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71 plantas que aguentam sol forte (e como não matar o jardim)

Irrigar demais não é uma solução: levantamos os principais erros e algumas dicas para manter suas plantas saudáveis no verão

Por Alex Alcantara 2 mar 2026, 08h00
Como cuidar de plantas no verão
Com o aumento da incidência solar, muitas pessoas regam as plantas em excesso sem considerar que cada estação altera o ritmo de evaporação do solo (Pexels/Huy Phan/Creative Commons/Reprodução)
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Quando o verão e as altas temperaturas chegam, buscamos todas as maneiras possíveis para se refrescar. Ter plantas em casa é uma delas, já que liberam vapor d’água pelas folhas e consomem calor do ambiente, além de bloquearem a radiação solar direta, evitando que paredes, janelas e pisos absorvam a quentura.

Porém, assim como todo ser vivo, as plantas também sofrem com o calor, e se não forem cuidadas corretamente, podem acabar morrendo, o que arruinará o seu jardim. 

“O verão é traiçoeiro. O erro mais comum é confundir calor com sede, exagerando na rega e provocando encharcamento. Outro clássico é plantar ou transplantar espécies sensíveis justamente quando o estresse climático está no auge”, explica a paisagista Clariça Lima, à frente do estúdio homônimo. “Também é comum podar demais, expondo folhas e ramos jovens a um sol que não perdoa.”

Ainda, segundo ela, o segredo para manter o jardim exuberante e saudável está no simples: “O jardim sofre menos quando o foco é a manutenção mínima e a observação atenta”. 

Conversamos com a paisagista Clariça e Rodrigo Gheller, do escritório Terraço Paisagismo, para esclarecer as principais dúvidas e indicar boas soluções. Confira:

Por que algumas plantas não resistem a altas temperaturas?

Como cuidar de plantas no verão
Muitas espécies de plantas não aguentam o calor extremo porque não têm adaptações fisiológicas para lidar com a alta radiação (Pexels/Skylar Kang/Creative Commons/Reprodução)

No paisagismo, o que define a insolação é a duração diária do sol e a intensidade nos horários mais críticos.

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“Em geral, consideramos de sol pleno as áreas que recebem entre 6 e 8 horas ou mais de iluminação solar direta por dia. Quando essa insolação ocorre principalmente entre 11h e 14h, o estresse térmico é maior”, pontua Rodrigo.

Assim, muitas plantas não resistem porque não têm adaptações fisiológicas para lidar com a alta radiação, a perda excessiva de água e o aquecimento do solo, resultando em desidratação acelerada, queimadura foliar e colapso fisiológico, mesmo com regas frequentes.

Diferença entre plantas que “gostam de sol” e as que realmente toleram calor extremo

Parece se tratar da mesma característica, mas não é. Há dissemelhança entre as plantas que precisam da irradiação solar direta das que conseguem sobreviver a climas extremos.

O primeiro caso ocorre quando o vegetal precisa receber luz solar direta, mas conta com cuidados apropriados, como solo fresco e irrigação regular; já no segundo, tem espécies que se adaptam para armazenar água, reduzir a transpiração, entrar em dormência parcial e resistir à oscilação hídrica.

Como cuidar de plantas no verão
Os cactos e as suculentas são plantas que se adaptaram para serem resistentes às altas temperaturas (Unsplash/Yen Vu/Creative Commons/Reprodução)
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“Os cactos, por exemplo, além de exigirem sol direto, têm sistemas eficientes de armazenamento de água, o que os torna altamente resistentes ao calor”, aponta Rodrigo.

Os erros mais comuns ao cuidar do jardim no calor

Segundo ambos os profissionais consultados, o erro frequente é a irrigação inadequada e exagerada. “Com o aumento da incidência solar, muitas pessoas regam mais sem considerar que cada estação altera o ritmo de evaporação do solo”, explica o paisagista.

Conforme Clariça e Rodrigo, as principais falhas cometidas no período são:

  • Plantar ou transplantar espécies sensíveis justamente quando o estresse climático está no auge;
  • Podar demais, expondo folhas e ramos jovens a um sol extremo;
  • Regar no horário com mais insolação, já que as gotículas de água restantes nas folhas formam uma lente que as queimam;
  • Falta de um plano de adubação. “O verão é um período de alta demanda nutricional, e a ausência de reposição adequada enfraquece o jardim”, explica Clariça;
  • Falta de atenção aos primeiros sinais de estresse das plantas.

Sinais de estresse térmico

Como cuidar de plantas no verão
A perda do viço das plantas é um dos primeiros sinais de que a planta pode estar sofrendo com o calor (Freepik/Creative Commons/Reprodução)
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“Os primeiros sinais são sutis: folhas levemente opacas, bordas enroladas, perda de viço nas horas mais quentes do dia. Depois vêm manchas queimadas, amarelamento irregular e queda precoce de folhas ou flores”, orienta a paisagista.

Segundo ela, um bom termômetro é observar a planta no final da tarde: se ela não ‘se recupera’ após o pico de calor, o alerta já está aceso

Como irrigar as plantas no verão

A rega deve sempre ser feita preferencialmente no início da manhã, quando o sol ainda é ameno e a água pode ser melhor absorvida pelo solo.


