Seu Signo lê Claudia: por apenas R$ 5,99

Eliana vive nova fase na TV Globo e revela reinvenção pessoal

Prestes a estrear um programa de auditório, a apresentadora debate feminismo, liberdade e a busca constante por desafios

Por Beatriz Lourenço 13 mar 2026, 10h00 •
Eliana inicia nova fase com o programa "Em Família com Eliana" aos domingos, prometendo um formato inédito
Eliana inicia nova fase com o programa "Em Família com Eliana" aos domingos, prometendo um formato inédito (Camila Tuon/CLAUDIA)
Continua após publicidade
  • Era quarta-feira de cinzas e Eliana decidiu trabalhar. Chegou ao estúdio para realizar este ensaio de capa um tanto reservada, mas solícita com toda a equipe. Ali, seu maior desafio era se enxergar de uma forma ineditamente ousada: uma mulher que reflete poder, conhecimento e está pronta para viver sua melhor fase.

    As poses guiadas pela fotógrafa Camila Tuon e os looks pensados pela stylist Milena Ricciardi vieram como provocações. A apresentadora decidiu embarcar no desconhecido e se surpreendeu com o resultado. “Foi um exercício de liberdade. E isso é o que venho fazendo na minha vida. Nem sempre é bom estar na zona de conforto — mesmo quando estamos sentadas em uma boa cadeira, precisamos nos movimentar para aquele lugar não incomodar”, reflete. 

    Eliana inicia nova fase com o programa
    Reinvencão de Carreira: Aos 50 anos, Eliana reflete sobre sair da zona de conforto e a importância da adaptação ao longo de mais de três décadas de TV (Camila Tuon/CLAUDIA)

    No dia 15 deste mês, a comunicadora fará movimentações ainda maiores: retorna às tardes de domingo, às 14h30, desta vez na TV Globo, com seu novo programa, Em Família com Eliana. “A primeira fase vai reunir as famílias musicais mais talentosas do nosso país. Estamos viajando para trazer essas pessoas para o palco”, comenta.

    Durante a conversa, faz questão de enfatizar que família é uma unidade ampla — independentemente de sua formação. “Assim é o Brasil. Onde existe amor, há uma família.” Apesar de já conhecido, o formato com auditório ainda traz um friozinho na barriga: “Se perder isso, acaba a magia da profissão. Essa sensação tem a ver com meu desejo de fazer sempre o melhor, de aprimorar o meu trabalho e de evoluir como profissional.” 

    Aos 50 anos, Eliana reflete sobre sair da zona de conforto e a importância da adaptação ao longo de mais de três décadas de TV
    A apresentadora se posiciona publicamente sobre direitos femininos e sexualidade, afirmando que “o feminismo salva vidas” (Camila Tuon/CLAUDIA)

    Sonho de criança

    Quando soube que entrevistaria Eliana, fui transportada aos meus dez anos. Na época, meus olhos brilhavam por um garoto da escola e a trilha sonora que acompanhava aquele momento era a música Pra Ver Se Cola, do disco Eliana 2001. Hoje, aos 30, ela segue falando comigo — e com diversas gerações – agora sobre sexualidade, maturidade e sociedade.

    Continua após a publicidade

    “Isso acontece porque as pessoas foram percebendo a minha coerência e confiam naquilo que digo. Não imaginava ter uma carreira tão longeva, mas queria deixar bons frutos no tempo que durasse.”

    De fato, Eliana construiu uma imagem sólida, se reinventando ao longo de mais de três décadas. Ainda criança, nos anos 1980, integrou o grupo A Patotinha, e rapidamente migrou para a apresentação infantil. Estreou no SBT, onde permaneceu por sete anos, consolidando sua presença marcante na tela.

    Aos 50 anos, Eliana reflete sobre sair da zona de conforto e a importância da adaptação ao longo de mais de três décadas de TV
    Além da TV, Eliana revelou paixão por psicologia e experiência como empresária no ramo editorial, destacando sua versatilidade (Camila Tuon/CLAUDIA)

    Silvio Santos foi um grande visionário ao me ver como apresentadora. Eu era cantora e não sabia que tinha essa desenvoltura de me comunicar com um grande público. Bons profissionais me ajudaram a chegar até aqui. E o Silvio foi quem me deu a primeira chance.” A passagem pela Record foi especial, lá apresentou Eliana e Alegria, que misturava jogos, reportagens e esquetes divertidas — ao seu lado, atuavam os humoristas Chiquinho (Edílson Oliveira) e Pitoco (Hélio Afonso). 

