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Idealizadora do @namastreta, a jornalista Caroline Apple trilha o caminho da autorresponsabilidade nos relacionamentos

Concretando portas do passado: fechar é pouco para seguir em frente

Se fechamos uma porta não estaremos propícios a querer espia-la de novo? Por isso, a sugestão é concretar as que não cabem mais em nossas vidas

Por Caroline Apple
2 ago 2022, 14h27 • Atualizado em 2 ago 2022, 17h38
o que é coronofobia
Quando só encostamos a porta, aquela brechinha fica emanando uma energia que afeta nossos relacionamentos atuais de forma direta e indireta.  (Klaus Vedfelt/Getty Images)
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  • É. Isso mesmo: concretar portas. Só fechar é pouco para quem quer realmente viver uma nova relação de forma íntegra. Isso porque quando apenas fechamos as portas, reabri-las ou ir lá dar uma espiadinha é bem fácil. Fora que muitas vezes mentimos para nós mesmas e não as fechamos efetivamente, só as encostamos. É aí então que aquela brechinha fica emanando uma energia que afeta nossos relacionamentos atuais de forma direta e indireta.

    Eu fui uma pessoa que mantive encostadas muitas portas das relações. Mas não foi por maldade. A imaturidade, a busca por um relacionamento, o desejo de ser amada, a carência, a dependência emocional, o desafio de restaurar algo que terminou e tantos outros motivos embalavam minhas aventuras nesses fatídicos e comuns ‘remembers’ ou tentativas de reaproximação.

    Veja também: 3 dicas para você parar de “atrair” relacionamentos ruins

    Vira e mexe eu ia lá, entrava naquele já conhecido ambiente como se algo novo fosse surgir. Podia ser a partir de um encontro efetivamente, uma mensagem, a manutenção de uma playlist no Spotfy alimentada pelos dois, uma foto, uma carta, uma peça de roupa…há muitas maneiras de espiar pelas frestas das portas do passado.

    Mas a real é que dificilmente surge algo além da certeza de estar regando um solo tão seco quanto o pós de uma queimada no Cerrado. Caso você não seja um candombá, dificilmente irá florescer ali.

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    Então, decidi trocar essas portas por concreto. A maturidade, inclusive lapidada pelo resultado dessas ‘espiadas’, me mostrou que para o novo chegar como sinto ser o melhor caminho, nada além de gratidão poderia sobrar das antigas relações – e olhe lá, dependendo da situação.

    Cortei definitivamente todos meus ex-namorados que nunca realmente evoluíram para uma amizade sincera, estanquei as mensagens aparentemente bobinhas, mas carregadas de intenção, parei as interações aleatórias, doei os itens que me faziam recordar dessas portas entreabertas e, principalmente, assumi verdadeiramente para mim mesma que esses relacionamentos acabaram. 

    Havia chegado o momento de lidar com os sentimentos que só temos a chance de nos aprofundarmos quando a história se fecha verdadeiramente dentro de nós, o que pode incluir frustração, raiva, rancor, decepção, culpa, insatisfação. Senti tudo isso, por exemplo, quando terminei dentro de mim uma história que havia aparentemente terminado há 15 anos. Uma loucura, mas das boas. Daquelas que curam.

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