Uma sobe e puxa a outra: conheça o trabalho das mulheres da W-CFO
Àngela Pugliese e Silvana Vieira lideram associação que impulsiona mulheres ao topo corporativo
Pouco antes da pandemia, Ângela Pugliese e outras CFOs haviam sido convidadas para um evento empresarial no litoral paulista. Ao olharem para o auditório, com 120 convidados, se depararam com uma cena familiar: um mar de ternos pretos, azuis e cinzas.
“Nada mudou, não é mesmo?”, constataram, no final do evento, quando se reuniram em um happy hour.
Não era novidade. Ao longo da carreira de todas, os cargos de liderança em finanças sempre estiveram nas mãos de homens — e, mesmo na graduação, encontraram poucas mulheres.
Na faculdade de economia, iniciada em 1987, na PUC-SP, Ângela era uma das exceções na turma. No MBA Executivo Internacional, em 1996, a história se repetiu.
A trajetória de Ângela — e a quebra do padrão
Ao longo da carreira, o padrão continuava — até ela mesma conseguir romper com ele.
Em seu primeiro emprego, em 1991, na Editora Abril, Ângela ocupou o cargo de analista de finanças.
“Meu objetivo quando entrei na faculdade de economia era trabalhar para o governo. Eu queria mexer com a distribuição de renda, fazer o país crescer. Mas, como diz um amigo, o mundo corporativo te chama e te remunera. Quando você vê, já foi”, conta.
De lá, caminhou mais doze anos até se tornar CFO do BW Group, conglomerado marítimo global que atua em transporte, infraestrutura flutuante e produção offshore de petróleo e gás.
Uma conquista e tanto: a economista não apenas chegou ao topo da carreira — fez isso em um setor ainda dominado por homens.
“Os homens ainda fazem um trabalho muito grande entre eles. Não acho que seja proposital. Eles estão acostumados a isso. Se não estivermos alertas, mostrando nossa capacidade e nossos resultados, eles acabam sempre puxando amigos ou conhecidos, com quem já trabalharam e tiveram bom retorno”, afirma Ângela.
O nascimento da W-CFO Brazil
Ainda que fosse comum, o incômodo era real. Daquele encontro surgiu uma ideia: montar uma organização capaz de treinar, oferecer mentoria e inspirar mulheres da área de finanças interessadas em avançar para posições de liderança executiva.
“Quando mulheres se juntam, elas formam algo bem interessante, não é? Criamos a W-CFO Brazil, éramos 30 naquele momento. Com a pandemia, começamos com encontros virtuais”, relembra Ângela, que, naquela época, era chefe do departamento financeiro da Richemont, conglomerado suíço de marcas de luxo como Cartier e Montblanc.
O início de tudo
Em agosto de 2020, Ângela e as 30 fundadoras ergueram as bases da W-CFO.
A associação nasceu com uma proposta clara: oferecer cursos online voltados a mulheres que já ocupavam, ou haviam ocupado, posições como CFO, diretora financeira ou liderança na área de finanças.
Algumas formações eram exclusivas para associadas — que passavam por um processo de pré-aprovação antes de ingressar no grupo. Outras eram abertas ao público e ajudaram a espalhar o nome da W-CFO pelo país.
Criaram também um programa de mentoria gratuito para associadas que já atuam em cargos de gerência ou coordenação e querem chegar ao topo.
Cada participante passa por um processo seletivo e, se aprovada, recebe acompanhamento individual de uma CFO experiente ao longo de seis encontros, realizados durante um semestre.
Crescimento e impacto na carreira das associadas
O burburinho e o boca a boca fizeram com que a W-CFO alcançasse diferentes estados do Brasil.
“Temos uma presença muito forte no LinkedIn. Hoje, certamente, temos mais de 13 mil seguidores, que é um número grande para uma mídia corporativa, que é o LinkedIn”, orgulha-se.
