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Quanto você gasta com as crianças?

O custo de cuidar dos filhos se tornou tão alto que está ficando inviável para muitas mulheres se manter no trabalho. Quem perde é a igualdade de gênero

Por Paola Carvalho com oferecimento de BTG Pactual
Atualizado em 10 Maio 2024, 18h19 - Publicado em 11 mar 2024, 11h17
quanto gastamos com crianças
Certamente, hoje gastamos mais com as crianças do que no passado. Vamos comparar? (Getty Images/Getty Images)
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Quase todo sábado vejo uma mesma cena: a minha avó, sentadinha no sofá, empolgada em ver a neta e o bisneto chegarem juntos na casa dela. Aos 95 anos, miudinha, reclama do novo andador enquanto está sintonizada na TV e em tudo mais o que acontece à sua volta. Lúcida! Sábia! Resiliente! Outro dia, com seu carregado sotaque mineiro, tentou dizer em voz alta: “Pensa em tudo o que já fiz, nossenhora”. Nesse momento, me lembrei do meu pai e das minhas três tias contando com brilho nos olhos sobre como ela se dedicou ao trabalho de cuidar da família. Me pus a pensar, então, sobre como era a rotina de uma mãe de crianças e adolescentes por volta dos anos 1960. Você já para pensar quanto gasta com as crianças, versus estes custos no passado?

A comparação com este século, em que estamos agora, me deu um nó na cabeça. Enquanto vovó, com o controle remoto em mãos, alternava entre assistir o Terço de Aparecida e Largados e Pelados, iniciei mentalmente uma lista de gastos que deveriam fazer parte do orçamento doméstico do passado. 

Ensino? Todos se formaram em renomadas escolas públicas. Colônia de férias? A meninada ocupava a rua. Brinquedos? Natureza. Escolinha de futebol? Qualquer lugar público com dois chinelos fazendo as vezes de trave já era o suficiente. Atividades extracurriculares? “Rouba bandeira” e “queimada” eram as coisas mais divertidas para se fazer após a aula. Eletrônicos? Rádio ou TV na hora da novela, do noticiário e do futebol.

E quem cuidava dessa criançada, gente? A tia, a prima, a vizinha, as amigas da igreja, o dono da mercearia… Plano de saúde? Com o celular em mãos, até “dei um Google” para descobrir quando a tradicional Unimed foi fundada. Resposta da busca: 1975. Hum, seguimos. Terapia? Claro que não! Aparelho invisível para os dentes? Menos ainda. Roupas? Certamente muito menos do que agora. 

É… no tempo dos nossos avós, talvez de nossos pais, a planilha de gastos com os filhos era bem diferente. As últimas férias escolares evidenciaram que o cuidado com os pequenos é mesmo uma grande responsabilidade, muitas vezes solitária e não mais coletiva, um desafio gigante diante de um contexto social e econômico centrado no papel dos pais — ou apenas da mãe, é preciso dizer. 

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Diferentes institutos de pesquisa têm divulgado dados que apontam retrocessos sobre a condição financeira das mulheres e, consequentemente, de sua autonomia.

“Creches ficam mais caras, dificultam o trabalho de mulheres e limitam toda a economia”, dizia o título de uma matéria de jornal de uma segunda-feira qualquer. O levantamento da ECA International apontou que a alta dos custos de cuidados infantis no mundo é um dos fatores que tira 10% do PIB global, graças à menor participação feminina no mercado de trabalho.

Segundo a Bloomberg Economics, estima-se que a economia perde US$ 237 bilhões por ano nos Estados Unidos e € 242 bilhões na União Europeia em razão da redução das cargas de trabalho das mulheres para cuidar dos filhos.

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Para não trabalhar apenas para pagar escola, muitas mulheres estão optando por reduzir a carga horária, renunciar a promoções ou até mesmo desistir de tudo e ficar em casa.

Também por razões econômicas e patriarcais, estão sendo “escolhidas” para cuidar dos idosos, já que manter um profissional nessa função é tão caro ou mais caro do que um salário. 

Agora é assim: toda vez que aguardo a água ferver para passar o café no coador de pano na casa da vovó, me pego refletindo sobre a evolução das responsabilidades e dos custos associados ao cuidado dos filhos e de todos.

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E como isso dita o dia a dia das mulheres e de toda a sociedade. É crucial reconhecer os desafios contemporâneos — e a pressão financeira certamente é um deles. 

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