica tanto a saúde física quanto a emocional. 

    “A culpa ao comer pode gerar um ciclo de restrição e exagero, caminhando diretamente para o efeito sanfona. Ao classificar como comida certa ou comida errada você gera uma ansiedade alimentar que desencadeia até mesmo alterações hormonais, como o aumento do cortisol”, segundo Thatiana.

    Quando o cuidado vira punição

    Foto de uma mulher loira usando um maiô com listras e sentada na areia, com a água alcançando seu corpo
    Dietas restritivas e treino sem preparo não são a melhor estratégia para uma mudança no corpo (Foto/Freepik)

    A psicóloga e pesquisadora Renata Roma alerta que a lógica do “corpo ideal a qualquer custo” também pode desencadear ou agravar transtornos alimentares, especialmente em pessoas com baixa autoestima ou alto nível de perfeccionismo.

    “Nesse contexto, dieta e exercício deixam de ser cuidado e passam a ser punição”, afirma. Redes sociais intensificam o problema ao vender corpos “perfeitos”, muitas vezes editados e com procedimentos estéticos, que geram comparação, vergonha e até abandono da prática de atividade física por vergonha ou sensação de não pertencimento.

    Continua após a publicidade

    “Dividir alimentos entre ‘permitidos’ e ‘proibidos’ e comparar o próprio corpo a imagens vistas na internet podem impor padrões inalcançáveis e gerar frustração”, afirma Isabela, nutricionista da Clínica Muzy.

    E o treino, como fica?

    Os treinos intensos costumam ser adotados na busca pelo “corpo ideal” para o verão. E é justamente o corpo que pode reagir negativamente quando não há um preparo adequado.

    “O treinamento precisa sempre passar por uma fase de planejamento. Dentro desse projeto, existem etapas de adaptação, evolução intermediária e ciclo avançado”, explica Anderson Téu, personal trainer e educador físico da Academia Gaviões.

    Sem a periodização, há risco de danos articulares e musculares. “Não se preparar para treinos intensos é muito mais perigoso do que se imagina.”

    É natural perceber mudanças no corpo em pouco tempo, mas grandes resultados exigem paciência. “A evolução vem da constância. O visual muda rapidamente quando começamos a treinar, mas o sucesso está na continuidade”, reforça Anderson.

    Continua após a publicidade

    O discurso que ajuda e o que atrapalha

    Resultados significativos podem, sim, acontecer, desde que haja acompanhamento profissional, estratégias adequadas e respeito ao funcionamento do corpo. “Precisamos pensar em uma alimentação regular, diversificada e que traga prazer e satisfação. É importante escutar o próprio corpo, quando queremos comer, o que queremos comer, e enxergar os alimentos de forma ampla, como fontes de nutrientes”, diz Bruna.

    “O ideal é buscar discursos mais educativos e realistas, além de procurar auxílio de profissionais comprometidos e atentos ao contexto, rotina, cultura alimentar e saúde mental, sem promessas milagrosas. Geralmente, discursos alarmantes podem prejudicar a relação com a alimentação”, comenta Isabela.

    Do ponto de vista do treino, por que não transformar essa prática em algo positivo? “Ao nos exercitarmos, geramos uma resposta biológica invisível, mas extremamente vantajosa. O corpo libera neurotransmissores que atuam diretamente no sistema de recompensa do cérebro. Quem pratica atividade física está sempre produzindo endorfina, dopamina e serotonina. Com isso, a saúde mental se mantém equilibrada, e é isso que sustenta a continuidade do hábito”, finaliza Anderson.

    Você também pode gostar de:

    Continua após a publicidade

    Assine a newsletter de CLAUDIA

    Receba seleções especiais de receitas, além das melhores dicas de amor & sexo. E o melhor: sem pagar nada. Inscreva-se abaixo para receber as nossas newsletters:

    Acompanhe o nosso WhatsApp

    Quer receber as últimas notícias, receitas e matérias incríveis de CLAUDIA direto no seu celular? É só se inscrever aqui, no nosso canal no WhatsApp

    Acesse as notícias através de nosso app 

    Com o aplicativo de CLAUDIA, disponível para iOS e Android, você confere as edições impressas na íntegra, e ainda ganha acesso ilimitado ao conteúdo dos apps de todos os títulos Abril, como Veja e Superinteressante.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA DE VERÃO

    Digital Completo

    Moda, beleza, autoconhecimento, mais de 11 mil receitas testadas e aprovadas, previsões diárias, semanais e mensais de astrologia!
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    OFERTA DE VERÃO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba Claudia impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.