    Durante esse período, a responsabilidade de dialogar diretamente com os pequenos era prioridade. Isso porque sabia que seria ouvida por milhões de pessoas. Ela partiu, portanto, do que considera acertos na própria educação.

    “Sempre fui ensinada a ter respeito e empatia. Tinha noção de que ensinar e entreter era um caminho seguro para mim e para quem me assistia“, lembra. “Eu era uma criança que brincava muito na rua e fazia brinquedos com sucata, então quis passar essa criatividade na hora de entrar naqueles lares.”

    Continua após a publicidade

    O sucesso foi certeiro: lançou discos, produtos licenciados e tornou-se referência cultural. Sua presença foi além do entretenimento e ela construiu uma identidade própria, com linguagem acessível, carisma e afetividade. 

    Coragem para mudar

    A partir dos anos 2000, a estrela passou por uma transição estratégica bem-sucedida: migrou para o entretenimento familiar e adulto. O movimento mostrou maturidade de carreira e inteligência artística, permitindo um reposicionamento sem perder relevância. Seus programas abordaram comportamento, histórias de vida, quadros sociais e cultura popular, ampliando seu público e influência.

    A apresentadora se posiciona publicamente sobre direitos femininos e sexualidade, afirmando que
    “Não imaginava ter uma carreira tão longeva, mas queria deixar bons frutos no tempo que durasse”, revela Eliana. (Camila Tuon/CLAUDIA)

    A grade infantil foi extinta da televisão, principalmente por razões comerciais. Nesse movimento, eu expandia ou me extinguia. É como a teoria da evolução. Essa foi a transição mais importante da minha carreira”, revela. “Mas tive muito medo.” 

    Ao sugerir se comunicar com adultos, ela precisava estar pronta. Além da terapia, Eliana precisou ir a uma fonoaudióloga para mudar a impostação de voz e também uma sexóloga, para ajudar na transição menina-mulher e mudar a forma de se comportar em cena.

    Continua após a publicidade

    “Quando a gente fala com criança, tende a ter a voz mais doce. Após 16 anos fazendo isso, a minha era mais aguda e fina. Antes eu não usava batom vermelho, as unhas eram clarinhas e as roupas sempre cuidadosas. Nessa hora, tive que deixar a mulher em mim aflorar.”

    Mais recentemente, sua trajetória ganhou um novo capítulo com a mudança para a Globo, sendo reconhecida como uma figura central da televisão brasileira. “O desejo de mudar veio da vontade de me desafiar e de experimentar novos ares. Eu estava há muitos anos no mesmo lugar com as mesmas pessoas”, comenta. “Quando fiz 50 anos, passei a ressignificar uma série de coisas que já tinha feito e o que ainda desejava fazer. Até que percebi que onde estava não me dava mais possibilidades para ampliar meu repertório.”

    Feminista, sim

    Foi no Saia Justa, do GNT, que a linguagem ganhou outro tom: mais pessoal, com opiniões próprias. É comum um papo aberto sobre temas como relacionamentos e sexo. No começo, precisou estudar, ler livros sobre assuntos variados e se atualizar diariamente. “Foi como se eu tivesse voltado à faculdade”, lembra.

    Expressar publicamente suas opiniões foi algo inédito para quem prefere guardar questões políticas para si. Ainda assim, Eliana defende temas caros: direitos femininos e educação. “Já chorei! Nossa, que delícia. Acontece, acontece. É um negócio muito forte. Você também pode chegar nessa emoção sozinha”, disse em um dos episódios ao relatar um orgasmo.

    Aos 50 anos, Eliana reflete sobre sair da zona de conforto e a importância da adaptação ao longo de mais de três décadas de TV
    Além da terapia, Eliana precisou ir a uma fonoaudióloga para mudar a impostação de voz e também uma sexóloga, para ajudar na transição menina-mulher e mudar a forma de se comportar em cena (Camila Tuon/CLAUDIA)
    Continua após a publicidade

    “Falo sobre isso porque faz parte da minha vida e porque durante muito tempo a sexualidade feminina foi um tabu. O silêncio não protege, ele alimenta o medo, a desinformação, a insegurança e a culpa. Educar sobre sexualidade é informar o que é abuso. Ainda hoje, há quem relacione o desejo à vulgaridade.”

