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Grazi Massafera estreia sua primeira vilã e afirma: “Eu sofro com essa personagem”

Aos 43, ela aproveita a maturidade e a consolidação da carreira — e estreia sua primeira grande vilã em Três Graças, nova novela das nove

Por Carol Castro
17 out 2025, 10h00 •
Grazi Massafera aparece com vestido preto e luvas pretas
Vestido Gucci; Sapatos Aquazzura e Luvas Acervo Casa Juisi (Julia Mataruna/CLAUDIA)
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  • Grazi Massafera se lembra de ser tirada do quentinho do berço todas as noites, lá pelas três da manhã. Lembra ainda de sentir o peito ofegante da mãe, e de ser entregue aos braços da tia por cima de uma cerca de arame farpado. Era parte da rotina dos pais, naquela época. Eles acordavam cedo, caminhavam até a casa da tia para deixar Grazi e os irmãos, e pegavam o caminhão até a plantação de café ou cana.

    “Eu tinha só 3 anos. E tenho essas memórias físicas, do quentinho, do peito ofegante, e de um medinho da cerca. Que loucura lembrar disso, né?”, conta.

    Algumas vezes, os filhos ficavam em casa, sob os cuidados de outro parente, em troca de algum dinheiro. Numa dessas, quando voltou da roça, a mãe de Grazi a encontrou com uma cabeça de rato na boca.

    “A mulher que deveria estar cuidando de mim não estava cuidando. Aí eu, criança, achei um ratinho no chão e puxei a cabeça dele com a boca. Ela conta que quando viu aquilo decidiu que ia passar mais tempo com a gente”, lembra, aos risos. A mãe, que fazia roupas para os próprios filhos, virou costureira profissional, e o pai passou a trabalhar como pedreiro.

    Grazi Massafera ficou longe da TV para ter mais tempo com a filha

    Foto de Grazi Massafera com vestido de oncinha
    Vestido, Balmain; Colar e pulseira Bvlgari (Julia Mataruna/CLAUDIA)

    Mais de 20 anos depois, a atriz teria o mesmo desejo da mãe: passar mais tempo com Sofia (hoje com 13 anos), sua filha com o ator Cauã Reymond. Durante a pandemia, sentiu uma desconexão entre as duas e decidiu dar um tempo dos trabalhos. Passou três anos sem aceitar nenhum papel. Instigada pela amiga Taís Araújo, também aproveitou o tempo para estudar estruturas sociais e raciais.

    Só voltou aos sets de gravação em 2024, com a novela Dona Beja, da HBO Max, e com o longa Corrida dos Bichos, dirigido por Fernando Meirelles. Este ano, vive a rotina frenética das gravações de Três Graças, a nova novela das nove da Globo, que estreia no próximo dia 20.

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    Desta vez, a atriz interpreta o papel de uma vilã. Na trama, Grazi é Arminda, viúva de Rogério, ex-sócio da Fundação Ferette, que distribui remédios adulterados à população carente.

    “Eu sofro com essa personagem. Desde 2021, eu estudo muito sobre estrutura social. Despertei minha consciência para o todo, sei que as oportunidades aparecem mais para meninas brancas, como eu. Aí chega essa personagem, que é muito bacana de interpretar, mas é o oposto de tudo isso. E o corpo não entende que as emoções não são reais.”

    Da roça ao Projac: os concursos de beleza e o BBB mudaram a vida de Grazi

    Foto do rosto de Grazi Massafera
    Bolero Gustavo Silvestre/ Acervo Casa Juisi Colar (Julia Mataruna/CLAUDIA)

    Quase também não se tornou real a fama de Grazi. Por muito pouco, ela seria mais um nome anônimo em Jacarezinho, sua terra natal, no interior do Paraná.

    Aos 20 anos, depois de já ter desfilado e participado de alguns concursos, havia arrumado um trabalho com carteira assinada em uma loja de cosméticos — era cabeleireira, maquiadora e manicure. E tinha decidido aceitar aquele destino, por mais que ainda sonhasse com a vida artística.