“Regar durante o sol intenso aumenta a evaporação e pode elevar a temperatura do solo, prejudicando o sistema radicular”, esclarece Rodrigo.
Segundo ele, a rega no final do dia não apresenta esse risco térmico, mas ocorre quando a planta está com menor atividade fisiológica, o que reduz o aproveitamento da água e pode favorecer fungos dependendo da espécie.

Para Clariça, a regra de ouro é regar menos vezes, mas com profundidade: “Regas superficiais e diárias estimulam raízes rasas, que sofrem mais com o calor”.

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Espécies que sobrevivem a altas temperaturas e ao calor

Como cuidar de plantas no verão
A espada-de-São-Jorge é uma das espécies que tolera bem o sol intenso e se adaptou para armazenar água e resistir à oscilação hídrica (Freepik/Creative Commons/Reprodução)

Mais do que saber escolher as espécies corretas, deve-se prestar atenção em alguns aspectos, como a insolação do espaço, a implantação de um sistema de irrigação automatizado ajustado à demanda das plantas e um plano de adubação adequado. 

“Em jardins expostos ao sol direto por muitas horas, a palavra-chave é resiliência. As espécies mais indicadas são aquelas adaptadas a ambientes abertos, com folhas mais espessas, cerosas ou pilosas, verdadeiros ‘escudos solares’. Arbustos floríferos rústicos, herbáceas tropicais resistentes e gramíneas ornamentais costumam se sair muito bem”, indica Clariça.

Abaixo listamos algumas das espécies indicadas pelos paisagistas:

    Arbustos e subarbustos

    • Lantana
    • Lantana-amarela
    • Lantana-rasteira
    • Ixora
    • Hibisco
    • Clúsia
    • Escova-de-garrafa
    • Caliandra
    • Camarão-vermelho
    • Russélia
    • Manacá-da-serra-anão
    • Buganvília
    • Alamanda
    • Jasmim-manga
    • Resedá
    • Murta
    • Pitanga
    • Cheflera-arbustiva
    • Sálvia ornamental
    • Sálvia
    • Lavanda
    • Alecrim
    • Boldo
    • Plectranthus neochilus
    • Pentas
    • Euphorbia milii
    • Euphorbia tirucalli
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    Forrações, herbáceas e floríferas de baixo porte

    • Grama-amendoim
    • Portulaca
    • Vinca
    • Pervinca-pendente
    • Zínia
    • Gazânia
    • Cosmos
    • Coreopsis
    • Rudbéquia
    • Equinácea
    • Gaillardia
    • Tagetes
    • Celósia
    • Verbena
    • Evolvulus
    • Moreia
    • Dietes
    • Agapanto
    • Lírio-de-São-José
    • Lírio-da-praia
    • Trapoeraba-roxa
    • Tradescantia-púrpura
    • Senécio
    • Cinerária-marítima
    • Tomilho
    • Manjericão

    Gramíneas ornamentais

    • Capim-do-Texas
    • Capim-dos-pampas
    • Capim-do-fogo
    • Capim-azul
    • Capim-barba-de-bode

    Suculentas e plantas estruturais

    • Agave
    • Agave attenuata
    • Aloe
    • Espada-de-São-Jorge
    • Opuntia
    • Nolina
    • Beaucarnea
    • Iúca

    Árvores e palmeiras (ou porte arbóreo)

    • Cyca
    • Tamareira-anã
    • Bananeira-ornamental
    • Helicônia psittacorum
    • Palmeiras de sol em geral

    Rodrigo alerta que, apesar de resistentes ao sol, essas plantas exigem atenção especial à irrigação, principalmente nos períodos mais quentes.

    “Outro ponto importante é a fase de adaptação: muitas plantas vêm de viveiros onde são cultivadas sob sombrite e, ao serem transplantadas para o jardim, podem apresentar queimaduras leves nas folhas até se adaptarem”, alerta o especialista.

    O que não plantar (ou replantar) em períodos de alta temperatura

    Como cuidar de plantas no verão
    Árvores frutíferas e de grande porte são as que mais sofrem com o replantio durante os períodos de calor extremo (Freepik/Creative Commons/Reprodução)

    No verão, não é indicado fazer altas manutenções no jardim – aqui, o menos é mais. Por isso, transplantar, replantar, ou mesmo plantar, não é o indicado para a temporada, pois o sistema radicular dos vegetais fica mais sensível. 

    “No transplante, parte das raízes absorventes é perdida, o que compromete temporariamente a capacidade da planta de captar água.
Por isso, não recomendamos o transplante de árvores – especialmente frutíferas e espécies de grande porte – durante o verão, priorizando épocas mais amenas”, sugere o profissional do Terraço Paisagismo.

    Clariça também aponta as espécies muito usadas em jardins formais, de folhagens finas ou espécies recém-produzidas em viveiro: “Mesmo que estejam lindas na loja, o risco de perda nessa época é alto e frustrante”.

    Por fim, para não perder o jardim no verão…

    1. Escolha plantas que realmente aguentem o lugar onde você irá plantá-las. 
    2. Proteja o solo como se ele fosse o “coração do jardim” – porque é. 
    3. No verão, menos intervenção costuma ser mais sabedoria. Observar, ajustar e respeitar o ritmo das plantas é o que mantém o jardim vivo quando o calor aperta.

    “Manter uma irrigação correta e bem ajustada, garantir a adubação adequada e proteger o solo com coberturas orgânicas para reduzir o estresse térmico são as minhas dicas essenciais para o verão”, finaliza Rodrigo.

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