    É preciso lembrar que, em 2025, dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública revelaram que o número de feminicídios bateu recorde. Ao todo, foram 1.470 casos de janeiro a dezembro — o que significa quatro mulheres mortas por dia.

    Para ela, ser feminista é uma forma de combater a violência e lutar por políticas públicas que protejam os corpos femininos. “O mundo precisa entender que ser feminista não é uma questão ideológica, é uma questão concreta de sobrevivência. O feminismo salva vidas.” 

    A mãe de Manuela e Arthur reforça que, em casa, ensina que os direitos e deveres devem ser iguais. Segundo ela, crianças crescendo sem violência e famílias baseadas em respeito são essenciais. “A gente precisa de igualdade em todas as áreas para sobreviver. Nesse sentido, o feminismo não é contra homens nem contra a família. Ele é a favor de relações saudáveis e de homens livres da pressão de serem dominantes. Defendo o direito básico de viver sem medo.”

    Além da TV, Eliana revelou paixão por psicologia e experiência como empresária no ramo editorial, destacando sua versatilidade
    Eliana embarca em nova fase na TV Globo com “Em Família”, desafiando-se aos 50 anos e explorando temas como poder e liberdade (Camila Tuon/CLAUDIA)
    Continua após a publicidade

    O autocuidado também passa por entender como ignorar a pressão estética e não se deixar levar como os outros julgam sua aparência — envelhecer, portanto, está ligado à manutenção de uma vida saudável.

    Tenho uma geriatra que cuida de mim porque penso na longevidade. Quero ser como a minha avó paterna, que viveu até os 101 anos. Não costumo pensar sobre rugas e cabelos brancos. Foco em saúde mental e física. Se eu quiser fazer determinados procedimentos, que eu faça pelo meu desejo, não por uma imposição.”

    Mulher múltipla

    Durante seu primeiro ano na Globo, a apresentadora comandou o reality show The Masked Singer, o especial de Black Friday Vem que Tem, além das entrevistas em Casa de Verão da Eliana — o que exigiu muito jogo de cintura e capacidade de adaptação.

    O esforço a deixou orgulhosa de si mesma: “Somos muitas em uma só. Mostrei várias faces de mim e eu mesma consegui me conhecer publicamente. É fantástico estar nesse lugar.” 

    Outro lado que poucos sabem é que a empresária já comandou uma editora de livros, a Master Books. Durante 10 anos, lançou títulos como a biografia do cineasta Fernando Meirelles, um compilado da grafiteira Nina Pandolfo e uma obra que conta a história da cantora Elis Regina.

    Eliana
    Eliana celebra nova fase na Globo (Camila Tuon/CLAUDIA)

    “Foi enriquecedor criar narrativas que vão ficar para a história. Meus filhos vão ter orgulho de mim.” Essa multiplicidade dialoga com a dedicação de cada passo que deu. Até porque o desejo de ser artista nasceu logo que começou a se alfabetizar. “É o que sempre sonhei. Amo o meu ofício.”

    Em paralelo, a psicologia permeou como uma paixão — e confessa que as aulas que teve na instituição FMU a ajudaram nas relações da rotina. “Até posso me ver um dia num consultório como psicóloga, mas vou ter sempre essa alma de artista. É a minha essência, sempre foi.”

    Ao final do ensaio, Eliana estava ansiosa para ver o resultado: “Depois de tantas fotos, tantas capas e tantas coisas que eu já fiz, é um desafio fazer algo diferente. A gente tem que se jogar, né?!” Que o novo programa seja tão bem-sucedido quanto essas fotos.

    5 perfumes que transmitem autoridade e elegância no trabalho

     Assine a newsletter de CLAUDIA

    Receba seleções especiais de receitas, além das melhores dicas de amor & sexo. E o melhor: sem pagar nada. Inscreva-se abaixo para receber as nossas newsletters:

    Acompanhe o nosso WhatsApp

    Quer receber as últimas notícias, receitas e matérias incríveis de CLAUDIA direto no seu celular? É só se inscrever aqui, no nosso canal no WhatsApp

    Acesse as notícias através de nosso app 

    Com o aplicativo de CLAUDIA, disponível para iOS e Android, você confere as edições impressas na íntegra, e ainda ganha acesso ilimitado ao conteúdo dos apps de todos os títulos Abril, como Veja e Superinteressante.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    Moda, beleza, autoconhecimento, mais de 11 mil receitas testadas e aprovadas, previsões diárias, semanais e mensais de astrologia!
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba Claudia impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).