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    “Às vezes eu ganhava um dinheiro desfilando, outras vezes não. Os prêmios dos concursos de beleza não pagavam nada. Eu não podia ficar mais naquela situação. Achei que já tinha dado”, conta.

    “Nessa época, eu levava meu almoço para o trabalho. E ia para a catedral, porque gosto muito do silêncio. E também porque tenho muita fé, mais do que religião. Passei meses ali, acendia minhas velinhas, projetava meus sonhos. Eram tão grandes que eu tinha vergonha de falar sobre eles em voz alta.”

    Foi por insistência de uma amiga que se inscreveu no Miss Paraná, em 2004. Seria sua última tentativa. A aposta final valeu a pena: Grazi levou o título para casa e representou o estado no concurso Miss Brasil, no qual ficou em terceiro lugar. No ano seguinte, fez parte do elenco da quinta edição do Big Brother Brasil e chegou às finais.

    Se, lá dentro, alguns colegas repetiam o estereótipo de “loira burra” das modelos, fora do confinamento, Grazi encontrou um Brasil apaixonado pelo seu jeitinho humilde e carismático. Não tinha mais volta — a partir dali, a fama a acompanharia onde quer que fosse.

    O preconceito que Grazi Massafera enfrentou por ser ex-BBB ao começar a atuar

    Foto de Grazi Massafera com top de brilhantes
    Top, saia e sapato Dolce & Gabbana (Julia Mataruna/CLAUDIA)
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    A nova celebridade ganhou sua primeira oportunidade como atriz, já no ano seguinte, em 2006 — e no horário mais almejado da emissora: a novela das nove. Manoel Carlos ofereceu a ela o papel da caipira Thelminha, em Páginas da Vida.

    Foi o primeiro encontro de Grazi com os preconceitos por ser uma ex-BBB. Por mais que tenha ganhado prêmio de atriz revelação, no Domingão do Faustão, a paranaense recebeu críticas e sofreu rejeição de outros colegas. “Hoje é cool ser ex-BBB. Quando eu entrei, era brega”, conta. Em entrevistas a outros veículos, em diversas oportunidades, Grazi contou sobre os boicotes que sofreu.

    “Em minha primeira cena de choro, uma colega do elenco ficou atrás do câmera, me encarou e sussurrou: ‘Você não vai conseguir!’. Quando ganhei o troféu de atriz revelação, encontrei um ator veterano nos bastidores e fui cumprimentá-lo. Ele virou a cara e disse: ‘Olha só essa big brother… Em que mundo estamos?’.

    Já teve ator que disse na minha cara: ‘Não contraceno com ex-BBB’”, contou, em 2016, em uma entrevista. Recentemente, ao jornal O Globo, ela entregou alguns nomes: José Wilker (falecido em 2014), Miguel Falabella e Otávio Augusto. Segundo ela, os dois últimos se retrataram poucos anos depois.

    Mesmo com as críticas, ela persistiu com a carreira. Participou de mais duas novelas nos anos seguintes — Negócio da China e Desejo Proibido —, até atuar, em 2010, na novela das sete com um dos piores índices de audiência da história da emissora, Tempos Modernos. Na trama, Grazi interpretava a vilã Deodora.

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    “Aquilo lá não era vilão, não era nada, era um robô. Mas o fracasso também faz parte do processo, também é criativo. A gente não pode acreditar muito no fracasso, nem muito no sucesso. E foi um fracasso de todo mundo, da novela inteira. Fracassamos todos juntos. Se fosse só comigo ia ser pior”, afirma.

    “Não existem críticos piores do que minha mãe e meus irmãos. Podem até tentar, vocês não vão chegar nem perto (risos). A galera do interior é dura tanto para receber quanto para resistir. Juro, as críticas não me abalavam. Me abala muito mais não saber se faço as coisas por vaidade, pelo dinheiro, enfim, não saber por que estou fazendo meu trabalho.”

    Com a dureza e persistência do interior, uma filha pequena e um divórcio conturbado, Grazi achou força para dedicar tempo aos estudos. Em 2014, participou de um curso de interpretação do argentino Juan Carlos Corazza, em Madri. Começaria ali a virada na carreira.

