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A história da pizza, que era comida popular e ganhou aval da realeza

A origem do prato pode até nem ser italiana, mas foi em Nápoles que ganhou receita e formato atuais

Por 10 jul 2020, 09h07 • Atualizado em 10 jul 2020, 10h17
Pizza Margherita
 (Reprodução/Getty Images)
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  • A pizza – que ao contrário que muitos possam acreditar – não nasceu na Itália, embora seja um elemento fundamental da gastronomia italiana. Aliás, nem o nome “pizza” tem origem na italiana. A raiz da palavra vem do grego medieval “petta”, que se traduz como torta ou bolo. O prato, que é massa de pão (farinha de trigo fermentada), revestida geralmente de queijo e com o molho que quiser, é cozinhada no forno e servida como belisco, prato principal, doce ou salgado. O nome “pizza”, segundo etimologistas, pode ter sido uma adaptação italiana para o alemão antigo onde “bizzo” era usado para definir pequenos “pedaços” de alimentos usados para “morder”.  Na Itália, o “pão-torta” era popular e por ser servido em fatias, logo passou a ser chamado de “pizza”.

    Se a popularidade faz do prato uma unanimidade, ainda há controvérsia sobre sua história. Uma corrente defende que os gregos a inventaram. Eles produziam suas massas com farinha de trigo, arroz ou grão de bico, as assando depois em tijolos ardentes. Já outra linha aceita é a teoria de que a história da pizza não é nem grega, nem alemã, nem italiana. Teria mais de seis mil anos e os inventores teriam sido os hebreus. O chamado “pão de Abrahão” – estrato de massa (farinha) misturado com água – era muito parecido com o que hoje conhecemos como “pão sírio”, que era também chamado de “piscea”.

    Não importa, o que os estudiosos concordam é que foram as Cruzadas da Era Medieval que levaram o tradicional costume árabe de cobrir os pães com carne e cebola para a Itália. Os cruzados desembarcavam no porto de Nápoles, por isso a pizza que conhecemos é a “napolitana”. Sim, porque antes o consumo do prato era feito dobrando o pedaço ao meio, como um sanduíche. Hoje se chama esse formato de “calzone”, e foram os napolitanos que mudaram tudo, servindo o pão aberto como um disco. Também adaptaram a receita acrescentado o azeite de oliva, ervas e molho de uma fruta vinda da Espanha, o tomate.

    Por ser simples e barata, a pizza era um prato elaborado para matar a fome dos pobres. Apenas no século XIX, que a pizza saiu de Nápoles e ganhou o mundo. A versão mais frequentemente aceita é a de que durante uma visita do Rei Umberto I e da Rainha Margherita à Nápoles, a rainha quis experimentar uma especiaria local. Para isso, chamaram o padeiro Raffaele Espósito, dono da Pizzeria Di Piero, uma das mais antigas da cidade. Para o jantar, ele preparou inicialmente três versões: pizza com alho, uma marinara e outra com anchovas. Porém o gosto da rainha era simples e ela preferia queijo mozzarela, manjericão e uma fruta vinda da Espanha, o tomate. Espósito então fez a versão do prato especialmente para ela, imitando as cores da bandeira italiana, branco, vermelho e verde. Nascia assim a pizza Margherita, batizada em nome da rainha que adorou a especiaria. 

    Aprovada pela realeza, a pizza foi exportada já em seu formato redondo.  Os imigrantes italianos levaram o prato para os países que elegeram para viver, inclusive o Brasil. Aqui, há 35 anos, o dia 10 de julho foi eleito o Dia da Pizza.  É para aproveitar a delícia que viaja no tempo e nunca perdeu a popularidade.

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