Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br
Abril Day: Claudia por apenas 4,00

A Feira do Livro invade a Praça Charles Miller para celebrar a literatura

Depois de mudanças no mercado editorial, o evento surge como reflexo de um desejo coletivo para aproximar as pessoas dos livros de forma pública e gratuita

Por Paula Jacob
10 jun 2022, 08h47 •
A Feira do Livro, São Paulo, Letrux
Encerrando o evento, Letrux se junta a Renato Noguera e Maria Homem para falar de afetos no debate Climão de Amor, às 17h, no domingo | (Ana Alexandrino/Divulgação)
Continua após publicidade
  • Duvido que você tenha passado a pandemia sem a companhia de um livro (ou vários). Romances, dramas, suspenses, ficção científica, quadrinhos, não importa o formato ou o conteúdo: eles viraram companhia para muita gente, inclusive retomando aquele ótimo hábito de leitura na rotina. Com a vida lá fora tomando alguma forma, mesmo que ainda meio torta, a vontade de se reunir com outros leitores era quase uma consequência desse movimento. Prova disso é a super aceitação de editoras e escritores à Feira do Livro, que, entre 8 e 12 de junho, invade a Praça Charles Miller, em São Paulo, para celebrar e fomentar a literatura. 

    Idealizada pelo editor Paulo Werneck e pelo arquiteto Álvaro Razuk, o evento literário propõe uma troca simbólica, de carros por livros, com barraquinhas tomando conta do estacionamento em frente ao Estádio do Pacaembu. A entrada é gratuita e você poderá ver de perto títulos publicados por mais de 120 editoras e mesas de debates com autores que incluem Djamila Ribeiro, Ailton Krenak, Maria Homem, Mia Couto e Carla Madeira. “Nós recebemos poucos ‘nãos’ e isso é uma coisa rara na vida de um curador”, brinca Paulo, “foram muitas adversidades [nos últimos anos], parecia um desejo geral de fazer isso acontecer. A ideia não é original, mas me pergunto porque não fizemos isso antes. Por isso a adesão tão forte”.

    A Feira do Livro, São Paulo, Djamila Ribeiro
    A escritora e filósofa Djamila Ribeiro falará sobre seu livro “Cartas para a Minha Avó”, na sexta-feira, 10/06, às 19h, no Palco da Praça | (Flavio Teperman/Divulgação)

    A iniciativa, feita pela Associação Quatro Cinco Um e pela Maré Produções, tem uma curadoria pensada na diversidade – e não digo nem só sobre gênero e raça. “Não queríamos que a feira tivesse uma lógica de exclusividade, privilégio. Era importante termos uma certa isonomia nos expositores, com editoras de portes e perfis culturais dos mais variados.” Paulo destaca a presença da ISA, Instituto Socioambiental que possui um selo editorial para fomentar a produção literária e artística de povos originários no Brasil, e da Tabla, editora focada em publicações de autores do Oriente Médio e do Norte da África. Claro que, por lá, você também irá encontrar nomes mais conhecidos, como Companhia das Letras, Senac, Todavia, Fósforo, Ubu, Intrínseca e mais (e até algumas livrarias importantes para a cidade).

    E nada disso faria sentido sem uma organização do local também pensada por um viés de aproximação entre leitores-rua-editores-autores. “A ideia principal sempre foi fazer algo público, gratuito, com acesso: tirar os carros e dar espaço aos pedestres”, aponta Álvaro Razuk, responsável pela elaboração arquitetônica do evento. Sua expertise em Bienais e exposições de arte trouxe o olhar acolhedor e logístico para a ideia. “O espaço em si é um recinto arquitetônico, com total vocação para feiras e atividades culturais. Foi natural projetar essa cidadela: você chega pela parte mais baixa ou pelas escadarias laterais e já encontra conjuntos de tendas distribuídas, espaços de encontro, lugares de alimentação e banheiros.”

    Continua após a publicidade

    Tudo isso, segundo Álvaro, convida a população que não necessariamente é do círculo editorial ou literário a se sentir parte disso. “Museus e feiras sempre têm aquele impasse para você entrar. Muitas pessoas não frequentam esses lugares por conta disso [da arquitetura que se impõe no lugar de acolher].” Esse convite à aproximação teve apoio da Prefeitura e do Governo de São Paulo, com apoios institucionais importantes não só para colocar o evento no calendário oficial da cidade – uma segunda edição já é um sonho quase concreto –, mas também para ativar outros pontos culturais, como o Museu do Futebol e o Museu da Língua Portuguesa.

    A Feira do Livro, São Paulo, Miriam Alves
    A presença ilustre de Miriam Alves poderá ser contemplada (e ouvida) às 12h, na sexta-feira (10), na mesa “O Corpo e a Palavra”, com participação de Leda Maria Martins e mediação de Stephanie Borges | (Amanda Neri/Divulgação)

    Tamanho evento é também uma forma de comemorar os cinco anos bastante fortuitos da Quatro Cinco Um, publicação focada no universo literário da qual Paulo Werneck é diretor de redação. “Tudo no Brasil mudou nesses cinco anos, e numa visão mais ampla que a cultura propriamente dita. Quem gosta de ler, estudar, trabalha com jornalismo e arte passou a enfrentar uma perseguição institucional. O livro, portanto, se tornou uma plataforma de resistência muito forte: autores se posicionaram, leitores usaram os títulos como caixa de ressonância do pensamento”, pondera. Para ele, em um momento tão delicado tal qual vivemos no país hoje, esse contato com a literatura foi crucial. “O livro tem um poder forte de transformação de pessoas e da sociedade, por que não pode também transformar a cidade?”, questiona.

    Continua após a publicidade

    Dessa equação de pessoas, cultura e espaço público nascem trocas reais de leituras que já foram e das que estão por vir. E ainda instigam o pensamento por meio dos debates e das ações locais. Fique de olho no projeto Ocupação Feminina, coordenado por escritoras na escadaria da praça, batizada de Patrícia Galvão. O chamado, no domingo, às 11h, é para todas as autoras brasileiras se reunirem ali para produzir uma imagem a ser registrada pela fotógrafa Mariana Vieira. Nos vemos lá?

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    ABRILDAY

    Digital Completo

    Moda, beleza, autoconhecimento, mais de 11 mil receitas testadas e aprovadas, previsões diárias, semanais e mensais de astrologia!
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    ABRILDAY

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba Claudia impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.