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Ruptura Laranja — por Mari Maria

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Mari Maria (@marimaria) é empresária e uma das maiores referências de beleza do Brasil. Fundadora da Mari Maria Makeup, construiu uma trajetória marcada por autenticidade, criatividade e diálogo direto com seu público. Em CLAUDIA, assina uma coluna autoral sobre beleza, empreendedorismo e expressão pessoal, com olhar afiado para tendências e vivências reais.

Entre técnica e identidade: como o visagismo transformou meu olhar

Entender visagismo e colorimetria foi o que transformou a maquiagem de tentativa em intenção

Por Mari Maria 24 fev 2026, 18h00
Amostras de maquiagem em tons claros e médios espalhadas sobre fundo neutro, destacando diferentes subtons, texturas e acabamentos usados em estudos de visagismo e colorimetria.
Texturas, tons e subtons diferentes mostram como a maquiagem vai além da cor: é equilíbrio, intenção e leitura da pele (Getty/Getty Images)
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Quando entrei na faculdade, o curso de estética e cosmetologia foi uma grande oportunidade de aprender ainda mais sobre o universo da beleza e aprofundar meu conhecimento em maquiagem para além do espelho. Eu já vivia esse universo na prática, mas sentia que precisava mergulhar na teoria, entender pele, fundo, subtom, estrutura facial, comportamento de pigmentos. Queria saber quais seriam as possibilidades.

Foi ali que o visagismo deixou de ser apenas uma palavra bonita e virou uma chave na minha cabeça. Visagismo é sobre identidade. É compreender que cada rosto comunica algo antes mesmo do produto tocar a pele. O formato do olhar, a largura do nariz, o desenho da boca, a estrutura óssea, tudo fala. E a maquiagem, quando bem aplicada, não apaga essa linguagem, ela potencializa.

A colorimetria veio como complemento essencial. Porque não basta escolher “uma base”. Existe fundo quente, frio, neutro. Existe profundidade. Existe saturação. Existe correção de cor.

Um pigmento levemente mais amarelado pode iluminar uma pele oliva. Um toque de vermelho pode neutralizar um aspecto acinzentado. Um ajuste mínimo muda tudo.

E eu acho muito simbólico perceber que, anos atrás, eu já fazia pequenas misturas intuitivas tentando chegar ao meu tom ideal. Eu não sabia que aquilo tinha nome técnico, até porque passei grande parte da minha vida experimentando variedades de bases para acertar o meu tom.

As sardas sempre deixaram tudo isso ainda mais desafiador, pois dependendo da base, minha pele ficava esverdeada, afinal, minhas sardas têm um subtom oliva.

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Hoje eu sei: eu estava buscando equilíbrio de subtom, estava tentando corrigir contraste, estava aplicando colorimetria sem saber.

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O que aprendi na faculdade me ensinou uma coisa muito clara: não existe pele “difícil”. Existe pele que ainda não foi compreendida.

Quando entendemos teoria de cor, passamos a enxergar possibilidades. Às vezes, a solução não é trocar totalmente o produto, mas ajustar. Acrescentar um pigmento. Neutralizar uma vermelhidão. Aquecer levemente um fundo. Adaptar à luz do ambiente, à estação do ano, ao estado da pele naquele dia.

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Essa liberdade técnica muda a relação com a maquiagem. Você deixa de depender de um tom fechado e começa a criar o seu.

Hoje, quando desenvolvo produtos, penso muito nisso: versatilidade, personalização, construção. Penso na mulher que quer praticidade, mas também deseja possibilidades e performance profissional, mas sem perder autonomia.

No fim, visagismo e colorimetria me ensinaram que maquiagem não é sobre padronizar rostos. É sobre respeitar individualidades. É sobre entender a própria pele com profundidade suficiente para fazer escolhas conscientes. E quando a gente entende o que está fazendo, a maquiagem deixa de ser uma tentativa e vira intenção.

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