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Por que me tornei vegetariana?

Uma resposta que todo vegetariano precisa ter na ponta da língua para explicar suas decisões

Por Stefanie Silveira (colunista)
7 mar 2016, 11h46 • Atualizado em 21 jan 2020, 13h42
NLshop / Thinkstock (/)
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  • Quando você é vegetariano/vegano precisa estar preparado para responder uma série de perguntas toda vez que for dividir uma refeição com alguém que não está familiarizado com seus hábitos alimentares.

    A principal delas é: por que? E explicar pode não ser uma tarefa fácil, principalmente enquanto saboreia um suculento bife. No meu caso, a resposta é compaixão.

    Para explicar melhor, vou fazer um comparativo com o carnívoro mais consciente que conheço e talvez o sujeito mais atento às mazelas da indústria alimentícia, o jornalista e escritor Michael Pollan. 

    No primeiro episódio da série Cooked (disponível no Netflix e altamente recomendada por sinal), Pollan se dedica a explicar a relação do homem com o fogo e o quanto o domínio da técnica de cozinhar o alimento foi definitivo para a evolução da nossa espécie.

    “Nenhuma outra espécie cozinha e quando aprendemos a cozinhar é que nos tornamos realmente humanos”, diz Pollan.

    [youtube https://www.youtube.com/watch?v=1egakDysyFI%5D

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    O problema todo é que ao longo do desenvolvimento da espécie, nós perdemos contato com a forma pela qual a comida chega ao nosso prato, diz Pollan. Para ele, toda pessoa que come carne deve experimentar pelo menos uma vez participar de uma caçada. É uma forma de relembrar de onde vem a comida que você come.

    “Nós chamamos de bacon, não de porco. Chamamos bife, não vaca. Estamos sempre tentando nos distanciar dessa ideia. Se você vê a comida na forma de nugget de frango pode se esquecer completamente de que havia uma galinha no início do processo.” 

    E é neste ponto em que Pollan explica sua visão sobre o consumo de animais. Uma fazendeira que cria porcos livres e que cuida do seu bem estar aparece comentando o cuidado que tem para os animais tenham somente “um dia ruim na vida”.

    “Acho que todos nós devemos lidar com o fato de que quando comemos carne estamos comendo um animal morto. É importante”, comenta ele enquanto cozinha um porco inteiro no quintal de casa e começa a falar sobre a importância da procedência da carne.

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    Thinkstock
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    Pollan é contrário ao que chama de ‘animal commoditie’, que são aqueles criados em gigantesca quantidade, confinados em espaços minúsculos e forçados a comer o tempo todo para que engordem rapidamente. “Já estive nestes locais e eles são uma visão do inferno.”

    Afinal, o que é a carne que consumimos? 

    Realmente, se você compara as imagens dos porcos criados livres pela fazendeira que citei acima com as imagens dos criadouros de grandes frigoríficos a diferença é gritante. 

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    “Escondemos a carne e a forma como os animais são tratados atrás de muros altos de matadouros e currais de engorda. Não lidamos com as consequências cármicas disso. Tenho dificuldade de justificar a maior parte do nosso consumo de carne, mas já visitei muitas fazendas em que os animais vivem o tipo de vida que devem viver e onde têm somente ‘um dia ruim’. Esse tipo de produção é algo que posso e quero apoiar.”

    E aí vem a diferença entre a minha opção e a de Pollan. Se o conhecimento sobre as condições infernais de criação e produção de carne na grande indústria servir para que menos animais sejam abatidos e os que forem tenham pelo menos tido uma vida melhor, isso certamente será um avanço muito importante . 

    A diferença é que eu não acredito que seja justo que um animal precise morrer para satisfazer um simples desejo do meu paladar. Não creio que o meu paladar seja mais importante que a vida de um ser consciente, inteligente, capaz de sentir dor, medo e expressar sentimentos como o luto, por exemplo.

    Se a caçada e o consumo de carne foram importantes para que o homem evoluísse na pré-história, hoje, nada justifica a continuidade desse comportamento. Somos plenamente capazes de viver sem explorar outras espécies, trazendo ao planeta benefícios ambientais e de pacificação.

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    Fazer a escolha de não comer carne por compaixão (além dos aspectos ambientais) é parte de uma visão de mundo pacifista que não acredita na superioridade de uma espécie, ou ainda, que não crê que uma vida seja mais importante do que a outra, seja ela de outro humano ou animal.

    Se pudermos ter uma relação menos exploratória com o planeta, preservando seus recursos e espécies naturais, derrubando a ideia de supremacia do homem sobre a natureza, certamente chegaremos a um futuro mais sustentável e pacífico em todos os aspectos.

    E é por isso que eu não como carne e numa visão mais extensa sobre a exploração animal, é por isso que veganos não consomem nenhum tipo de produto derivado de animais. No entanto, não há aqui nenhuma ideia de qual opção é melhor ou pior que a outra. Pense você como eu, como Pollan ou de outro jeito, o importante é sempre estar consciente sobre a sua decisão. 

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