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Por que o preço do café no Brasil subiu?

Nadia Nasr, do Café por Elas, fala sobre a alta do valor do café brasileiro sob o ponto de vista de quem produz o grão

Por Marina Marques Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 19 mar 2025, 19h23 - Publicado em 13 mar 2025, 09h00
Por que os preços do café no Brasil subiram?
Produtoras de café explicam fatores que contribuíram para a alta do preço dos grãos para o consumidor (jcomp/Freepik)
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Nos últimos meses, os consumidores brasileiros têm sentido no bolso o aumento do preço do café. Diversos fatores contribuíram para essa alta, incluindo condições climáticas adversas e interrupções na cadeia de suprimentos.

Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o grão moído teve uma alta de quase 50,35% no acumulado dos 12 meses até janeiro. Na variação mensal, a bebida ficou 8,56% mais cara em relação a dezembro de 2024.

Além disso, o preço médio do café Arábica, uma das duas principais espécies de café cultivadas no mundo, atingiu R$ 2.769,45 por saca, o recorde real foi renovado por cinco vezes apenas em fevereiro.

Essa alta se deve ao impacto de secas e geadas que afetaram as plantações de café em regiões de cultivo chave. O café já é o insumo que teve a maior alta de preço da cesta básica, com 37,4% em 2024 sobre o ano anterior, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).

Para Nadia Nasr, criadora do Café por Elas junto à irmã, Julia Nasr, esse impacto do clima é visível em suas produções. “Ao longo dos últimos anos temos sentido cada vez mais o impacto da crise climática nas produções de café no Brasil, enfrentando longos períodos de seca e calor excessivo e também chuvas em momentos críticos, como a época da colheita, por exemplo”, relata.

Café Por Elas
As irmãs Nadia e Julia Nasr na plantação de café junto de sua mãe, Abadia (Café por Elas/Divulgação)
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Segundo a criadora do Café por Elas, embora cada safra e cada produção tenha suas particularidades, o clima tem sido um desafio crescente para produtores de café em todo o país. “No nosso caso, trabalhamos com produtoras que têm investido em manejo sustentável e práticas agrícolas que ajudam a minimizar os impactos das mudanças climáticas, mas ainda assim os desafios são inegáveis.”

Na lavoura da marca, localizada em Dourado (SP) e formada exclusivamente por uma equipe de mulheres, as iniciativas em busca de qualidade e sustentabilidade não foram capazes de proteger as plantações das queimadas que se alastraram pelo centro do estado de São Paulo, além disso, diversas áreas da propriedade da empresa foram atingidas por fogo.

Aumento do custo de produção

Produtores locais também estão sentindo os efeitos do aumento dos custos associados à produção, incluindo fertilizantes e mão de obra. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou que o custo dos insumos agrícolas aumentou cerca de 15% no último ano, o que está impactando as margens de lucro para os produtores de café.

“A alta nos preços nos últimos anos é reflexo, principalmente, de quebras de safra em grandes regiões produtoras, o que reduz a oferta e pressiona os preços”, detalha a empresária.

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Nadia analisa que, o Brasil, maior produtor de café do mundo, teve sua produtividade fortemente afetada por fatores climáticos, assim como o Vietnã, que é o segundo maior produtor. No segmento de cafés especiais, há ainda o fator da valorização do trabalho das produtoras, a busca por mais transparência e práticas sustentáveis, que também influenciam no preço, mas garantem um café de maior qualidade e mais justo para toda a cadeia produtiva.

Os desafios de produzir café no Brasil

A alta do preço é apenas mais um capítulo da dificuldade de trabalhar com os grãos, já que produzir café no Brasil envolve desafios complexos, desde as questões climáticas até a viabilidade econômica da produção.

“Um dos principais desafios atualmente é a adaptação às mudanças climáticas, que têm tornado as safras mais imprevisíveis e exigido investimentos em novas práticas de cultivo”, explica Nadia. “Além disso, os custos de produção seguem aumentando, pressionando especialmente pequenos e médios produtores.”

Evento Casa Clã Mama 2024
Café por Elas na Casa Clã, maior evento feminino da Editora Abril (Flavio Santana/CLAUDIA)
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Outro ponto levantado pela empresária são as dificuldades enfrentadas por uma empresa no ramo formada apenas por uma equipe feminina, caso do Café por Elas.

“No caso das mulheres na cafeicultura, ainda há desafios extras, como o acesso a crédito e reconhecimento no mercado. No entanto, tento me manter otimista e focada em iniciativas cooperativistas e voltadas a capacitação, rastreabilidade e também a modelos mais sustentáveis de produção. Para, assim, construirmos um cenário mais resiliente para o futuro do café brasileiro”, finaliza.

O Café por Elas será uma das presenças confirmadas no Casa Clã 2025, maior evento feminino da Editora Abril que celebra o mês da mulher nos dias 21 e 22 de março, em São Paulo, com entrada grátis. Saiba todos os detalhes da programação da 3ª edição.

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