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Stéphanie Habrich

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Stéphanie Habrich é CEO da editora Magia de Ler, apaixonada pelo mundo da educação e do jornalismo infantojuvenil. Fundadora do Joca, o maior jornal para adolescentes e crianças do Brasil e do TINO Econômico, o único periódico sobre economia e finanças voltado ao público jovem, ela aborda na coluna temas conectados ao empreendedorismo, reflexões sobre inteligência emocional, e assuntos que interligam o contato com as notícias desde a infância e a educação, sempre pensando em como podemos ajudar nossos filhos a serem cidadãos com pensamento crítico.

Crianças não devem acompanhar o noticiário cotidiano?

Não é bem assim. A colunista Stéphanie Habrich reflete como as notícias (mesmo as que não são boas) podem inspirar e estimular a criatividade das crianças

Por Stéphanie Habrich
3 jan 2022, 12h43 •
criança na escola
 (Foto: Anastasia Shuraeva/Pexels)
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  • Algumas vezes, quando vamos explicar para as crianças o que está acontecendo no mundo, as notícias são boas. Vão de descobertas incríveis na ciência, passando por jovens que têm atitudes brilhantes a favor da sociedade, até a conquista de um campeonato mundial no mundo dos esportes. Está claro que esse tipo de informação inspira. Inspira uma criança a ser cientista no futuro, a juntar os amigos e a família para um dia de coleta de lixo pelo bairro, a se exercitar.

    Mas e quando as notícias não são boas? Depois de quase dois anos de pandemia de Covid-19, você certamente tem a sensação de que o mundo está cada vez mais difícil e de que ler, ouvir ou assistir ao noticiário cotidiano só traz tristeza e desesperança. Qual seria o objetivo, então, de fazer seu filho passar por isso e sentir as mesmas coisas?

    O ponto é que a realidade é o que é. E o mundo sempre teve – e talvez sempre terá – lados positivos e negativos. Ninguém vive na perfeição. E isso inclui seu filho, esteja ele na infância ou na adolescência. Por que, então, esperar que as notícias sejam perfeitas se o mundo não é? Ou acreditar que só o que transmite esperança e alegria deve fazer parte do repertório do seu filho?

    A impossibilidade de aplicar o filtro da perfeição na vida de nossos filhos nos leva a uma grande oportunidade: ajudá-los a entender as imperfeições do nosso país e de outros lugares do planeta, inspirando a atitudes positivas e criativas. Compreender a sociedade, e se sentir parte dela durante a infância e juventude, leva à ação.

    “Quando eu entendo o meu espaço e o espaço do outro no mundo, as conexões são feitas e é possível trabalhar o potencial criativo para pensar em novas soluções”, explica Ana Carolina Dorigon, pedagoga com especialização em psicopedagogia institucional, mediação de conflitos e inteligência emocional.

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    É a partir da compreensão do contexto de uma notícia, seja ela boa ou ruim, que seu filho estará capacitado para chegar ao ponto de se envolver e questionar: “O que eu posso fazer?”. “Isso instiga a imaginação e vai trazer resultados para o processo criativo”, complementa Ana Carolina.

    Se, para você, fica a sensação de que estamos falando de algo muito além da realidade vista na sua casa, podemos dar um exemplo real, ocorrido recentemente no Joca, jornal para crianças e jovens que fundei há dez anos.

    Uma campanha promovida pelo jornal, convidando os leitores a escreverem mensagens de apoio a estudantes de Brumadinho após a tragédia ocorrida em 25 de janeiro de 2019, resultou em cerca de 3 mil cartas enviadas para escolas do município mineiro – muitas respondidas pelos estudantes da cidade. O retorno dos leitores ao convite só aconteceu porque essas crianças e jovens estavam munidos de informação para entender o que se passava em Brumadinho.

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    Não se trata de um movimento mágico ou milagroso. É preciso dar a oportunidade para que nossos filhos acessem e compreendam os fatos – por meio de notícias em linguagem e formato adequados à essa faixa etária e conversas sobre os fatos no ambiente familiar e escolar. Esse é o passo inicial para que aconteça uma reação criativa, apoiada pela inspiração da leitura do mundo. Assim se deu com Brumadinho: dificilmente as 3 mil mensagens teriam chegado ao Joca se quem as escreveu não tivesse entendido o que se passou com o rompimento da barragem.

    Esse movimento pode partir também das mães e pais, quando percebem que a notícia considerada ruim vai chegar à criança ou ao jovem de uma forma ou outra. “A partir do momento em que a criança começa a ter contato com as notícias, por meio de amigos, televisão, rádio ou na escola, é importantíssimo que os pais conversem com ela para verificar o que estão entendendo sobre o que aconteceu. A partir disso, é possível dar o suporte e, caso ela tenha entendido errado, ressignificar o fato”, explica Natércia Tiba, psicóloga clínica, psicoterapeuta de casal e de família.

    Se o seu receio é acabar gerando um impacto negativo em seu filho com uma notícia triste, Natércia ajuda a trilhar o caminho: “Ao invés de criar uma situação de impacto, dizendo algo como ‘nossa, que horrível o que aconteceu’, pense em falar ‘muito triste isso o que aconteceu… O que será que a gente pode fazer para ajudar?'”.

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    Quando seu filho já está em contato com um material informativo apropriado para a idade dele, que leva à inspiração e à criatividade, o processo se dará de forma ainda mais interessante. Não é para menos que, durante a campanha de envio de mensagens de apoio a estudantes de Brumadinho, recebemos uma carta com sementes de maracujá, desejando que os moradores da cidade pudessem plantar novamente o que foi perdido. Inspiração e criatividade semeadas entre quem precisava encontrar caminhos para se reconstruir.

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