    A importância de “Verdades Secretas” para Grazi Massafera

    Foto do rosto de Grazi Massafera. Ela é branca e tem o cabelo loiro escuro
    Conjunto Gianni Versace/ Acervo Alexandre Stefani (Julia Mataruna/CLAUDIA)

    Em vez de aceitar o convite para fazer parte do time do Video Show, ela topou interpretar Larissa, uma modelo decadente viciada em drogas, na novela Verdades Secretas. Com uma atuação primorosa, Grazi conquistou prêmios e o respeito dos colegas — chegou a ser indicada ao Emmy Internacional na categoria de melhor atriz.

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    “Eu comecei a ter prazer no trabalho com Verdades Secretas, foi uma virada de chave. Eu senti a magia do set. Não só porque explodiu, mas eu ganhei um respeito que não tinha ainda. O clima no set mudou, as pessoas baixavam a voz quando eu chegava, me respeitavam. E, como sou muito concentrada, quando percebi aquela mudança me questionei se estava fazendo bem o papel”, conta.

    “E era um papel com algo social também. É a realidade das pessoas que estão hoje na Cracolândia. Isso me fez absorver mais a personagem. Todo projeto e papel podem criar reflexões sociais importantes, isso me deixa estimulada.”

    Foi por essa mesma época, dez anos atrás, que Grazi se encontrou com o yoga — prática que faz parte da vida da atriz, mas que anda atropelada pela rotina diária de gravações.

    “O yoga entrou na minha vida de forma espiritual. Pelas postagens que faço parece algo físico, porque é legal fazer uma postura, mas isso exige uma concentração, uma mente junto com o corpo, toda uma energia de respiração. A prática ajuda a me regular, a filtrar emoções, a respeitar as minhas limitações físicas e mentais. E me ajuda também a ser uma melhor atriz, porque quando estou em cena me isolo de todo som externo”, diz.

    Vida no campo, conexão com a infância e yoga

    Foto de Grazi Massafera com top e saia brilhantes
    Top, saia e sapato Dolce & Gabbana (Julia Mataruna/CLAUDIA)

    A menina e a adolescente de Jacarezinho ainda revisitam Grazi na vida adulta — e não apenas no sotaque característico do interior do sudeste brasileiro. Na infância, para não dar trabalho para a mãe, ela escondia até inflamações na garganta. No set, no fim de setembro, omitiu de todos os colegas que sentia dor em uma das vértebras.

    “Tive um estresse, fiquei mexida e o corpo acompanhou. Dei um mal jeito nessa vértebra aqui [mostra um calombo perto dos ombros] e inflamou. Eu não queria que ninguém visse. Olha que negligência! Lembrei da minha infância, quando escondia a dor de garganta da minha mãe.”

    Nas maquiagens e nos ajustes do cabelo, quem aparece é a Grazi dos tempos de salão de beleza. Entre uma troca e outra com o maquiador Lavoisier, antes do início da sessão de fotos desta reportagem, ele a desafiou a passar o próprio delineador. “Ah, agora você me desafiou. Vou fazer uma mulher gata para você. Mexe com a filha da Creuza que você vai ver”, brincou.

    É no futuro, no entanto, que a antiga Grazi de Jacarezinho quer ser ainda mais presente. A atriz não sabe onde, nem quando, mas sonha em um dia comprar um sítio, com um rio, muitos bichos e fruta para pegar do pé.

    “Na minha infância eu tive codorna, cobra d’água, tatu, coelho, gato, cachorro, periquito, papagaio. Tudo! Eu gosto de bicho. Adoro bichinho, a Sofia é enlouquecida também, na minha casa eu tenho três cachorros e um gato, eu tenho que me segurar.”

    Até lá, há tempo — e Grazi ainda tem muitos personagens para interpretar, longas para gravar e uma filha para inspirar. “Quero fazer minha filha ter orgulho de mim, deixar o meu nome num lugar especial para ela”, finaliza.

    Créditos

    • Foto Julia Mataruna
    • Styling Fred Rocha
    • Beleza Lavoisier
    • Direção de arte Kareen Sayuri

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