Oferta Relâmpago: Claudia por apenas 5,99

Por elas: 6 mulheres avaliam o atual momento econômico do país

Economistas que atuam em diversas frentes de trabalho e pensamento fazem uma avaliação aprofundada e contam suas expectativas para as eleições

Por Paola Carvalho
9 set 2022, 08h21 • Atualizado em 29 set 2022, 22h11
economistas
Reflexão se torna ainda mais persistente à medida que o dia de eleger o próximo presidente se aproxima. (Fotos: Acervo Pessoal. Ilustrações:/Getty Images)
Continua após publicidade
  • Se você sentiu o aumento dos preços dos alimentos, ficou insegura quanto à sua estabilidade no emprego, assustou-se com o valor na bomba de combustível e se indignou com a situação de moradores de rua, pode-se dizer que você faz parte do grupo de pessoas que está antenado aos problemas centrais para a melhora de vida dos brasileiros e da perspectiva de crescimento econômico. Essa reflexão se torna ainda mais persistente à medida que o dia de eleger o próximo presidente se aproxima. Opiniões podem ser divergentes, claro. Existe, entretanto, um ponto comum: é preciso garantir bem-estar social de forma menos desigual.

    Para aprofundar a questão de forma diversa, CLAUDIA ouviu seis economistas que são referências nacionais: Ana Carla Abrão, líder na consultoria de gestão Oliver Wyman e membro do conselho da B3; Gaby Chaves, fundadora do NoFront; Juliane Furno, doutora em desenvolvimento econômico e militante do Levante da Juventude; Simone Deos, professora de economia da Unicamp; Vilma Pinto, diretora da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal; e Zeina Latif, que foi economista-chefe da XP Investimentos e hoje é secretária de Desenvolvimento Econômico de São Paulo.

    economistas-materia-vertical-interna-2
    Gaby Chaves, fundadora do No Front: Empoderamento Financeiro. (Foto: Acervo Pessoal. Ilustração:/Getty Images)

    O desmantelamento de políticas públicas, o aumento da precarização do trabalho, a queda da renda média do brasileiro e o retrocesso das conquistas econômicas das mulheres, na visão de Gaby Chaves, são os fatores que mais afetam a maior parte da população: “Apesar de o mundo estar vivendo uma crise, o Brasil podia ter dado respostas diferentes até aqui. A pandemia aprofundou problemas estruturais da sociedade, sobretudo racismo e desigualdade de gênero: negros e mulheres estão sendo mais impactados”.

    Uma estatística é capaz de reunir as questões apontadas por Gaby. Segundo o Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made/USP), os 705 mil homens brancos que fazem parte do 1% mais rico do país e representam 0,56% da população adulta têm 15,3% de toda a renda, uma fatia maior do que a de todas as mulheres negras adultas juntas. Eles têm renda média mensal de R$ 114.944,50, enquanto elas têm R$ 1.691,45.

    Continua após a publicidade
    Simone Deos
    Simone Deos, professora de economia da Unicamp. (Foto: Acervo Pessoal. Ilustração:/Getty Images)

    Se não é verdade que fazer a economia crescer significa reduzir desigualdades sociais, por outro lado, reforça Juliane Furno, quando não há avanço, agravam-se os problemas seculares. “Se o PIB não cresce, gera menos estímulo ao investimento público e privado. E, por excelência, é ele que gera emprego, que, por sua vez, aumenta a renda do trabalhador, que passa a consumir mais, girando a roda da economia”, explica ela. Para Juliane, o Brasil atravessa a pior crise econômica dos últimos tempos, pois ela vem seguida da menor capacidade de recuperação. Quando a pandemia foi iniciada em 2019, o país ainda não tinha se restabelecido do tombo registrado em 2015 e 2016, quando o PIB caiu 3,55% e 3,28%.

    Juliane Furno
    Juliane Furno, doutora em desenvolvimento econômico. (Foto: Acervo Pessoal. Ilustração:/Getty Images)
    Continua após a publicidade

    Nos anos seguintes, os avanços foram de apenas 1,32% (2017), 1,78% (2018) e 1,41% (2019). Em 2020, já com os efeitos da Covid-19, a queda foi de 4,06%. O aumento de 4,6% em 2021 não foi o suficiente para mudar a rota. As projeções do Banco Central apontam crescimento de 2% neste ano, e 0,4% no próximo. “Isso vem marcando um projeto de futuro: uma economia que não cresce e uma desigualdade que se acelera”, afirma.

    Zeina Latif
    Zeina Latif, Secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo. (Foto: Acervo Pessoal; Ilustração:/Getty Images)

    E essa é apenas uma das muitas fragilidades atacadas por Juliane e as demais economistas. “O que aconteceu no Brasil, que é muito importante que seja revisto em 2023, é a completa ausência do Estado em suas funções fundamentais”, pondera. Simone Deos concorda. Para ela, o mercado e o Estado são um conjunto. Em sua avaliação, é imperativo tirar as 33 milhões de pessoas da condição de fome, segundo a rede Penssan. “O cenário é cruel e indica a nossa falência como sociedade”, disse.

    Continua após a publicidade
    Ana Carla Abrão
    Ana Carla Abrão, membro do conselho da B3. (Foto: Acervo Pessoal. Ilustração:/Getty Images)

    Já Zeina Latif, que passou por diversas instituições financeiras, foi a economista-chefe da XP Investimentos e, hoje, é secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, avalia que, embora bem intencionadas, as intervenções estatais historicamente não respeitam o devido zelo. Para contornar os equívocos na gestão pública, segundo Zeina, seria necessário, no primeiro ano do próximo mandato presidencial, a apresentação da estratégia e da capacidade política para se avançar com reformas. “É essencial o sinal no sentido de respeitar e reforçar a disciplina fiscal do país”, disse.

    Vilma Pinto
    Vilma Pinto, diretora da IFI do Senado Federal. (Foto: Acervo Pessoal. Ilustração:/Getty Images)
    Continua após a publicidade

    Vilma, a primeira mulher a ocupar cargo de diretoria na Instituição Fiscal Independente (IFI), destaca a importância das regras fiscais. “São instrumentos capazes de contribuir com equilíbrio e sustentabilidade das contas públicas”, afirmou. Ana Carla Abrão pondera que, não se viabilizando um candidato de centro, o presidente governará um país dividido: “Espero que o sentimento de renovação que as eleições inserem suplante as dificuldades que um pleito dividido impõe e que, com isso, comecemos o novo ano com uma agenda de desenvolvimento social e econômico no topo das prioridades”. Uma certeza é: a economia é ferramenta para desenhar políticas públicas que tornem melhor a vida de todos, sem deixar ninguém para trás.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA DE VERÃO

    Digital Completo

    Moda, beleza, autoconhecimento, mais de 11 mil receitas testadas e aprovadas, previsões diárias, semanais e mensais de astrologia!
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    OFERTA DE VERÃO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba Claudia impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.