Os livros mais esperados de 2026 que todo mundo vai comentar
Com nomes como Annie Ernaux, Conceição Evaristo e Maya Angelou, o meio literário começa o ano com grandes promessas
No início de todo ano, é natural elaborarmos metas para o crescimento pessoal ao longo dos próximos meses. E, na lista de muita gente, está o desejo de ler mais. Além de ajudar a fugir das telas, é uma forma simples de estimular o cérebro, ampliar o repertório e promover o pensamento crítico.
E para quem já está se preparando para as próximas leituras, separamos uma seleção de lançamentos de 2026 pra você ficar de olho.
1. Os armários vazios, de Annie Ernaux
Esta é uma história de ruptura social. Denise Lesur tem vinte anos e é a primeira da família a frequentar o ensino superior. Os pais, proletários e com pouca instrução, pouco têm a ver com os burgueses educados e com acesso à cultura a que ela está prestes a se juntar.
Sozinha no dormitório, enquanto se recupera de um evento doloroso, Denise reflete sobre o próprio crescimento, os sacrifícios feitos pelos pais, o estranhamento cada vez maior em relação às origens e a raiva de se perceber marcada pelo fracasso.
Publicado originalmente em 1974, foi o primeiro romance de Ernaux e já traz sementes dos grandes temas de sua obra, como choque de classes, condição feminina e trauma, em um questionamento tenaz da identidade.
2. Meus Amigos, de Fredrik Backman
Romance nº 1 do New York Times, Backman está de volta com uma história ao mesmo tempo divertida e profundamente comovente sobre quatro adolescentes cuja amizade cria um laço tão poderoso que muda a vida de um completo estranho vinte e cinco anos depois.
3. Mulher em Queda, de Colleen Hoover
Petra Rose já foi um fenômeno editorial, mas, após a repercussão devastadora de uma adaptação de sua obra, perde credibilidade, público e até a vontade de escrever, tornando-se alvo de ódio viral. Tentando se reerguer, ela se refugia em uma cabana à beira de um lago para concluir um thriller capaz de salvar sua carreira.
A chegada de Nathaniel Saint, um detetive enigmático com notícias perturbadoras, desperta nela uma criatividade intensa e obsessiva.
Conforme a escrita avança, a fronteira entre ficção e realidade se dissolve: o personagem criado por Petra se parece demais com Nathaniel e parece assumir o controle da história, levando-a a questionar o que é real, o que é invenção e até onde irá para retomar a própria narrativa.
4. Literatura negra: uma poética de nossa afro-brasilidade, de Conceição Evaristo
Com pioneirismo e inovação acadêmica, Conceição Evaristo produziu, nos anos 1990, sua dissertação de mestrado sobre literatura negra, falando de si e de nós em um ambiente que ainda não dava a devida importância à autoria negra, ou sequer reconhecia essas produções como literatura.
Em Literatura negra: uma poética de nossa afro-brasilidade, a autora desenvolve o conceito de Escrevivência ao analisar poemas de autores negros dos séculos XIX e XX, com destaque para a poesia publicada nos Cadernos Negros.
5. O Professor De Auschwitz, de Wendy Holden
Baseado em uma história real, o livro acompanha Fredy Hirsch, um rapaz judeu e gay que, diante da brutalidade da Segunda Guerra Mundial, assume a tarefa quase impossível de levar esperança e alguma estrutura às crianças dentro do campo.
Ele tenta convencer oficiais da SS da importância de ambientes limpos e de um espaço mínimo para que os pequenos pudessem aprender e brincar.
6. Ter ou não ter filhos, de Ruth Manus
Na obra, a autora compartilha uma narrativa íntima e crítica sobre o dilema de ter ou não filhos, uma dúvida que atravessa gerações de mulheres.
A partir da própria experiência como mãe recente, ela aborda angústias, cobranças internas e sociais, alegrias e exaustões que acompanham a maternidade.
Mais do que um relato pessoal, o livro expõe as contradições de uma sociedade que exige mulheres empoderadas e inspiradoras, mas não oferece políticas públicas, divisão justa de responsabilidades nem condições reais de apoio.
7. Castelo De Vidro, de Stephen Kiernan
Uma história emocionante sobre sobreviventes em busca de recomeço no pós-Segunda Guerra. Inspirado na vida de Marc Chagall, Asher perde a família para a guerra e vaga pelos campos devastados até chegar ao enigmático e onírico Chateau Guerin, um santuário onde ex-combatentes lidam com seus traumas ao se unirem em torno de um objetivo comum: transformar areia em vidro para adornar, com vitrais, uma catedral francesa bombardeada.
8. O coração da noite, de Nathacha Appanah
Vencedor do Prêmio Femina 2025 (categoria principal de romance) e do Renaudot des Lycéens 2025, o livro narra a história de três mulheres vítimas de violência doméstica, entre elas a própria autora. Trata-se de um mergulho profundo em origens, feminicídio e confinamento.
9. O Império da IA: por dentro da corrida inconsequente pela dominação total, de Karen Hao
Uma das não ficções mais comentadas nos Estados Unidos em 2025, O império da IA narra bastidores da OpenAI, empresa pioneira no desenvolvimento de inteligência artificial e criadora do ChatGPT.
A jornalista Karen Hao mergulha nas disputas corporativas entre bilionários do Vale do Silício e na corrida das gigantes digitais pelo protagonismo na tecnologia.
O livro também critica o modelo de extração de dados, matéria-prima, energia e mão de obra barata de países pobres para alimentar a busca pela chamada “inteligência artificial geral”, que visa imitar a capacidade cognitiva humana.
10. Todas as filhas de Deus precisam de bons sapatos para a estrada, de Maya Angelou
No livro, Maya Angelou revisita o período em que viveu em Acra, em Gana, no início dos anos 1960, quando muitos afro-americanos buscavam no continente africano uma reconexão com suas origens.
Após passar pelo Cairo, ela seguiu para Gana para acompanhar o filho, Guy, então estudante, planejando ficar pouco tempo antes de partir sozinha para a Libéria, onde assumiria um trabalho institucional.
Um grave acidente sofrido por ele, porém, mudou seus planos: Angelou precisou permanecer por mais tempo no país, trabalhar para sustentar a si e ao filho em recuperação e criar raízes temporárias ali, experiência que se torna o eixo do livro.
Nesse percurso, ela reflete sobre identidade, pertencimento e maternidade, ao pensar o que significa ser negra, americana e estrangeira, enquanto aprofunda a metáfora dos “bons sapatos” como símbolo de liberdade e da possibilidade de seguir em frente, transformando a estrada em caminho.
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