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Roberta D'Albuquerque

Por Maternidade Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Roberta D'Albuquerque é psicanalista e autora do livro Quem manda aqui sou eu - Verdades inconfessáveis sobre a maternidade

Fiquemos todos de recuperação

Como anda o boletim da sua vida?

Por Roberta D'Albuquerque
9 out 2017, 16h33 • Atualizado em 9 out 2017, 17h30
 (ThinkStock/ThinkStock)
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  • Quando eu era aluna do que hoje é o ensino fundamental, ficar de recuperação funcionava como um castigo. Aquele que não tirava notas boas o suficiente tinha uma semana para aprender (sozinho) tudo que não havia entendido durante o ano e provar que poderia seguir adiante. Quem passava na primeira prova lamentava a semana de férias desperdiçada e prosseguia o jogo levando alguma deficiência de aprendizagem para a série seguinte. Os que não conseguiam tinham uma nova chance na prova final e quem ainda assim não alcançasse a pontuação repetia o ano. Nada nesse arranjo incluía recuperar o conteúdo perdido ou criar condições para avançar.

    Mês passado acabou o processo de recuperação na escola de minhas filhas. Lá, ele não se dá no fim do ano, os alunos têm três oportunidades. Todos eles se envolvem, tanto os que precisam de ajuda quanto os que podem ajudar. Os professores também estão presentes. Melhorar o aproveitamento do grupo é responsabilidade – e mais, é desejo de cada uma das crianças e de cada um dos adultos. Três diferenças importantes em relação ao que se dava antes:

    1. Ninguém segue com defasagens. Quase tudo que se aprende na escola depende de um conhecimento anterior. Se meu entendimento de adição (para ficar no exemplo mais simples) não é 100%, como passo tranquilinha para a multiplicação?

    2. Ninguém precisa se sentir envergonhado ou castigado porque não alcançou um conteúdo. Algumas coisas são mesmo mais complicadas. Para entendê-las, é preciso ouvir, pensar, tentar de novo e de novo…

    3. Passar direto, ainda que por sorte, não é mais o objetivo. O que se quer é aprender, fazer a cama para o próximo ano, tirar tudo que varreu para debaixo do tapete.

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    Pois proponho que a gente adote essa nova recuperação para a vida. É precioso parar para pensar nas lacunas, assumi-las, pedir ajuda a quem está seguindo mais tranquilo, dar atenção às nossas contas de adição, levantar o tapete empoeirado, ouvir de novo, tentar de novo. E se, ainda assim, continuar difícil deixar a cama bem-feita, é só lembrar que repetir de ano não é o fim do mundo. Passar direto não precisa mais ser objetivo de ninguém.

     

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