Você saberia dizer, num átimo, assim de pronto, qual sua lista de grandes afazeres da vida? Não vale nada mundano. Cura do câncer e livrar a Amazônia dos piratas mundiais também não. Digo prioridades de mudanças internas. Autoperdão. Empatia. Sororidade. Atenção ao próximo.
Há quanto tempo você não enxerga seus pares? Já fez a correção de se perceber como alguém que precisa evoluir muito? Eu preciso. Ando olhando os desconhecidos na rua, metrô, filas, tentando achar alguém por quem valha a pena cuidar. É uma espécie de eugenia do bem, um processo de seleção natural da minha cabeça. Tantos precisam da gente.
O bom dia ao porteiro. O olhar carinhoso para senhora. Um afago no mendigo. O cão abandonado em nossa rua. Mazelas diárias e permanentes de uma vida subdesenvolvida com moradores anestesiados atrás de suas grades de proteção, blindadas contra a maré de azar. O Rio pede socorro. O carioca ainda guarda uma certa rebeldia e malemolência mas está mais pra fila do SUS do que pro aplauso ao pôr do sol. Como se dançássemos um balé rumo à insensatez. Precisamos de prioridades de afeto. Já será um bom começo.
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