“É um crescimento orgânico. Uma fala para outra: ‘vai no LinkedIn delas’. Eu sou parada às vezes em eventos e escuto pessoas que dizem nos seguir, que acham muito legal nosso trabalho. Vamos nos conectando assim.”
Por dois anos, Ângela assumiu a presidência da associação — que, em 2025, seria repassada a uma dessas mulheres impactadas pela W-CFO: Silvana Vieira.
Silvana Vieira e o novo ciclo de liderança
Silvana era head de finanças no Ekko Group Incorporações quando, durante um curso de conselheira, ouviu falar pela primeira vez sobre a associação.
“Eu estava em momento de transição, com mais tranquilidade, então fui fazer uns cursos diferentes. Conheci algumas mulheres e duas delas eram da W-CFO. Elas me disseram para entrar no site e dar uma olhada. Achei interessante e me candidatei para o programa de mentoria”, conta.
“Aí comecei a ir nos eventos, conhecer outras associadas, e ganhei novas referências de mulheres. Nossa carreira acaba sendo muito solitária. Quando você encontra um grupo com experiências parecidas — e outras completamente diferentes — é como se um novo horizonte se abrisse. Eu me encontrei ali. E fui me apaixonando cada vez mais.”
Formada em Ciências Contábeis, Silvana teve vivências em empresas dominadas por homens, como a Braskem e a Odebrecht Engenharia & Construção.
“Eu tive poucas referências de mulheres na liderança. Uma delas era tão pulso firme que todo mundo tinha medo. Pensava: ‘será que vou ter que ser assim para crescer também?’”, relata.
“Eram áreas dominadas por homens machistas, com visão limitada sobre o que a mulher pode realizar. Nós nos cobramos muito e deixamos de nos candidatar porque não temos 100% das exigências. Precisamos nos arriscar.”
Silvana conta que, hoje, encontrou outro caminho: “Tem hora que precisamos ser firmes, mas também precisamos ser delicadas. Você precisa empregar a sua essência. Hoje eu trabalho muito como eu sou.”
Educação financeira e impacto social
A W-CFO também tem um olhar para fora do mundo corporativo. Seu braço de responsabilidade social oferece cursos gratuitos de educação financeira e empreendedorismo para pessoas em situação de vulnerabilidade — especialmente mulheres que sustentam suas famílias com pequenos negócios informais.
As aulas são dadas presencialmente por CFOs voluntárias, que se revezam entre planilhas e vivências reais em comunidades como Heliópolis e Paraisópolis.
O conteúdo é lúdico, acessível e parte da jornada de uma personagem fictícia que enfrenta desafios comuns: desorganização financeira, endividamento, estruturação do negócio e crescimento.
Em quatro horas de curso, o que se oferece não é apenas técnica — é reconhecimento, pertencimento e futuro possível.
“Sempre pergunto: ‘Quantos cartões vocês têm?’ Às vezes alguém diz dez! Aí eu provoco: ‘Pra quê tudo isso? Cada um é um custo’. E seguimos desmistificando essas armadilhas”, conta Ângela.
O impacto cresceu tanto que o programa passou a atender também homens e famílias inteiras, em parceria com ONGs e projetos locais.
Em 2024, os projetos sociais da W-CFO impactaram mais de 4,5 mil pessoas, com:
- 166 microempreendedoras capacitadas
- 13 ações sociais apoiadas
- mais de 600 horas de trabalho voluntário
- impacto social estimado em R$ 1,8 milhão
Trabalho voluntário que transforma vidas — inclusive as delas
Nada disso é remunerado. Todas as ações — cursos, mentorias, encontros — são realizadas de forma voluntária pelas associadas e fundadoras.
“É incrível, a gente dá o curso nos finais de semana ou à noite. Doamos nosso tempo, mas saímos flutuando, com sentimento de missão cumprida”, diz Ângela.
“Temos bastante trabalho. A W-CFO realmente é uma empresa. Mas é uma empresa com um produto final delicioso de entregar”, completa Silvana.
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